Anima e Animus Um olhar sobre seus reflexos na Psique e Relacionamentos



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Anima e Animus

Um olhar sobre seus reflexos na Psique e Relacionamentos

Luanda Fernandes Pereira

Luanda-ferper@uol.com.br

RESUMO:


Este artigo tem por objetivo expor o conceito arquetípico da Anima e Animus no universo de Carl Gustav Jung. Tais componentes arquetípicos fazem parte do universo do inconsciente que Jung determinou como Inconsciente Coletivo, onde encontram-se conteúdos psíquicos universais e comuns a todo ser humano independente de raça, sexo, história de vida, país etc. Entretanto é também neste universo inconsciente que estão contidos a base da história do ancestral familiar de cada pessoa. Desta forma será possível ampliar conhecimentos sobre tal aspecto arquetípico teórico no que se refere às manifestações e atuações de tal arquétipo na psique do homem e da mulher. Será possível notar que estes têm embutidos no seu inconsciente reflexos do sexo oposto ao seu ego. Além disso, serão destacados os reflexos das manifestações do Animus/Anima dentro da vivencia de relacionamento amoroso entre homem e mulher. Por essa razão serão levantados pontos importantes que surgem como divergências ou aproximações no decorrer da história de um relacionamento. Assim será possível compreender melhor a dinâmica da energia motivadora do relacionamento afetivo.

PALAVRAS CHAVE: ARQUÉTIPO, ANIMA, ANIMUS, RELACIONAMENTO

INTRODUÇÃO

A teoria de Carl Gustav Jung apresenta um conceito de estrutura da Psique nomeado de Arquétipos. Estes são entendidos como toda tendência ou impulso natural da realidade humana que a Psique direciona no inconsciente de cada pessoa. Por esta razão a dimensão inconsciente em que o arquétipo encontra-se é chamada de Inconsciente Coletivo, ou seja, a parte do inconsciente com conteúdos natos formados pela história da humanidade e que é comum ou igual na psique de todo ser humano.

Como Arquétipos, os mais conhecidos são da Grade Mãe, do Herói, da Criança divina, do Velho Sábio entre outros. Mas neste trabalho será focado um dos principais arquétipo que é influenciador das atitudes das pessoas em sua intimidade e no convívio diário, são eles os Arquétipos da Anima e Animus.

A palavra anima na sua nomenclatura original tem sentido de alma como algo invisível mas influenciador de atitudes e essencial da natureza humana. Na teoria junguiana Anima passou a ter a sua equivalência com expressão masculina também: o Animus. Este foi o meio que Jung encontrou para diferenciar a energia psíquica que a base é a mesma, entretanto pode ser encontrada direcionada para forças diferentes, ou seja, masculina e feminina. Desta forma, ANIMA é a energia feminina encontrada no inconsciente de todo homem, enquanto ANIMUS é a energia masculina influenciadora do inconsciente de toda mulher.

Atualmente, as energias psíquicas, Anima e Animus, passam a ter um interesse fundamental pelo fato de mudanças de papéis sociais da mulher e do homem. A esta mudança é somada as posturas e atitudes de ambos os sexos no que diz respeito a relacionamento afetivo entre eles. Sendo que neste campo o que os influenciam não faz parte apenas do universo da modernidade e sim também do universo de um inconsciente que trás exemplos e modelos de atitudes construídos desde o primitivo mundo humano.

Este artigo colaborará para ampliar conhecimentos sobre os Arquétipos da Anima e do Animus na esfera do universo masculino e feminino, respectivamente. Assim será possível notar seus reflexos nas atitudes de ambos os sexos e como tais arquétipos influenciam as pessoas em seus relacionamentos afetivos. Entretanto não será abordado os efeitos Psicopatológicos desses arquétipos.

DESENVOLVIMENTO

Falar de relacionamento afetivo é, geralmente, provocar interesse, oposições e reflexões. Essas reações são tão esperadas e aceitáveis pelo fato de atingir um universo interno e real existente no interior da mulher, do homem e de um ponto máximo mas também frágil: o relacionamento afetivo entre eles diante do vínculo e atração afetiva.

A Anima e o Animus é relembrado pelo símbolo do número 4. Isso deve-se às 4 básicas expressões de cada um deles. O Animus é representado por Força-vontade/força dirigida, Ato-ação/palavra, sentido-sensual e logos-conhecimento/espiritualidade. Já a Anima é exemplificado na figura da Eva- relacionamento instintivo e biológico, Helena- romântico e estético com base sexual, Virgem Maria- amor espiritual e Sofia- sabedoria Essas impressões básicas destes arquétipos irão influenciar a atitude das pessoas que os possui e estarão expressos nas variedades que envolvem tais características tanto no sentido direto quanto indireto ou tanto na visão positiva quanto negativa.

