ANÁlise da 2ª ediçÃo do livro didático de biologia de amabis e martho (2004)



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ANÁLISE DA 2ª EDIÇÃO DO LIVRO DIDÁTICO DE BIOLOGIA DE 



AMABIS E MARTHO (2004) 

Richardson Rodrigues de Araujo (IFMA Campus Timon) – araujorichardson@gmail.com 



INTRODUÇÃO 

Este  trabalho  pretende  analisar  a  2ª  edição  do  livro  didático  de  Biologia  de  José 

Mariano Amabis e Gilberto Rodrigues Martho (2004), do 2° ano do ensino médio, quanto ao 

conteúdo vírus. O problema da pesquisa consistiu em examinar de uma maneira geral o livro 

didático, considerando as recomendações do Guia Nacional do Livro Didático Biologia. Para 

o desenvolvimento deste trabalho foi necessário, de início, uma revisão bibliográfica pautada 

em  autores  como  Araujo  e  Silveira  (2004),  Coutinho  e  Temp  (2013),  Ramos  (2013),  Silva 

(2014), dentre outros que deram suporte teórico à compreensão do tema a ser trabalhado. 

O  trabalho  teve  como  critérios  gerais  de  análise  “Os  aspectos  físicos”,  “Análise  do 

livro de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s), “Análise dos conteúdos 

segundo os aspectos Teóricos Metodológicos” e “Recursos visuais”. 

O  presente  artigo  tem  como  principal  objetivo  apresentar  uma  análise  de  aspectos 

físicos,  estruturais,  didático-metodológicos  da  segunda  edição  do  livro  didático  de  José 

Mariano  Amabis  e  Gilberto  Rodrigues  Martho  volume  2,  2ª  edição,  de  modo  a  traçar  um 

perfil geral que possa eventualmente servir de parâmetro comparativo para análise de outras 

edições da obra bem como outros autores. 



FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 

Pode-se considerar que no ensino de Biologia – sobretudo nas instituições públicas de 

ensino  -  os  livros  didáticos  são  o  principal  material  de  ensino  e  aprendizagem  utilizado  por 

professores e alunos em sala de aula. 

Contudo, Araújo e Silveira apontam que 

[...] esse material é peculiar em relação a outras ferramentas pelo fato de aproximar 

os alunos da ciência. Isso ocorre porque o livro fornece aos seus leitores a análise de 

fenômenos,  a  experimentação,  o  teste  de  hipóteses,  assim  como  a  elaboração  de 

conclusões,  proporcionando  o  surgimento  de  novos  conhecimentos  na  estrutura 

cognitiva do indivíduo. (ARAÚJO; SILVEIRA, 2014, p.5595) 

Considerando  o  livro  didático  componente  essencial  do  processo  de  ensino  e 

aprendizagem  da  Biologia,  sua  estrutura  requer  uma  linguagem  escrita  e  visual  adequada  a 

todos  os  públicos,  e  que  seja  capaz  de  auxiliar  o  professor  no  desenvolvimento  das  aulas, 

possibilitando também mais dinamismo e interatividade entre o livro e seu usuário. 



 

A distribuição e fomento dos livros didáticos no Brasil tiveram, ao longo dos tempos, 



diversas modificações e funções, que durante décadas procuravam atender as necessidades de 

tais períodos, e os programas de incentivo ao livro didático, assim como as leis e períodos em 

que  foram  sancionadas  nos  dão  uma  ideia  da  importância  destes  mecanismos  de  ensino  e 

aprendizagem no contexto nacional da educação. 

A  distribuição,  coordenação  e  financiamento  dos  livros  didáticos  no  Brasil  tem  por 

base administrativa o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), desenvolvido para atuar 

na  execução  do  programa  de  distribuição  de  livros  didáticos,  o  PNLD  tem  como  objetivo 

principal seu desenvolvimento e aquisição para escolas púbicas do Brasil. 



