Alunos: ana claudia vieira martins darirlei garcia buemoi juarez muller



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UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA – UDESC

CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE E DO ESPORTE – CEFID

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DO MOVIMENTO HUMANO

DISCIPLINA: DESENVOLVIMENTO HUMANO

PROFESSOR: Dr. RUY JORNADA KREBS

ALUNOS: ANA CLAUDIA VIEIRA MARTINS

DARIRLEI GARCIA BUEMOI

JUAREZ MULLER

TAMIR FREITAS

ENSAIO: TEORIA MAURACIONISTA

O desenvolvimento humano enquanto espécie pode ser expresso através de processos que se tornam produtos com formas e funções, em resposta à sua historia evolucionária, guardando em si aspectos herdados ou adquiridos durante a trajetória dos antepassados que deram origem ao constructo humano atual.

Contudo, mesmo guardando necessariamente características evolucionárias da espécie humana, cada ser humano, individualmente, herda o genoma específico e o ambiente típico da espécie, mesmo com algumas variações aparentes. Assim, a ontogênese decorre de uma evolução por seleção natural ao longo da constituição do próprio ser humano.(Morais, 2008, Rocha Ferreira???, 2007)

O indivíduo humano embora se pareça muito um com o outro (dois olhos, boca, membros inferiores e superiores) ao mesmo tempo é muito diferente no que se refere a sua personalidade e atitudes expressas no seu cotidiano.

Embora não mais se pense existir uma correspondência “palmo-a-palmo” da filogenia  com a ontogenia, não é desconhecida a ligação entre esses processos na maioria das espécies. A questão “como os organismos constituem-se em formas” continua sendo buscada, e como as teorias são retificáveis, elas com novos estudos podem ir perdendo seu prestígio em favor de novas idéias pesquisadas (Hackel,1866). Desse modo a ontogenia em viveu sua importância ao acentuar que na história do desenvolvimento de um organismo (ontogenia) se repete o desenvolvimento evolucionário de sua espécie. Mesmo trazendo perplexidade, uma espécie pode se transformar em outra por modificações pequenas e seqüenciais no desenvolvimento ontogenético, incluído aí o da espécie humana. A pensar em relativização desta teoria de Hackel em que “a ontologia recapitula a filogenia”, a origem da vida e da espécie humana, a despeito de muitos pensadores igualmente importantes, continua requerendo estudos e uma teoria cientificamente sólida que venha comprovar e explicar toda a evolução humana (Hackel,1866).

O desenvolvimento como maturação e seus respectivos comportamentos é o objeto da gênese da evolução humana na teoria maturacionista. Um olhar critico mais aguçado sugere de imediato o contexto da multidimensionalidade da temática do desenvolvimento humano, mormente nas contribuições notáveis dos maturacionistas Gesell e Mc Graw, para o inicio do século XX (Heemann,2000). Embora outras correntes coexistissem, a tendência maturacionista marcou época do desenvolvimento científico nos seus primórdios e deflagrou sua filosofia e posição científica com a publicação de Gesell em 1928 intitulada “Infancy and Human Growth” valorizando o processo biológico no desenvolvimento humano evolucionário, e o estudo clássico de Mc Graw ao estudar os gêmeos Johnny e Jimmy Woods Gêmeos, que focava na estimulação precoce como processo de aceleração para o desenvolvimento motor e conseqüente aprendizagem de habilidades de movimento corporal e deliberações.

Assim sendo, o estudo de comportamentos e aprendizagens quando mostra que há tipos de comportamento (os não aprendidos e os aprendidos), exclusivamente pela espécie humana como os símbolos, na verdade são avanços do pensamento maturacionista. Os comportamentos e aprendizagens se utilizam da perspectiva filogenética, ou seja, o pensamento comprovado de que o desenvolvimento humano se inicia na concepção (com herança genética e biologia), continua quando nasce e segue desenvolvendo com competências físicas, emocionais, psíquicas em bases de interação com o meio e com o outro. Neste contexto, o ser humano se desenvolve e cresce, e sob estes aspectos incide os conceitos maturacionistas (Simões, ????)