É importante notar que há um diferencial marcante nas expressões da Anima e do Animus. Aquela expressa-se por condições personificadas enquanto o Animus é exemplificado por atributos. Esta diferença ocorre pelo fato da natureza masculina desenvolver-se sobre as relações com figuras femininas na sua vida. O desenvolvimento feminino ocorre por meio de intervenções. Por esta razão que afirma-se que Anima/ Animus mesmo sendo arquétipos, expressões típicas, aqueles também são formados por experiências pessoais, principalmente com a mãe no caso do homem ou o pai no caso da mulher.

Um outro ponto marcante na referida distinção é uma diferença básica da Anima e do Animus, a questão do tempo. Anima está direcionada a relação com o passado histórico, ancestral, cultural. Animus está voltado para o futuro e suas questões tecnológicas, planejadora e visão geral do presente. Esta distinção trás reflexos intensos no relacionamento. Porém, diante disto Hilman afirma que “ Anima e Animus precisam um do outro; pois o Animus pode tornar o passado relevante para o presente e o futuro, enquanto anima dá profundidade cultura às previsões e opiniões vigentes.”(HILLMAN, 1985 – P. 35)

Anima e Animus também podem ser entendidos por alguns símbolos. Um deles é a imagem do YIN E YANG. Neste contém um circulo, símbolo da totalidade, onde dois universos distintos encontram-se unidos, um escuro e outro claro. Porem também encontram-se mesclados no sentido de haver em cada um deste universos um pequeno circulo da cor do universo oposto. Esta é uma forma muito precisa de como seria a extensão e dinâmica da Anima/Animus no psiquismo do homem e da mulher, respectivamente. Com esta visão de Yin e Yang entende-se o masculino sendo a parte clara e o feminino sendo a parte escura.

Este ponto também embasa a simbologia de Anima/Animus representando na figura do sol e da lua. Sendo o masculino representado pelo sol e o feminino representado pela lua. É este embasamento que remete a condição da cor dourada representar o masculino e a cor prateada representar o feminino. Ainda há a representação do masculino na forma do quadrado ou retas e o feminino na forma do redondo ou arredondadas ou circulares. Estes símbolos refletem a base da sua natureza sobre a dinâmica, estrutura e característica da Anima e Animus.

Falar de Anima é falar de um conteúdo psíquico que acompanha o homem de maneira oposta a sua natureza masculina. Isto quer dizer, uma energia de fundamento psíquico que compõe o homem em um pequeno, mas essencial, espaço do seu inconsciente. Neste local inconsciente estão preservados conteúdos, atitudes, formas de pensar... modelos do que reflete o feminino que foi sendo composto por toda história da humanidade. Além disto, também neste ambiente estarão resguardados todas as experiências pessoais com as mulheres em sua vida, inclusive a figura da mãe.

A anima em um homem “tentará” influenciá-lo com atitudes mais semelhantes ao universo feminino, tais como vaidade, fraternidade, afetuosidade, intuição, etc... Quando o homem passa a dar vazão a tal influencia de maneira comedida, ele passará a ser um homem muito enriquecido nas relações com as pessoas visto que a Anima dá ênfase às relações pessoais. Desta forma, diferente do poder tão forte da tendência masculina de ser tão racional ou objetivo nas suas relações com as pessoas, o homem poderá vir a ser um ser mais cuidadoso, generoso, paciente, gentil, atencioso, zeloso com sua aparência e higienização, atento a sua saúde, harmonioso com seu corpo, intuitivo... a utilizar-se de atitudes mais comuns ao gênero feminino de forma a manter-se ainda influenciado pela sua natureza masculina de forma predominante, ou seja, no seu ego.

