Análise ao poema «Soneto de Inês»



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Encontro21.08.2018
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Análise ao poema «Soneto de Inês»

Este soneto, como se vê a partir do seu último verso, a chave do poema, a sua temática é o grande valor que o sujeito poético dá a esta figura feminina, inserido já no seu título: “Soneto de Inês”. É um poema que transmite ao leitor uma forma de estar e de sentir desta figura tão bela, mas tão sofredora pela ausência do seu amado!

Na primeira quadra, o sujeito poético “metaforiza” as lágrimas dos seus olhos com as águas do Mondego e os seus cabelos longos como choupais, que como se sabe são árvores esguias cujos ramos quase que «atingem» o firmamento, que segundo a minha interpretação, funciona como referência implícita do fim trágico de Inês. Mas, já no terceiro verso, o sujeito de enunciação chama Inês! Inês! a partir do simultaneamente do recurso estilístico, a apóstrofe e da frase imperativa, reforçando este nome, força do Amor, sentimento este, explícito nos dois últimos versos desta quadra. Continuando-se a sua análise, o leitor sente a definição deste nobre sentimento que por ser tão grande, torna-se «cego” que a conduz tão «cedo» à sua morte, porque o viveu tão intensamente, isto é, «por viver demais»

Nos dois tercetos, sente-se a natureza calma, quase que personificada, pois nela existe um movimento tranquilo, belo que se mistura na sua figura. Pois a esta beleza, o sujeito poético soube dar-lhe movimento e textura que nos encaminha para um espaço belo, elegante, ligado a uma beleza na qual Inês não consiga ultrapassar esta dor que mais uma vez a partir do Vocativo, estilisticamente, a sua apóstrofe nos dá a Inês de Portugal, implicitamente ligada à tragédia desse grande Amor.

Formalmente, este soneto, na sua estrutura externa, é constituído por duas quadras e dois tercetos. Nas quadras existe uma rima cruzada, cujo esquema rimático é abab e nos tercetos uma rima emparelhada e interpolada com esquema rimático ccd/ccd. Relativamente à sua métrica estamos na presença de versos decassilábicos, isto é, compostos cada um deles por dez sílabas métricas.

Estilisticamente, o sujeito de enunciação quase que arrasta a descrição de Inês dum modo pausado, reflexivo, que nos é mostrado pela conclusão de toda a sua descrição que nos é retratada, no último terceto. No entanto, o 2º verso do último verso, transmite-nos a partir deste chamamento «e tu» acompanhado pelo gerúndio “morrendo”, isto é, que apesar de Inês estar rodeada por aquela natureza tão bela, vai morrendo de tristeza, «com os olhos baços». É desta forma que a partir do Vocativo/Apóstrofe, «Inês de Portugal», expresso num tom mais alto e cadente, ligado à sua morte, que o sujeito poético nos dá o grande valor de «Inês, posteriormente, Inês de Portugal».



PS. Atenção!!! Esta é a minha interpretação, vocês terão a vossa, mas tem de ter este encadeamento para que o texto tenha sentido. Como se sabe, parte-se sempre do geral para o particular. Tema, Assunto, a forma como o assunto se desenvolve e finalmente a sua estrutura formal inserida nas estrofes, nas rimas, na métrica, não esquecendo os seus recursos estilísticos que podem ser falados e interpretados à medida que vamos desenvolvendo o assunto.


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