A teoria maturacionista sugere que o curso do desenvolvimento humano é determinado geneticamente, independente das influências ambientais. Todas as teorias sobre a maturação biológica compartilham uma visão central de que a fonte das mudanças que caracterizam o desenvolvimento humano é endógena, ou seja, que a mudança vem de dentro do organismo como uma conseqüência dos genes que o organismo herda (Cole e Cole 2004). Segundo a perspectiva biológica, o desenvolvimento intelectual e o da personalidade assim como o físico e o motor, ocorrem de acordo com um plano biológico (Barreiros e Krebs, ano?).

Os teóricos maturacionistas que marcaram esta época foram Arnold Gessel, Myrtle McGraw e Wayne Dennis, que com seus estudos elaboraram modelos de comportamento motor, que serviram de base para estudos posteriores.

Inicialmente, falar em maturacionismo implica em mencionar um grande estudioso do comportamento motor G. Stanley Hall (1844-1924). Ficou conhecido como pai do movimento de estudo da criança, fez doutoramento na Universidade de Harvard com o psicólogo William James, e posteriormente seguiu para a Alemanha para estudar com Wilhelm Wundt. Ele aplicou seus conhecimentos de psicologia experimental para estudar o desenvolvimento infantil alicerçado na hereditariedade, e refletia exatamente a teoria da evolução de Darwin, onde cada indivíduo segue uma seqüência de desenvolvimento paralelo à das espécies (Spodeck e Saracho, ano??).

A contribuição mais duradoura de Hall foi seu foco no estudo científico da infância através da observação das crianças em seus ambientes naturais na tentativa de caracterizar os diferentes estágios da vida infantil. Fundador da abordagem educacional centrada na criança e seguidor de uma concepção evolucionista tinha a visão de que a educação deve responder à natureza da infância e não o oposto (Barreiros e Krebs,??).

O trabalho de Hall teve continuidade com seu aluno Arnold Gessel (1890-1961), por aproximadamente quarenta anos, porém de forma mais sistemática de descrever o comportamento motor. Ele criou um espaço destinado à observação direta e de aquisição de imagem de um grande número de crianças em vários aspectos na Clinic for Child Development da Universidade de Yale. Dentre os aspectos abordados por Gessel destacam-se o desenvolvimento físico, motor, intelectual, pessoal, social e da linguagem (Spodeck e Saracho, ano??).

Neste trabalho Gessel produziu descrições detalhadas de bebês e crianças do nascimento até os 10 anos de idade de modo a identificar as características típicas de uma faixa etária específica, como por exemplo falar, andar, levantar-se. Gessel defendia também que o desenvolvimento infantil é determinado geneticamente, e enfatizava a necessidade de se respeitar a individualidade nata de cada criança. Para ele, cada criança tem um ritmo e um estilo de desenvolvimento característicos de sua individualidade. A organização da conduta segue uma direção, isto é, céfalo-caudal e próximo-distal, caracterizando o desenvolvimento como regular e a relação estrutura-função dependente de fatores biológicos (Castro, 2006; Dockhorn, ano??) Juntamente com seus colegas (Frances L. Ilg e Louise B. Ames), desenvolveram uma bateria de testes, estratégias de avaliação e métodos de observação para coletar informações sobre o comportamento das crianças em seus ambientes naturais, na Clínica de Yale e em entrevistas com os pais. Assim este estudo permitiu a Gessel delinear traços de maturidade e estágios de desenvolvimento denominados de gradientes de crescimento (Clarke-Stuart, Friedman e Koch, 1985).

Estes gradientes de crescimento focam 10 áreas principais: características motoras, higiene pessoal, expressão emocional, medos e sonhos, o eu e o sexo, relações interpessoais, brincadeiras e passatempos, vida escolar, senso ético, perspectiva filosófica (Spodeck e Saracho, ano??).