DELINEAMENTO METODOLÓGICO 

Inicialmente  foram  estabelecidos  critérios  para  proceder  a  análise  de  LAM,  dessa 

forma, de avaliação de suas características didáticas. 

Para  a  determinação  dos  critérios  de  análise  da  obra,  optou-se  pelo  emprego  dos 

parâmetros  estabelecidos  pelo  Programa  Nacional  do  Livro  Didático  por  meio  do  Guia 

Nacional do Livro Didático de Biologia (2005) disponibilizado no site do Fundo Nacional de 

Desenvolvimento da Educação. 

A análise dos livros de Biologia: Biologia dos Organismos, volume 2 na 2ª edição se 

dará  nos  seguintes  aspectos  conforme  foi  proposto  Silva  (2014)  guardando  as  devidas 

adaptações necessárias para este trabalho, como se observa no quadro 1. 



Quadro 1-Aspectos teóricos-metodológicos 

ASPECTOS OBSERVADOS 

Clareza conceitual 

Adequação ao nível de maturidade do aluno 

Contextualização 

Organização sequencial 

Atualidade científica 

Leituras complementares 

RECURSOS VISUAIS 

Relação texto-imagem 



Fonte:  Adaptação  de  SILVA,  Aline  da  Costa.  Análise  do  Conteúdo  de  Fungos  nos  Livros  Didáticos  de 

Biologia  do  Ensino  Médio  Indicados  pelo  Programa  Nacional  do  Livro  Didático  2012.  2014.  80  f. 

Trabalho  de  Conclusão  de  Curso  (Licenciatura  em  Ciências  Biológicas)  –  Instituto  Federal  de  Educação, 

Ciência e Tecnologia de São Paulo, São Paulo, 2014. p. 54 

 

 


 

Para  classificação  dos  aspectos  teórico-metodológicos,  utilizamos  os  termos, 



abreviações e cores apresentados no quadro 2. 

Quadro 2 - Classificação analítica dos termos observados nas obras 

TOTALMENTE SATISFATÓRIO 

TS 

SATISFATÓRIO EM PARTE 



SP 

INSATISFATÓRIO EM PARTE 

IP 

TOTALMENTE INSATISFATÓRIO 



TI 

Fonte: Adaptação de SILVA, op. cit., p. 54. 

 

Tendo-se delimitado os parâmetros para análise dos livros didáticos, foi selecionado o 



capítulo  sobre  vírus,  a  fim  de  observar  as  especificidades  da  abordagem  desse  conteúdo  na 

obra analisada. A partir de então deu-se início à um exame rigoroso dos textos, ilustrações e 

do  teor  das  informações  discutidas,  de  modo  que  pudesse  ser  levantadas  o  perfil  ao  qual  os 

autores procuraram apresentar. 



RESULTADOS E DISCUSSÕES 

Para  facilitar  a  identificação  da  obra  analisada  nesta  pesquisa,  deve-se  considerar  a 

edição  de  2004  de  José  Mariano  Amabis  e  Gilberto  Rodrigues  Martho,  Biologia  dos 

Organismo,  volume  2,  como  LAM.  Com  base  nos  critérios  usados  para  essa  pesquisa 

apresentaremos os seguintes resultados conforme o Quadro 3. 

Quadro 3-Resultados da análise de acordo com os critérios de verificação 

CRITÉRIOS DE ANÁLISE 

LIVRO ANALISADO 

LAM 

ASPECTOS FÍSICOS DA OBRA ANALISADA 

Organização Geral do Livro Didático 

TS 

Sumário 


TS 

ANÁLISE DO LIVRO DE ACORDO COM OS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS 

(PCN’S) 

Conteúdos Conceituais 

TS 

Conteúdos Procedimentais 



SP 

Conteúdos Atitudinais 

SP 

ANÁLISE DO CONTEÚDO SEGUNDO OS ASPECTOS TEÓRICO- METODOLÓGICOS 

Clareza Conceitual 

TS 

Adequação da Linguagem ao Nível de Maturidade do Aluno 



TS 

Relações Interdisciplinares 

TS 

Leituras Complementares 



TS 

RECURSOS VISUAIS 

Relações Texto-imagens 

SP

 

Fonte: Adaptação de SILVA, op. cit., p. 54. 