Estas duas energias irão vigorar no homem, uma menos(a Anima) e outra mais(a natureza masculina) comunicando-se e em harmonia. Será a possibilidade de convivência entre ambos que fará o homem manter-se homem enquanto atitude do seu ego, mas de forma a ter-se ampliado em sua maneira de ser pela orientação da anima que há nele. Jung propõe a harmonia desta relação quando afirma que “ Essa função positiva ocorre quando o homem leva a sério os sentimentos, os humores, as expectativas e as fantasias transmitidas por sua anima e quando ele os concretiza de alguma forma, por exemplo, na literatura, pintura, escultura, música ou dança.”(JUNG, 1875-1961 – P. 247)

Entretanto como a Anima é apenas uma parte da estrutura inconsciente do Psiquismo masculino, ela não pode predominar na vida consciente do homem. Afinal o ego do homem é predominantemente masculino. Caso o homem deixe a sua anima ter influência forte e descontrolada em suas atitudes, ele passará a apresentar atitudes de sensibilidade extrema, caprichos, dramaticidade, fofocas, excesso de vaidades, reclamações, conversas em demasias, reclamações, fragilidade de atitude, vulnerabilidade social, entre outras.

No entanto, tais atitudes são contrárias a sua postura essencialmente masculina, o que poderá acarretar desorganizações em sua Psique e em seus relacionamento com as suas parceiras. Neste caso a anima enciumada poderá influenciar o homem fazendo-o acreditar que suas amantes não são viáveis para relacionamento. Desta forma o homem não conseguirá formar vínculos afetivos com nenhuma de suas parcerias, pois sempre achará que não são apropriadas o suficiente para ele estar com estas. “Assim sendo, surge para o homem a seguinte dificuldade: os relacionamentos humanos, que exigem uma atitude ética e moral e que, para seu sucesso contínuo requerem qualidade de integridade e de bom desempenho, se vêem altamente perturbado por uma anima que não se interessa por estas coisas, contanto que consiga excitar mais vida.” (SANFORD, 2002 – P.114)

Pensar em termo de Animus é pensar na energia masculina que existe no inconsciente da mulher. Ou seja, aquele influencia o inconsciente da mulher direcionando-o para levar à postura da mulher tendências do universo masculino tais como: objetividade, controle afetivo, racionalidade, sociabilidade, força emocional, criatividade, espiritualidade, coragem, entre outros. A mulher que permite-se ser animada de um modo equilibrado pelo seu Animus será favorecida principalmente na sua atmosfera de trabalho visto que tenderá a desenvolver o seu lado racional para estudos e conhecimentos, será motivada para vida social e de “networks”, se empenhará a buscar e bem desempenhar cargos cada vez maiores.

Entretanto se a mulher deixar ser dominada por estas atitudes, estas que favorecem sua evolução profissional poderá prejudicar suas relações afetivas. Isto poderá refletir nas suas condutas de mulher no sentido de torná-la mais fria e indiferente a exposição de seus sentimentos e emoções, podendo inclusive tornar-se uma mulher arrogante e extremamente agressiva. Além disso, poderá a mulher colocar a sua racionalidade acima de tudo em sua vida e atitude, ou seja, as suas relações predominantes serão mais os objetos do que as pessoas. Esta postura é ressaltada na figura mitológica de Atena. De forma mais popular esse predomínio do Animus se torna claro na música “Dona” da década de 1980 do grupo ROUPA NOVA:

“Dona desses traiçoeiros/ Sonhos sempre verdadeiros/ Oh! Dona desses animais/ Dona dos seus ideais/ Pelas ruas onde andas/ Onde mandas todos nós/ Somos sempre mensageiros/ Esperando tua voz/ Teus desejos, uma ordem/ Nada é nunca, nunca é não/
Porque tens essa certeza/ Dentro do teu coração/ Tan, tan, tan, batem na porta/ Não precisa ver quem é/ Pra sentir a impaciência/ Do teu pulso de mulher/ Um olhar me atira à cama/ Um beijo me faz amar/ Não levanto, não me escondo/ Porque sei que és minha
Dona!!!/ Dona desses traiçoeiros/ Sonhos sempre verdadeiros/ Oh! Dona desses animais/ Dona dos seus ideais/ Não há pedra em teu caminho/ Não há ondas no teu mar/
Não há vento ou tempestade/ Que te impeçam de voar/ Entre a cobra e o passarinho/ Entre a pomba e o gavião/ Ou teu ódio ou teu carinho/ Nos carregam pela mão/ É a moça da Cantiga/ A mulher da Criação/ Umas vezes nossa amiga/ Outras nossa perdição/ O poder que nos levanta/ A força, que nos faz cair/ Qual de nós ainda não sabe/ Que isso tudo te faz/ Dona! Dona!/ Dona! Dona! Dona!”