Assim sendo Gessel afirmava que o ambiente tinha um papel secundário na alteração do comportamento, sendo o desenvolvimento determinado pela natureza a partir do interior do organismo. A constituição genética do indivíduo e suas experiências intra e extra-uterinas iniciais afetam seu crescimento físico, intelectual e emocional determinando sua reação favorável ou não às posteriores modificações do ambiente. Além disto, o desenvolvimento ocorre numa seqüência ordenada que é determinada pela evolução da espécie e pela configuração biológica de cada pessoa, isto é seus genes independente das influências ambientais (Berns, 2002). Assim o desenvolvimento é apenas um desdobramento natural do plano biológico, a experiência teria pouca importância. Gesell incentivava os pais a deixarem as crianças se desenvolverem naturalmente (Kail, 2004).

Embora a seqüência do desenvolvimento seja fixa pelo fato de ocorrer na mesma ordem para todas as pessoas, o ritmo com o qual um indivíduo progride nessa seqüência é diferente. Diante do ser humano há a complexidade advinda do conceito de variação e com este conceito, entende-se que todos os homens pertencem a mesma espécie, mas são diferentes uns dos outros, com características semelhantes. Na perspectiva humana “o outro é o diferente de mim”. Nenhum ser pela variação genética ou biológica é igual a outro, e esta posição foi pressuposta por estudiosos como Gesell ao reconhecer o caráter genético face ao desenvolvimento da criança (Fonseca, 1992).

Como conseqüência a teoria maturacionista teve forte influência na educação para a primeira infância, sustentando a noção de que a educação deve ser centrada na criança e observar a prontidão para o aprendizado.

Esta teoria levou à observações de vários modelos de comportamentos relacionados à idade em que os indivíduos alcançam etapas de desenvolvimento, eventos significativos na vida de uma pessoa, e antecipar as etapas acabam gerando expectativas frustrantes (Berns, 2002).

Prosseguindo com as idéias de Gesell, Myrtle McGraw (1899-1988) avançou na complexidade entre desenvolvimento e comportamento, referindo a existência de períodos críticos na aprendizagem e no desenvolvimento. McGraw via o desenvolvimento do comportamento ocorrendo de uma maneira ordenada, com base no desenvolvimento da estrutura. A autora descreveu em seus estudos o que ela chamou de comportamento aquático em bebês, associando a forma de locomoção aquática em bebês recém-nascidos com a locomoção das salamandras, de modo a realçar o papel de restrições filogenéticas na ontogênese. Constatou que essa locomoção apresentava fases distintas de desenvolvimento, com uma fase reflexa, seguida de uma fase de movimentos desorganizados e para finalizar uma fase de movimentos voluntários. McGraw também descreveu o desenvolvimento da locomoção bipedal, considerado um dos aspectos mais importantes de seus estudos (Connolly, 2000; Barreiros e Krebs,??).

Destaca-se o experimento clássico com os gêmeos Johnny e Jimmy Woods, inserindo a estimulação precoce como processo de aceleração do desenvolvimento motor, ou seja, coloca a essência do desenvolvimento na interação biossocial e na estimulação (Lopes e Maia, 2000). Este tipo de análise do desenvolvimento do comportamento oferece uma base mais detalhada para uma correlação entre estrutura e função, quando a base tenha sido criada pelos mecanismos neurais (Mc Graw, 1940).

Seus estudos revelaram a seqüência na qual o córtex cerebral torna-se funcional de forma precoce, conforme as necessidades ou estimulação do desenvolvimento. McGraw pesquisou sobre o processo de crescimento e aprendizagem e como a criança responde diferentemente à competência e algumas vezes, em demanda caótica sobre o desenvolvimento motor e cognitivo (Barreiros e Krebs, ano??; Lopes, Maia, 2000). Enfocou a importância das atitudes para antecipação e julgamento na resolução de problemas, e buscou através de estudos experimentais, compreender a integração entre as capacidades motoras e cognitivas dos lactentes. McGraw colocava que pose-se obter mudanças evidentes na conquista da atitude, mesmo durante os primeiros meses da infância, além disto, a atitude é um dos fatores mais importantes que regem a realização do desempenho (Barreiros e Krebs,???; Lopes e Maia, 2000).