 

 


 

Organização  geral  do  livro  didático  de  José  Mariano  Amabis  e  Gilberto  Rodrigues 



Martho 

Seguindo  a  análise  da  obra  de  acordo  com  as  diretrizes  do  Guia  Nacional  do  livro 

didático  de  Biologia  2005,  foi  observado  foi  uma  seção  presente  em  LAM  destinada  à 

apresentação da estrutura e organização geral da obra, composta por representações reduzidas 

das  páginas  e  diagramas  explicativos  exemplificando  os  padrões  gráficos  e  textuais 

empregados no corpo da obra. 

No  LAM,  esta  seção  de  apresentação  foi  intitulada  como  “Organização  didática  dos 

capítulos”. Nela os autores fazem uma apresentação geral do padrão visual e didático da obra, 

explicando a estrutura das páginas. 

Quanto  ao  aspecto  que  trata  da  Organização  geral  do  livro  didático  de  José  Mariano 

Amabis  e  Gilberto  Rodrigues  Martho,  LAM  foi  classificada  como  TOTALMENTE 

SATISFATÓRIA,  visto  que  os  esquemas  são  de  fácil  compreensão,  apresentam  a  obra  de 

forma  objetiva  e  preparam  o  usuário  para  o  perfil  dos  textos  e  métodos  de  abordagem  dos 

conteúdos. 

Sumário da obra analisada 

Ao  se  analisar  a  estrutura  do  sumário  da  obra  de  início  percebe-se  que  a  mesma 

encontra-se dividida em partes, as quais são subdivididas em capítulos. Por meio do sumário 

também é possível notar que LAM apresenta os conteúdos que se encontram na obra de forma 

mais  minuciosa,  facilitando  a  consulta  dos  conteúdos  a  serem  pesquisados.  No  quadro  04 

foram listadas os principais assuntos abordados.



 

Quadro 4-Assuntos abordados na 2ª edição de LAM, pertencente ao PNLD 2009/2011 v. 2 

UNIDADES 

ASSUNTOS ABORDADOS 

A 



“A  diversidade  biológica”,  há  um  capítulo  que  trata  de  sistemática,  classificação  e 

biodiversidade.

 

B 



“Vírus, moneras, protoctistas e fungos”, reúne quatro capítulos sobre esses grupos de seres 

vivos.


 

C 



“Diversidade, anatomia e fisiologia das plantas”, contém três capítulos que tratam dos temas 

apresentados em seu título.

 

D 



“A diversidade dos animais”, traz sete capítulos sobre os grupos animais.

 

E 



“Anatomia  e  fisiologia  da  espécie  humana”,  esses  assuntos  são  trabalhados  em  cinco 

capítulos.

 

Fonte: 

AMABIS, José Mariano; MARTHO, Gilberto Rodrigues. Biologia: Biologia dos organismos. v. 2. 2. ed. 

São Paulo: Moderna, 2004, páginas iniciais [s. n.] 

Com  base  nesses  pressupostos  considera-se  que  LAM  foi  considerada 



TOTALMENTE  SATISFATÓRIA,  pois  conta  com  um  estilo  de  sumário  de  fácil 

 

compreensão o que torna mais eficiente a consulta dos conteúdos dos capítulos, uma vez que 



estes  estão  bem  explicitados  em  tópicos  e  subtópicos,  atendendo  plenamente  os  critérios  do 

Guia Nacional do Livro Didático de Biologia. 



