ANÁlise da interaçÃo medicamentosa em cardiopatia: relato de experiência



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ANÁLISE DA INTERAÇÃO MEDICAMENTOSA EM CARDIOPATIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Letícia Machado de Sousa1

Maíra Maria Leite de Freitas2

Camila Barroso Martins2

Edilandia Firme Teixeira3

Madelon Mesquita da Silva Gadelha3

Antonio Dean Barbosa Marques4

EIXO 3: Enfermagem em Saúde do Adulto

INTRODUÇÃO

Na contemporaneidade as doenças cardiovasculares ocupam as maiores causas de morbimortalidade em todo o mundo, sendo responsável pela elevação do número de internações, e consequentemente a necessidade de atendimento especifico e reabilitação cardiovascular eficaz (CARVALHO et al., 2007).

Dentre as afecções cardiovasculares, destaca-se a cardiopatia de válvulas, no qual segundo Nunciaroni et al., (2012), é uma doença que acomete as válvulas cardíacas responsáveis pelo bombeamento de sangue entre as câmeras cardíacas. Sendo esta desordem manifestada por cianose, edema nas extremidades, dispneia, batimentos cardíacos irregulares e vertigens.

Há diversos fatores de risco para o desenvolvimento das cardiopatias, como fatores hereditários, idade, sexo, tabagismo, colesterol alto, sedentarismo, obesidade, etilismo, pressão arterial elevada, dentre outros (BARRETO et al., 1998).

Conforme Carvalho et al., (2007), geralmente as cardiopatias são assintomáticas, sendo diagnosticadas apenas com o auxilio de exames. Porém em alguns casos os sintomas podem aparecer entre eles, a dispnéia, fadiga, palpitações, vertigens e sensação de enjoo.

O tratamento para cardiopatia dependerá das causas da doença. Pode ser controlada com medicamentos que aliviam os sintomas, atrelado a mudanças de estilo de vida. Geralmente são utilizados Inibidores da ECA, anti-hipertensivos que bloqueiam os efeitos dos hormônios que afetam a pressão arterial para dilatar os vasos sanguíneos. Isso ajuda a reduzir a carga de trabalho do coração. As Pílulas diuréticas, que ajudam a remover o excesso de fluidos do corpo também são utilizadas (NUNCIARONI et al., 2012).


OBJETIVO

O presente estudo tem como objetivo descrever a experiência de discentes de enfermagem ao avaliar a prescrição e possíveis interações medicamentosas de uma pessoa com cardiopatia.


METODOLOGIA

Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, realizado em um serviço de atenção terciária na cidade de Fortaleza/CE, durante o mês de outubro de 2017. A coleta de dados foi realizada por meio de levantamento das prescrições medicamentosas no prontuário e do histórico de enfermagem da paciente, 50 anos, sexo feminino, portadora de cardiopatia de válvulas. Analisou-se o aprazamento das medicações feito pela equipe de enfermagem e possíveis interações medicamentosas. Elaborou-se um quadro com as possíveis interações medicamentosas relacionando os fármacos prescritos. Ressalta-se que os preceitos éticos e legais que regem a Resolução 466/12 foram respeitados.


RESULTADOS E DISCUSSÃO

MEDICAÇÕES

8:00hs

12:00hs

16:00hs


24:00hs

Furosemida

X




X

X

Metropolol




X







Losartana

X




X




Sertralina







X




Durante a analise das medicações pelos discentes de enfermagem, observou-se interação medicamentosa farmacodinâmica por mecanismo de sinergismo, entre a losartana e a furosemida. A Losartana é um anti-hipertensivo que age como antagonista do receptor (tipo AT1) da angiotensina II, que reduz a pressão arterial por meio do bloqueio desse peptídeo, impedindo suas ações de vasoconstrição, ativação do hormônio ADH e Aldosterona (BRASIL, 2013). Já a furosemida é um diurético utilizado para casos de hipertensão arterial moderada e leve que age promovendo a eliminação de água e consequente eliminação de sódio do organismo, reduzindo assim a pressão arterial (BRASIL, 2013).

A combinação de furosemida e Losartana no mesmo horário promove ação sinérgica, pois o diurético potencializa a ação hipotensora da losartana podendo culminar em hipotensão. É importante salientar que esses fármacos podem ser utilizados em associação, entretanto é necessário o cuidado em relação à posologia das drogas (PINHEIRO; CARVALHO; LUPPI, 2013).

O valor pressórico da paciente durante a produção de dados estava abaixo dos padrões de normalidade, 90X60mmHg. Tal fato evidencia a ocorrência da interação medicamentosa, surgindo à necessidade de mudanças no aprazamento das medicações. Um fator limitante para o estudo foi a não possibilidade de modificação do horário pelos acadêmicos de enfermagem. Entretanto foi sugerido ao enfermeiro do plantão.
CONCLUSÃO

Evidencia-se uma lacuna no que tange o conhecimento dos profissionais de enfermagem em relação às interações medicamentosas, já que o aprazamento correto dos medicamentos é uma atribuição do enfermeiro, visto que esta pode evitar vários efeitos prejudiciais para organismo. Faz-se necessário que o profissional tenha conhecimento farmacológico para identificar as possíveis interações, permitindo a modificação durante o aprazamento, refletindo em uma melhor prática clínica e melhoria da qualidade de vida do paciente.




REFERÊNCIAS

BARRETTO, Antonio Carlos Pereira et al . Insuficiência cardíaca em grande hospital terciário de São Paulo. Arq. Bras. Cardiol.,  São Paulo ,  v. 71, n. 1, p. 15-20,  jul.  1998


BRASIL. Ministério da Saúde. Bulário Eletrônico Anvisa. Brasília, DF, 2013. Disponível em http://www.anvisa.gov.br/datavisa/fila_bula/index.asp. Acesso em 28. Mar. 2018
CARVALHO, Tales de et al . Reabilitação cardiovascular de portadores de cardiopatia isquêmica submetidos a tratamento clínico, angioplastia coronariana transluminal percutânea e revascularização cirúrgica do miocárdio. Arq. Bras. Cardiol.,  São Paulo ,  v. 88, n. 1, p. 72-78,  jan.  2007 .
NUNCIARONI, Andressa Teoli et al . Caracterização dos diagnósticos de enfermagem de pacientes internados em uma unidade de cardiologia. Rev. Gaúcha Enferm.,  Porto Alegre ,  v. 33, n. 1, p. 32-41,  mar.  2012 .  
PINHEIRO, Juliana Souza; CARVALHO, Maristela Ferreira Catão; LUPPI, Graziela. Interação medicamentosa e a farmacoterapia de pacientes geriátricos com síndromes demenciais. Rev. bras. geriatr. gerontol.Rio de Janeiro ,  v. 16, n. 2, p. 303-314,    2013 .





1. Relatora. Graduanda de Enfermagem da Universidade Federal do Ceará- UFC

2. Graduandas de Enfermagem da Universidade Federal do Ceará- UFC

3. Graduandas de Enfermagem da Faculdade Metropolitana da Grande Fortaleza- FAMETRO



4. Orientador. Doutorando em Cuidados Clínicos em Enfermagem e Saúde da Universidade Estadual do Ceará – UECE.
E-mail do autor: leticiamachadosousa36@gmail.com

ISSN: 24465348


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