Após este período (qual??) Gesell e McGraw voltaram-se para um trabalho mais prático, desenvolvendo uma série de testes e escalas para caracterizar o desenvolvimento infantil.Esses instrumento foram aplicados na pediatria e levaram a elaboração de vários testes, entre eles Bauley Scales, Denver Test, Oseretsky Test, Motor ABC, etc...???????????

Outro grande estudioso que prestou contribuições para o desenvolvimento motor foi Wayne Dennis (1905-1976), psicólogo e especialista em desenvolvimento infantil teve grandes contribuições em sua geração. Seu estudo clássico investigou os efeitos da restrição de movimentos sobre o início da marcha em crianças indígenas Hopi do Arizona (Dennis e Dennis, 1940). Segundo Dennis, a restrição de movimentos pode ter considerável importância para compreender os fatores que controlam o desenvolvimento motor na criança jovem. As crianças indígenas de Hopi usavam desde o primeiro dia de vida uma espécie de berço em forma de saco, e que ficavam penduradas nas costas de suas mães. Passavam o dia e a noite dentro destes berços enrolados, até aproximadamente 9 meses de idade, questionando-se então a privacidade de movimentos. De acordo com os resultados o movimento pode ser marcado pela sua restrição sem exercer influência sobre a marcha, e provavelmente sem influenciar outras respostas de movimentos. Isto não pode se restringir a questão de que todo movimento ou experiência de movimentos possa ser dispensado, com ou sem efeito sobre desenvolvimento comportamental. Os índios Hopi começam a caminhar 4 a 8 meses mais tarde que a média de idade prevista para tal tarefa, e que por conseqüência na estão impedidos de realizar tal tarefa. A causa deste atraso para o início da marcha em crianças Hopi não pode ser esclarecida neste estudo (Dennis e Dennis, 1940).

Analisando estes estudiosos e seus trabalhos atem-se ao fato de que o desenvolvimento como maturação e seus respectivos comportamentos é o objeto da gênese da evolução humana na teoria maturacionista. Estudar o desenvolvimento da espécie ou sua linhagem orgânica (phylon) é buscar uma resposta e construir o sentido de “como os organismos tomam forma” e, ao fazer esse estudo, de certa maneira estão incluídos aí no bojo das observações, a mente (cognição), os desempenhos do alcance de motricidade, processos de aprendizagem, oralidade, escrita, e em mais recentes teorias em neurociências. Até mesmo a consciência moral-distinguida pelas bases biológicas e as interações sociais, constituindo o senso moral, sugerindo o avanço de buscas do juízo ético pela inclusão dos processos neuronais e as demais partes do corpo que produzem e arcam com conseqüências (Heemann, 2000). Na verdade, estes avanços estão, neste século em auge,e tudo se deve ao pioneirismo dos maturacionistas,emblematicamente representado na figura geselliana.

O ser humano da concepção até a morte, marca a tendência ontogenética, incluída a herança biológica ou genética e a epigênese ou herança cultural do individuo. É mais saudável o desenvolvimento do individuo em sua ontogênese quando a filogênese inata e herdada tenha se consolidado. A filogênese é base à ontogênese, ou seja, o desenvolvimento do reflexo até a reflexão, do ato ao pensamento, ou de outro modo, do gesto à palavra. O ser que se desenvolve não é passivo no contexto social (família e sociedade), ele influencia e é influenciado, processo que se denomina sociogênese (Fonseca, 1992).

Abaixo pode-se ter uma visão abrangente destes estudiosos maturacionistas, que contribuíram significativamente para o avanço do desenvolvimento motor.




Um destaque se faça à época dos pioneiros desta teoria maturacionista, porquanto prevalecia em avanços a Psicologia Behaviorista quando seus estudos tomaram lugar na história do desenvolvimento humano.

Pode-se então finalizar este ensaio maturacionista atentando para o fato de que as fases do desenvolvimento infantil estabelecem mudanças importantes na sua personalidade, mas sempre respeitando o seu ritmo interno. Tudo o mais importante e principal no desenvolvimento infantil acontece nos primeiros anos de vida e inclusive nos primeiros meses de vida.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Barreiros, J., Krebs, R.J. (??). Desenvolvimento motor: a delimitação de uma sub-área disciplinar. Faculdade de Motricidade Humana. p.7-23.