Análise dos aspectos teórico-metodológicos do livro segundo os Parâmetros Curriculares 

Nacionais 

Zabala propõe uma tipologia de conteúdo que inclui “conteúdos factuais, conceituais, 

procedimentais e atitudinais”. Estes por sua vez são relacionados com os chamados pilares da 

educação:  aprender  a  conhecer,  aprender  a  fazer  e  aprender  a  viver  juntos  e  aprender  a  ser, 

estabelecidos  em 1999 pela  Organização  das  Nações Unidas  para a  Educação, a  Ciência e  a 

Cultura  (UNESCO)  e  mencionados  nos  Parâmetros  Curriculares  Nacionais  como  sendo  os 

quatro saberes que norteiam a educação nas sociedades contemporâneas. 

Além  de  todos  os  critérios  adotados  pelo  Guia  Nacional  do  Livro  Didático  de 

Biologia, o professor pode e deve buscar o respaldo dos Parâmetros Curriculares Nacionais, 

os  quais  oferecem  reflexões  importantes  sobre  as  peculiaridades  dos  processos  de  ensino  e 

suas ferramentas, entre elas o livro didático. 

Conforme  Ramos  (2013),  os  conteúdos  conceituais  relacionam-se  com  conceitos 

propriamente  ditos  e  referem-se  ao  conjunto  de  fatos,  objetos  ou  símbolos  que  possuem 

características  comuns.  Devido  às  características  desse  tipo  de  conteúdo,  a  aprendizagem 

requer a repetição do conhecimento e envolve a capacidade de memorização do aluno. 

Nesse sentido, a obra LAM contribui de maneira TOTALMENTE SATISFATÓRIA 

no  que  se  refere  ao  pilar  aprender  a  conhecer,  apresentando  os  conteúdos  fundamentais  do 

estudo de vírus de modo objetivo, esclarecedor e contextualizado, fornecendo subsídios para 

que  o  aluno  compreenda  os  conceitos  e  incorpore  os  termos  usados  nos  textos  ao  seu 

vocabulário. 

Tendo por  base  essa  perspectiva,  ao observar  LAM quanto ao  aspecto procedimental 

percebe-se  que  a  obra  de  fato  possibilita  ao  professor  uma  prática  didática  que  estimula  a 

aprendizagem pela leitura, por meio  de  exemplos  que  podem ser  contextualizados e  levados 

para  o  cotidiano  do  aluno,  contando  ainda  com  o  emprego  de  imagens,  gráficos  e  tabelas 

explicativas  que  favorecem  a  interpretação  e  assimilação  do  que  se  é  explicado  em  sala  de 

aula, conforme se pode observar nas análises sobre imagens, tabelas e gráficos. 

Entretanto,  verifica-se  uma  lacuna  quanto  à  possibilidade  de  se  propor  nos  livros 

metodologias  envolvendo  atividades  práticas,  capazes  de  contribuir  com  a  compreensão  de 

conteúdos mais complexos como “vírus”. 


 

Por  isso,  com  ênfase  nos  conteúdos  procedimentais  LAM  foi  qualificado  como 



SATISFATÓRIO  EM  PARTE,  pois,  ao  tempo  em  que  favorece  a  aprendizagem  dos 

conceitos  através  de  uma  abordagem  teórico-metodológica  rica  em  recursos  visuais  e 

autoexplicativos,  poderia  oferecer  propostas  de  atividades  práticas  a  serem  executadas  pelos 

alunos  como  forma  de  trabalhar  o  pilar  “aprender  a  fazer”  sugerido  pelos  Parâmetros 

Curriculares Nacionais. 

Em  se  tratando  dos  conteúdos  atitudinais,  Ramos  (2013,  p.  3)  afirma  que  seriam 

“aqueles conteúdos que envolvem valores, atitudes e normas”. Conforme a autora, incluem-se 

nesses  conteúdos,  por  exemplo,  a  cooperação,  a  solidariedade,  o  trabalho  em  grupo,  o 

respeito, a ética e o trabalho com a diversidade. 