Nesta música é possível notar a postura de uma mulher que tornou-se controladora das situações e pouco sensível a olhar o outro na vontade deste. Assim parece descartar uma relação amistosa com a pessoa a quem tem contato. As atitudes acima relatada é um esboço claro de como torna-se uma mulher dominada pelo Animus, ou seja, deixa de ter evidente a natureza feminina do seu Self e no seu Ego. Quando isso ocorre favorecerá a abertura para conseqüências perturbadoras, tais como Emma Jung afirmou: “... Pois quando o feminino é assim dominado pelo animus e forçado para o segundo plano, surge facilmente depressões, insatisfação geral, perda da sensação de vida, sintomas compreensíveis para o fato de que uma metade da personalidade tem sua vida quase roubada pela usurpação do animus.”( JUNG, 2006 – P. 27)

Estabelecer relações dinâmicas com a dimensão Inconsciente da Anima (homem) ou Animus (mulher) é importante, entretanto cheio de obstáculos. Visto que o que será ativado serão aspectos de posturas do sexo oposto a natureza do Self. Este é a dimensão central d o Psiquismo, desta forma é o grande direcionador na real natureza e personalidade do indivíduo. Desta forma, o Self precisa estar em contato e funcionamento harmônico com o Ego, gerenciador central do consciente.

A dimensão consciente da Psique precisa funcionar em uma condição praticamente de submissão ao Self já que este é a maior e mais importante força da Psique como todo. Esta dinâmica da Psique pode deixar obscura o real espaço da Anima/Animus no Psiquismo. Entretanto, como Arquétipo Anima/Animus são componentes da região do inconsciente coletivo, sendo esta uma das regiões situadas em um campo separador do Self (inconsciente) e Ego(consciente). Por isso Anima/Animus é um dos aspectos psíquicos que promove a “comunicação” de Self E Ego. Como tal arquétipo está no inconsciente ele deve ser explorado de maneira “discreta” para transcender ao consciente de maneira enriquecedora das atitudes e não dominadora dos atos conscientes. E isto é um principal fator de dificuldade de “convívio” dos arquétipos Anima/AnimusXConsciente Homem/Mulher, respectivamente. Difícil mas não impossível!

Os Arquétipos acima relatados provocam reflexos principalmente nos relacionamentos afetivos. Por isso a importância de estar em contato e consciente com os aspectos da Anima/Animus que são existentes em todo indivíduo. No relacionamento afetivo, tais aspectos que compõem este arquétipo em cada pessoa são projetados na escolha e no convívio com o parceiro com quem está relacionando-se. Ou seja, o homem leva para seus relacionamentos características da sua Anima e a projetará na sua parceira. Do mesmo modo, a mulher será envolvida pelo seu Animus nas suas escolhas e modo de relacionar-se com seus parceiros. “A consciência anímica favorece um mimetismo protetor, uma ligação a alguma coisa ou alguém que ela ecoa.” (HILLMAN, 1985 –P. 37).

Assim, quando cada pessoa faz suas escolhas de parceiros ou se atrai por uma pessoa ou estilo de pessoa específica, essa não é uma preferência aleatória mas uma escolha conforme a sua realidade anímica. Isto é uma forma de tornar concreto o contato com seu mundo já conhecido, ou não, e familiar do Animus/Anima que o sujeito convive no seu interior. O parceiro escolhido por ter personalidade tão parecida com o mundo interior(do sexo oposto) do indivíduo “escolhedor” possibilita a facilidade de convívio no relacionamento exatamente devido a tais semelhanças. Entretanto a atração pode ser exatamente pelo que falta neste interior. Isso explica a tendência de pessoas com atitudes externas opostas se atraírem , ou seja, os opostos em atitudes atraem-se assim.

Essa união de opostos favorecerá a evolução de um aspecto ainda pouco desenvolvido no psiquismo de um ou ambos amantes. Desta forma, isso dá suporte ao relacionamento até que a pessoa evolua suficiente tal(is) característica(s) em si mesma e não precise de tal contato concreto com o específico parceiro. Isso é um dos pontos que favorece o fim dos relacionamentos. Este fim pode ser evitado quando as pessoas que se uniram por um específica involução de seus Animus e Anima passarem a ter a disponibilidade de adaptar-se a evolução psíquica do seu amante, visto que o progresso interno é tão comum a todo ser humano. Foi partindo deste princípio que VANTURA in ZWEIG&ABRAMS, 2000 – P. 100 e 101, afirma que relação envolve “... Descobrir o que é inquebrável em meio ao que foi quebrado. Descobrir que a união pode ser tão irredutível quanto a solidão. Descobrir que os dois precisam compartilhar, não só o que não conhecem do outro mas também o que não conhecem de si mesmo”, Ventura ainda continua complementando a partir do ponto da união entre dois seres: “... esses encontros não acontecem por compulsão ou acidente; eles acontecem por intenção... o que quero dizer é que esse nível de atividade é reconhecido como parte da busca, parte da responsabilidade que cada pessoa tem por si mesma e pelo outro.” Assim haverá a possibilidade de ocorre a educação da Anima/Animus de cada pessoa envolvida na relação.