Berns, 2002

Castro


Clarke-Stuart, A.; Friedamn, S.; Koch, J. (1985). Child Development: a tropical approach. p.9-11.

Cole e Cole, 2004

Dennis, W; Dennis, M. The effect of cradling practices upon the onset of walking in Hopi children. The Journal of Genetic Psychology. Vol.56. p.563-572. 1940.

Dockhorn, M.S.M. Desenvolvimento de lactentes e pré-escolares: aplicação da Teoria de Gesell. ANO???

Fonseca, 1992

Hackel


Kail

Lopes; Maia??? (2000). Períodos criticos ou sensíveis: revisitar um tema polêmico à luz da investigação empírica – Rev. Paul. Educ. Fis. São Paulo, 14 (2): 128-40, jul/dez.

Heemann, A. O corpo é a compreensão do juízo ético.Acta Scientiarum 22(1):247-254, 2000.

McGraw, M. Neural maturation as exemplified in achievement of bladder control. The Journal Pediatrics. 16:5, p.580-590. 1940. Disponível em http://www.jpeds.com/article/S0022-3476(40)80187-X/abstract. Acessado em 28 de abril de 2009.

Morais, M.V. Abordagem maturacionista: histórico e contribuições. Dynamis Revista Tecno-cientifica. Abr-jun 2008,n.14, vol 3, p.23-26.

Rocha Ferreria????, MB. Trajetória e travessias do desenvolvimento humano. Rev. Brás.Educ.Fis.Esp.São Paulo, v.21, p.97-114, dez, 2007.

Simões, A.C.L. Intervenção precoce: da concepção aos 6 anos (contributos da filogênese,sociogenese e ontogênese. Rev. Educação Especial. n.32,p.153- ANO???

Spodeck, B., Saracho, O. Ensinado crianças de três a oito anos. Porto Alegre: Artmed, 1998.



Uma visão epigenética do desenvolvimento motor Andrea Caccese Perrotti,

Edison de Jesus Manoel

Rev. Bras. Ciên. e Mov. Brasília v. 9 n. 4 p. outubro 2001 77


Segundo tal concepção, as características de um

organismo podem ser afetadas por diferenças genéticas e/

ou ambientais, mas são criadas pela ação conjunta de gene

e ambiente (Connolly,1986). Bronfenbrenner, conforme

afirma Krebs (1997), em sua teoria dos sistemas ecológicos,

define o desenvolvimento humano como uma progressiva

e mútua acomodação, no curso da vida, entre o ser

humano e o ambiente. O ser humano em desenvolvimento

é caracterizado como alguém ativo em seu meio. Assim, o

desenvolvimento de um organismo depende de seu estado

num determinado momento e dos sinais ambientais que o

estejam afetando; o organismo é, então, resultado tanto depelos quais ele passou. (Lewontin, 1997). O organismo se

desenvolve em sua interação com um contexto ou ambiente

particular.

Do intenso contato entre ambos, surgem caracter

ísticas novas no organismo e no ambiente: um influencia e

é influenciado pelo outro; dessa forma, ambos se constróem

a partir dessa interação. Lewontin (1997) afirma que a informa

ção necessária para especificar um organismo achase

contida tanto em seus genes como em seu ambiente. O

ambiente, por sua vez, não pode ser caracterizado, a não

ser na presença do organismo que ele rodeia. Assim, organismo

e ambiente são caracterizados a partir de sua .interrela

ção.. O que não se sabe, porém, é o quanto das diferen-

ças entre os diversos seres humanos se deve à genética, o

quanto às variadas experiências de vida e o quanto ao ruído

aleatório do desenvolvimento.

seus genes quanto da .seqüência temporal de ambientes



Prof. Dra. Nádia Cristina Valentini

Curso de Desenvolvimento Motor promovido pelo PEF/DEF/UEM



PARTE I

Desenvolvimento Motor

Ao Longo do Ciclo da Vida

Porque Estudar

Desenvolvimento Motor?