Com  relação  a  esse  aspecto,  pode-se  dizer  que  a  obra  corresponde  com  o  quesito 

“aprender  a  viver  junto  e  aprender  a  ser”,  isto  porque  em  alguns  momentos  da  leitura  são 

mencionados  temas  por  meio  dos  quais  seria  possível  levantar  discussões  importantes  de 

natureza social e trazer à tona questionamentos que levem a uma reflexão mais aprofundada. 

Clareza Conceitual 

Quanto  à  clareza  conceitual  o  livro  LAM  apresenta  aspectos  TOTALMENTE 



SATISFATÓRIOS  no  que  tange  aos  conteúdos  explorados  e  textos  explicativos  dentro  da 

temática vírus, o que é perceptível através da leitura, que na obra pode ser classificada como 

clara  e  acessível  à  compreensão  do  aluno  de  ensino  médio,  graças  ao  emprego  de  uma 

linguagem objetiva, termos científicos bem explanados e ilustrados com fotos, micrografias e 

esquemas  explicativos,  possibilitando  uma  compreensão  intuitiva  e  na  maioria  das  vezes 

imediata. 



Adequação da Linguagem ao nível de maturidade do aluno 

Nascimento  e  Martins  acreditam  que  o  texto  do  livro  didático  de  Ciências  é  híbrido, 

uma  vez  que  ele  é  constituído  por diferentes  discursos. (NASCIMENTO;  MARTINS,  2003, 

p.3). Devido a gama de temáticas abordadas no universo da Biologia, seu estudo pode exigir a 

familiaridade  com  uma  linguagem  por  vezes  complexa,  que  requer  do  estudante  a 

interpretação de termos científicos, análises matemáticas de informações, etc. 

Com base nesses pressupostos foi realizada a análise de LAM sob o ponto de vista de 

adequação da linguagem neles empregada em relação ao nível de maturidade do aluno ao qual 

os livros destinam-se. 


 

Constatou-se  quanto  a  esse  aspecto  que  a  obra  pode  ser  classificada  como 



TOTALMENTE  SATISFATÓRIA  em  sua  abordagem  do  assunto  “vírus”.  Os  autores 

optaram  pelo  emprego  de  uma  linguagem  clara  e  objetiva,  compatível  com  a  capacidade 

interpretativa que se espera de um aluno de ensino médio. Mesmo nas abordagens de cunho 

mais formal, como quando se  tratava  de nomes  de  estruturas,  processos biológicos e  termos 

científicos,  não  houveram  descuidos  dos  autores  quanto  ao  esclarecimento  de  seus 

significados que pudessem de alguma forma ocasionar lacunas na leitura. 



Relações Interdisciplinares 

A interdisciplinaridade nos livros didáticos possui caráter agregador de conhecimentos 

quando trabalhada de forma a facilitar a compreensão da temática e suas relações com outras 

áreas  do  conhecimento,  situações  da  vida  cotidiana  e  conceitos  aprendidos  em  outras 

disciplinas. 

Para Garcia, 

A  interdisciplinaridade,  entretanto,  apresenta  possibilidades  mais  amplas.  Ela  pode 

assumir  um  papel  de  articular  processos  mais  amplos  de  elaboração  de 

conhecimento  no  currículo,  ao  invés  de  somente  ser  interpretada  como  conexão 

entre  os  conteúdos  específicos  ali  disponíveis.  Mas  isso  iria  solicitar  uma  visão 

teórica  mais  abrangente,  não  somente  de  interdisciplinaridade,  mas  também  de 

currículo e do modo como as disciplinas são construídas. (GARCIA, 2008, p.370.) 