O Animus/Anima além de influenciar a escolha de parceiros também pode fazer amantes envolvidos no relacionamento serem tendenciosos na influência sobre as atitudes dos seus parceiros. Isso ocorre quando além de fazer a projeção básica sobre o parceiro, a pessoa busca persuadir o este a agir conforme a atitude contida em seu Animus ou sua Anima, principalmente no decorrer dos relacionamentos. Isto é uma tentativa do indivíduo de manter existindo uma, ou várias, específica imagem da sua Anima/Animus salientada no primeiro contato com a pessoa que se relaciona.

Geralmente, é tal característica do companheiro que proporcionou a atração do respectivo indivíduo: “... as qualidades citadas pelos parceiros como as que primeiro os atraíras um para o outro coincidem com aquelas que são identificadas como fontes de conflitos no decorrer do relacionamento.” (SCARF in ZWEIG&ABRAMS, 1991 – P. 95) Desta maneira, a pessoa impõe formas de atitudes a seu parceiro que podem ser incoerentes com a realidade da personalidade do seu companheiro, logo atos impossíveis de serem expressados pelo ser humano do seu amante. Junto a tal impedimento ocorre a impossibilidade do sujeito com quem está relacionando mostrar-se como é e como o seu jeito de ser pode, ou não, favorecer o sucesso e convívio no relacionamento.

No momento de brigas e discussões entre o casal o que envolve as falas e opiniões são direcionamentos da Anima/Animus e não do ego dos sujeitos envolvidos, por isso o esquecimento do falado durante uma briga. A questão que precisa ser trabalhada nos relacionamentos é o estabelecimento do contato do Animus/ Anima respectivos com cada sujeito presente na relação. O vinculo cada vez mais extenso do ego com os referidos arquétipos possibilitará a conscientização de atributos interno do Animus/Anima existentes no inconsciente do indivíduo.

Esta proximidade, com tal componente arquetípico, possibilitará que o Ego conscientize-se das características da realidade interna presente no sujeito. Por conseqüência disso, a pessoa diminuirá as possibilidades de projeção de seus conteúdos interno sobre seus parceiros e compreenderá quais atitudes fazem parte do seu mundo interno ou inconsciente. Desta forma, o indivíduo passa a ter mais controle de suas posições e atitudes nos relacionamentos, visto que estará mais livre do domínio da Anima/Animus e necessidades de buscar e encontrar características destes nos seus parceiros para conviver e entender a si mesmo.

CONCLUSÃO:

É essencial a conscientização das características individuais que forma a dimensão do Animus/Anima em cada pessoa, visto que possibilita a ampliação de tornar uma pessoa mais fiel a sua respectiva natureza , favorecendo assim seu processo de individuação.

Nos relacionamentos isto envolve ter a clareza de que o parceiro não tem obrigação nem o dever de trazer para realidade atitudes que são reais apenas no mundo interno do sujeito. Logo este deve procurar satisfazer-se em apenas ter um convívio consciente de tais aspectos e não forçar uma concretização destes no seu amante. Assim o relacionamento poderá fluir com os componentes psíquicos reais dos seres humanos que o formam.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

GRIMBERG, Luiz Paulo. O homem criativo. São Paulo: FTD. 1997

HILLMAN, James. Anima: Anatomia de uma Noção Personificada. 10ed. São Paulo: Cultrix,1995

JUNG, Carl G. O Eu e o inconsciente. 12 ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1987

JUNG, Carl G. O homem e seus símbolos. 2ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008

JUNG, Emma. Anima e Animus. São Paulo: Cultrix, 2006

SANFORD, John A. Parceiros Invisíveis: o masculino e o feminino dentro de cada um de nós. 7.ed. São Paulo: Paulus, 2002;

ZWEIG, Connie; ABRAMS, Jeremiah. Ao encontro da sombra: O potencial oculto do lado escuro da Natureza Humana. 9ed. São Paulo: Cultrix, 2000



ANIMA AND ANIMUS. Doc. Eletrônico em  http://www.lessons4living.com/anima_and_animus.htm, acessado em 19/Setembro/2010.



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