• Desenvolvimento Humano é multidimensional

• Desenvolvimento Motor:

• Identificar desenvolvimento e crescimento típico

• Diagnosticar desenvolvimento atípico.

• Propiciar instrução apropriada.

• Desenvolver programas específicos que vão encontro as necessidades e

características individuais.



Desenvolvimento Desenvolvimento Motor

• Clark & Whitall (1989) -

• “Mudanças no comportamento motor ao longo do ciclo da

vida, os processos subjacentes a estas mudanças e os

fatores que afetam estes processos.”

Mudança é Qualitativa

Embora as habilidades motoras diferem em crianças em diferentes idades, o que

é mais importante é que o padrão de movimento utilizado é qualitativo diferente

de um estágio de desenvolvimento para o outro. Jogadores mais habilidosos

usam formas mais eficientes

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Mudança é Seqüencial

Existe uma organização na ordem com que as crianças tipicamente (não

sempre) aprendem os padrões de movimentos. Muitas destas seqüências

já foram identificadas em Desenvolvimento Motor.



Mudança é Cumulativa

• Novas aprendizagens são construídas sobre capacidades prévias.

• Comportamentos nos primeiros anos servem de blocos para as habilidades que

“emergem” mais tarde.

• Necessidade de desenvolver competência nas habilidades motoras

fundamentais.



Mudança é Direcional

A mudança motora é construída em direção a um objetivo. Existe uma

direção nas mudanças que observamos. As direções podem ser avançar

ou apresentar declínios.



Mudança é Multifatorial

• Fatores isolados não causam aprendizado. Desenvolvimento ocorre como

resultado de múltiplos fatores interagindo juntos. O ritmo da

aprendizagem pode evidenciar carências em um ou mais fatores.



Mudança é Individual

Embora existe uma tendência nos padrões de desenvolvimento, a

mudança é única para cada pessoa. Mudanças ocorrem contextualizadas,

conforme as características dos indivíduos e as condições do ambiente.Motor



Desenvolvimento Motor

Modelo: Newell -1986

Movimento surge da interação entre o indivíduo, o ambiente onde o

movimento ocorre, e, a tarefa a ser executada.

Se um destes fatores muda, o movimento resultante muda.

Modelo: Newell (1986)

• Mudanças relacionadas com a idade.

• Mudanças que constantemente alteram a interação com o ambiente

e as tarefas, e o movimento subseqüente que emerge desta

interação.

• Se o ambiente ou a tarefa, ou mesmo os dois mudam, a interação se

altera grandemente.

• Desenvolvimento Motor é dinâmico e o modelo de Newell reflete

este dinamismo.

Desenvolvimento

Produto emergente de um processo auto-organizado no qual mudanças nas

restrições definem as potencialidades e opções de comportamento em cada

ponto ao longo do ciclo da vida

As restrições derivam do indivíduo, do ambiente e da tarefa

Restrição

• Uma restrição limita ou “desencoraja” o movimento ao mesmo tempo que

permite ou “encoraja” através da canalização dos comportamentos motores.

• As restrições modelam o movimento



Restrições Individuais

• São as próprias restrições decorrente das características físicas e mentais

únicas de cada um.

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• Restrições Individuais Estruturais:

• Relacionadas com a estrutura corporal

• São mudanças lentas, ocorrem com o crescimento e o “tornar-se mais velho”.

Ex: altura, peso, massa, comprimento das pernas.

• Restrições Individuais Funcionais:

• Relacionadas com as funções comportamentais.

• Podem mudar em pouco tempo. Ex: motivação e atenção.

Restrições Ambientais

• Existem no mundo que nos rodeia

• São globais e não tarefa-específicas

• Restrições Ambientais Físicas:

• Características do ambiente

• Ex: temperatura, luminosidade, umidade, gravidade, superfícies

• Restrições Ambientais Sócio-culturais

• Extremamente forte me encorajar ou desencorajar comportamentos

• Ex: envolvimento de meninas no esporte

Restrições da Tarefa

• Existem no mundo que nos rodeia: São os objetivos, as regras e equipamento

que usamos

• Ex: equipamentos de diferentes pesos, alterações em regras para adaptar o

esporte às crianças, mudanças nos objetivos e formas da tarefa

Auto – Organização

• Processo que faz com que a ação organizada “apareça”.