 

No  LAM  os  processos  de  interdisciplinaridade  ocorrem  com  mais  frequência.  Tais 



fatos podem ser observados quando os autores demonstram os processos químicos de mutação 

de três tipos de vírus, apontando os processos das sínteses de cadeias de RNA +, RNA – e a 

síntese  de  DNA  a  partir  do  RNA  viral,  neste  caso,  com  auxílio  de  uma  proteína 

Transcriptase  Reversa”  para  tal  fim,  fazendo,  portanto,  conexões  entre  as  disciplinas  de 

Química e Biologia. (LAM, p.31) 

Outra abordagem está no uso de cartazes de propagandas de campanhas de vacinação 

contra gripe e tétano e conscientização quanto à adoção de medidas preventivas contra dengue 

e  AIDS, desenvolvidas  pelo  governo federal, fazendo  conexão  com outras  áreas  voltadas  ao 

campo da saúde. 

Diante  destes  aspectos,  quanto  ao  capítulo  de  vírus,  podemos  classificar  este  livro 

como TOTALMENTE SATISFATÓRIO, uma vez que, contempla à interdisciplinaridade. 

Como foram observados por meio das indagações, a interdisciplinaridade apresenta-se 

como  fator  importante  para  o  enriquecimento  das  informações  abordadas  na  temática  vírus. 


 

De  outra  forma  seria  mais  dificultosa  a  compreensão  e  o  estudos  deste  tema,  assim  como 



outros dentro do ensino da Biologia. 

Leituras Complementares 

Uma  das  funções  principais  das  leituras  complementares  é  reforçar  e  mostrar  novas 

informações que venham a contribuir para o aprendizado do aluno sobre o tema estudado. De 

acordo  com  Coutinho,  Temp  e  Santos  (2013,  p.  10)  “as  leituras  complementares  devem 

transpor  o  texto  tradicional  de  livro  didático,  apresentando  aos  leitores  outra  abordagem  do 

tema, mais atual e mais ampla”.  

Com 

relação 


ao 

LAM, 


podemos 

classificá-lo 

como 

TOTALMENTE 

SATISFATÓRIO,  por  apresentar  textos  complementares  ao  fim  do  capítulo,  bem  como  a 

presença de alguns informes, como, por exemplo, através do emprego de imagens de cartazes 

de programas de prevenção de doenças. 

Recursos Visuais / Relações texto-imagens 

O  uso  de  recursos  visuais  no  ensino  de  Biologia  é  um  meio  essencial  para  a 

compreensão  dos  assuntos  em  geral.  E,  nas  abordagens  voltadas  para  os  estudos  dos  vírus 

estes recursos apresentam-se como um fator importante no aprendizado dos alunos. Todavia, 

o não uso de forma adequada, poderá provocar efeitos contrários aos esperados. 

Segundo Heck e Hermel, as representações visuais, 

[...] têm sido cada vez mais utilizadas em uma tentativa de estimular o interesse dos 

alunos por esses temas e facilitar os processos de ensino e aprendizagem, seja como 

ilustração,  tornando  a  leitura  mais  agradável,  intercalando-se  ao  texto  verbal,  seja 

como  forma  de  explicação,  complementando  esse  texto.  (HECK;  HERMEL,  2013, 

p.23) 

Os recursos visuais possuem funções importantes para compreensão dos assuntos em 



diversas  áreas  de  ensino  e  de  forma  especial  na  Biologia.  Partindo  destes  princípios 

apresentaremos alguns recursos, e como eles estão sendo utilizados nas obras analisadas, para 

posteriormente classificá-los de acordo com os critérios adotados nesta análise. 

As relações texto-imagens nos livros Biologia devem apresentar-se de forma coerente. 

E  de  acordo  com  determinadas  abordagens  teóricas  ou  práticas,  estas  relações  terão  papel 

importante para a compreensão dos assuntos. Para tanto, as imagens e textos devem unir-se de 

forma que um complete o outro em suas possíveis dificuldades de demonstrar o que se propõe 

em  determinado  tema.  Outro  aspecto  a  ser  observado  nesta  pesquisa  diz  respeito  à  relação 



 

entre os textos e o leitor, que envolve as representações por meio de textos e imagens reunidos 



para um determinado fim de informações. Porém, “em todos os diferentes usos e funções da 

ilustração  nos  livros  didáticos,  percebe-se  que  o  eixo  ilustração  –  texto  –  leitor  não  se 

constitui de forma simples, nem caminha na mesma direção”. (BELMIRO, 2000, p.23) 

Deste  modo  e  diante  do  que  se  pode  entender  como  relações  texto-imagens,  não  há 

uma relação direta entre ambas, causando prejuízo na informação, uma vez que não se fez o 

uso  adequado  deste  recurso.  Sendo  assim,  pode-se  classificar  esta  obra  como 



SATISFATÓRIA  EM  PARTE,  porque  mesmo  com  esta  falha,  o  restante  da  temática  foi 

muito  bem  representada,  como  se  pode  ver,  por  exemplo,  no  esquema  de  representação  das 

etapas de multiplicação dos vírus da gripe que neste caso, representou fielmente o que tinha 

descrito em texto. 



CONCLUSÃO 

Os  desafios  no  cotidiano  escolar  são  bem  conhecidos  pelos  professores.  No  entanto, 

para que suas atividades de ensino em sala de aula sejam desenvolvidas com mais qualidade, 

os  mesmos  precisam  de  materiais  de  apoio  “Livros  Didáticos”  que  possam  auxiliá-los  neste 

processo. 

Durante  a  pesquisa  pôde-se  observar  através  dos  critérios  de  análise  diferentes 

aspectos  do  livro,  os  quais  foram  classificados  como:  TOTALMENTE  SATISFATÓRIO; 

SATISFATÓRIO  EM  PARTE;  INSATISFATÓRIO  EM  PARTE;  TOTALMENTE 

INSATISFATÓRIO, conforme mencionado nos delineamentos metodológicos.  

Os  resultados  percentuais  de  LAM  quanto  a  esses  aspectos  se  qualificam 

positivamente  em  muitos  pontos.  Nos  critérios  TOTALMENTE  SATISFATÓRIO  e 

SATISFATÓRIO  EM  PARTE  registrou-se  os  valores  62,5%,  e  31,25%  respectivamente. 

Como  INSATISFATÓRIO  EM  PARTE  e  TOTALMENTE  INSATISFATÓRIO,  as 

porcentagens  levantadas  foram  pequenas,  assinalando  6,25%  para  o  primeiro  e  zero  para  o 

último, o que também demonstra a melhora significativa nas características gerais do referido 

livro. 

A escolha pelo tema “Vírus” para desvendar possíveis modificações no LAM se deu 



pela  constante  demanda  por  atualizações  e  pesquisas  na  área  da  virologia  e,  portanto,  estas 

obras devem acompanhar esses processos de atualizações, sem no entanto, perderem o nível 

de qualidade das informações. 

Entretanto a presente discussão não se esgota por meio destas conclusões, visto que a 

evolução do livro didático é um processo contínuo e que merece uma reflexão permanente por 


10 

 

parte  dos  professores,  escolas,  autores  de  livros  didáticos  e  o  próprio  FNDE,  órgão  de 



fomento e distribuição de livros didáticos no país. 

FONTE 

AMABIS, José Mariano; MARTHO, Gilberto Rodrigues. Biologia: biologia dos organismos. 

v. 2. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2004. 

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COUTINHO, Cadidja; TEMP, Daiana Sonego; BARTHOLOMEI-SANTOS, Marlise 



Ladvocat. Relação entre diversidade animal e evolução nos livros didáticos de Ciências e 

Biologia. In: EREBIO, 2013, Santo Ângelo. EREBIO, 2013. 

 

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UMA ANÁLISE DOS LIVROS DIDÁTICOS DE CIÊNCIAS DO ENSINO 

FUNDAMENTAL. XVI Semana acadêmica de Ciências Biológicas. VI Encontro Regional 

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http://www.psicopedagogia.com.br/index.php/1339-os-conteudos-de-aprendizagem-e-o-

planejamento-escolar>. Acesso em: 16 jun. 2017.  

 

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11 

 

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