• Sistemas altamente complexos contendo múltiplos elementos

governados por princípios dinâmicos vão espontaneamente

desenvolver organização ou padrões, ou seja auto-organizar-se

(Werbos, 1994).

• O padrão emerge das restrições, através do processo de

auto-organização

* Tópicos do curso: Desenvolvimento Motor, organizado pelo PEF/DEF/UEM em outubro de 2006,

cedidos gentilmente pela Prof.Dra. Nádia Cristina Valentini (UFRGS) para o Programa de mestrado

associado UEM/UEL – reprodução proibida.

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DESENVOLVIMENTO MOTOR: Um Modelo Teórico

David Gallahue

O desenvolvimento motor pode ser conceitualizado, usando uma ampulheta heurística, como um processo fase-estágio descontínuo e sobreposto.

A função principal da teoria é integrar fatos existentes para organiza-los de tal maneira que eles forneçam um significado. As teorias do desenvolvimento tomam os fatos existentes sobre o organismo e fornecem um modelo desenvolvimentista congruente com os fatos. Portanto, a formulação de teorias serve como base para testar os fatos e vice-versa. Os fatos são importantes, mas sozinhos não constituem ciência. O desenvolvimento de uma ciência depende do avanço da teoria, bem como da acumulação dos fatos. No estudo do comportamento humano, especialmente nas áreas de desenvolvimento cognitivo e afetivo, a formulação das teorias ganhou crescente importância nos últimos anos. As teorias têm desempenhado um papel duplo essencial em ambas as áreas, a saber, têm servido e continuam a servir como integradoras dos fatos existentes e como base para a derivação de novos fatos (Bigge e Shermis, 1992; Learner, 1986).

Até recentemente o interesse pelo desenvolvimento motor estava preocupado

basicamente em descrever e em catalogar dados, com pouco interesse em modelos

desenvolvimentistas que levassem a uma explicação teórica do comportamento no decorrer da

vida. Essa pesquisa era necessária e muito importante para a nossa base de conhecimentos.

Porém, na realidade, ela pouco fez para ajudar-nos a responder às questões criticamente

importantes do que está na base do processo do desenvolvimento motor e como o processo

ocorre. Somente existe um número limitado de modelos abrangentes do desenvolvimento motor.

Agora, entretanto, estudiosos do desenvolvimento motor estão reexaminando o seu trabalho em

relação a pesquisas mais cuidadosamente planejadas e baseadas em estruturas teóricas

experimentais. O objetivo deste capítulo é apresentar um modelo abrangente de desenvolvimento

motor, baseado em pontos de vistas teórico-específicos, em um esforço tanto para descrever

quanto para explicar o desenvolvimento e para servir como base para a geração de novos fatos

sobre esse importante aspecto do comportamento humano.

CONCEITO 1

Poucos modelos teóricos abrangentes de desenvolvimento motor existem

A primeira função de um modelo teórico de desenvolvimento motor deveria ser a

integração dos fatos existentes englobados pela área de estudo. A segunda função deveria ser

servir como base para a geração de novos fatos. Pode-se argumentar que os fatos poderiam ser

interpretados de mais de uma maneira, isto é, a partir de perspectivas teóricas diferentes, o que

é, de fato, desejado. Pontos de vistas diferentes promovem argumentos e debates teóricos que

são, a própria centelha da pesquisa, ao lançar nova luz sobre interpretações teóricas divergentes.

Mesmo se diferenças teóricas não existirem, pesquisas devem ser realizadas para determinar se

as hipóteses derivadas da teoria podem ter um suporte tanto experimental quanto ecológico

(Bigge e Shermis, 1992; Learner, 1986).

A teoria deveria servir como base para todas as pesquisas e para a ciência, e o estudo do

desenvolvimento motor não constitui exceção. A teoria desenvolvimentista deve ser tanto

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