Adolescência e as vicissitudes identificatórias1



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Adolescência e as vicissitudes identificatórias1
Marina de Moraes e Prado Morabi2

Mônica Medeiros Kother Macedo3


Resumo: a adolescência constitui-se como um processo transicional de intensas sobreposições de vivências sociais, psíquicas e corporais, possibilitando ressignificações concernentes ao estabelecimento do processo identitário. Este estudo teórico refere-se, a partir de uma revisão da literatura, aos pressupostos psicanalíticos que contemplam a possibilidade de uma compreensão aprofundada a respeito das vivências e conflitivas próprias da adolescência. Pode-se perceber que para o adolescente, as propostas de identificação que lhe foram atribuídas passam a constituir um projeto identificatório, apoiado nas coordenadas prévias, o que viabiliza a invenção de novas alternativas de um eu aberto ao devir, na construção de seu próprio processo identificatório. Dessa forma, torna-se necessária a proposição de adequadas condições de escuta e de auxílio frente a adversidades que possam surgir no enfrentamento com as demandas desse momento importante da vida. Trata-se de não patologizar a adolescência, porém tampouco descuidar da necessária atenção considerando que nela podem ser incrementadas as fragilidades psíquicas de um sujeito que está no auge de um processo de ressignificação do si mesmo.
Palavras-chave: Adolescência. Psicanálise. Processo identificatório.

Em Platão (n.d./2007) já apareciam relatos sobre a juventude, entretanto, o conceito de adolescência só emerge a partir do século XIX. Conforme Delaroche (2008), desde as sociedades primitivas (LEVISKY, 2004) a passagem para a puberdade era realizada por ritos definidos e ainda hoje permeiam muitas sociedades tribais (PEREIRA, 2005). Com o Iluminismo, o debate culminou na descrição da adolescência como momento de crise (ROUSSEAU, 1966/2017). Ao longo do século XIX, a concepção de periodização das idades da vida se consolida, viabilizando a ausência dos aparelhos simbólicos sociais que antes cumpriam a função de ritualizar a passagem (MATHEUS, 2007), o que tornou imperativo o seu desenvolvimento interior, constituindo o processo adolescente que conhecemos (GUTIERRA, 2003). O que, Segundo Dolto (2004), pode gerar dificuldade, pois eles permitiam uma transição clara de dois lugares definidos. Na ausência destes, predomina contexto de indefinição e insegurança, quanto aos critérios para a transição e para a definição de adultez.

Chega-se assim, ao século XX, no qual a adolescência passa a caracterizar os desejos e sonhos dos indivíduos, buscando-se prolongar esse período de vida, encurtando a infância e adiando a maturidade (ARIÈS, 1981). Emerge o culto social da adolescência uma vez que, segundo Gutierra (2003), o adolescente realiza o desejo inconsciente dessa sociedade, que busca um prazer pleno, com a ilusória suspensão dos limites aos quais os adultos se submeteram.

O período adolescente de ilusória liberdade é denominado por Erikson (1968/2008) de moratória. Calligaris (2000) considera que nesse momento, apesar de o adolescente estar organicamente pronto para assumir seu lugar social no mundo dos adultos (tanto como força de trabalho, quanto sexualmente), ainda lhe é exigido que se mantenha em um lugar de amparo social. A contradição se faz ainda mais presente quando a demanda social é de conquista de independência e autonomia, apesar de não se permitir que o adolescente os exerça, exigindo-lhe ainda que estes sejam os melhores anos de sua vida.

Neste cenário paradoxal, sendo frustrado pela moratória imposta, recebe a ordem da idealização social de que seja feliz. Se essa adolescência é quimérica para todos, “ele só pode ter a delicadeza de ser feliz ou, no mínimo, fazer barulhentamente de conta” (CALLIGARIS, 2000, p. 18). O adolescente já perdeu a graça da criança que garantia um suposto amor incondicional e ainda não é reconhecido pelo grupo social como um igual, um adulto (CÂMARA e CRUZ, 2000). O espelho do adolescente é, assim, vazio, porque tenta enxergar o que supõe que os outros vejam nele, mas não crê que o percebam nem como a criança que já foi e nem como o adulto que ainda não é. Por isto, podem se fazer presentes nesta idade da vida, uma maior fragilidade de autoestima, graves situações de depressão e, até mesmo a ocorrência de suicídios. A insegurança se torna, assim, o traço próprio da adolescência (CALLIGARIS, 2000).

O adolescente espera decifrar o que os adultos querem e anseiam dele, decodificando seus desejos inconscientes, e por diversas vezes, atuando-os. Contraditoriamente, essa expectativa gera um desencontro intergeracional, já que esse desejo foi reprimido pelo adulto justamente por não ser aceito, e quando o adolescente o decifra e o realiza, pode ser ainda mais recalcado pelo adulto, que passa a questionar e problematizar o comportamento do jovem. Se nos anos 60 o adolescente tinha como objetivo maior se transformar em adulto, por ser esse o ideal daquela cultura, hoje o ideal do adulto é a adolescência, vista como uma possibilidade de viver gozando de uma felicidade sem ter que dar conta das obrigações concernentes (CALLIGARIS, 2000; CASSORLA, 1998).

Dessa forma, o ideal social que o adolescente percebe é o de fortalecer ainda mais o que lhe é característico. Ainda assim, há um desejo de ingresso no mundo adulto, mas “significa para o adolescente a perda definitiva de sua condição de criança” (ABERASTURY, 2000, p.13). Essa mudança implica em alterações de relação com os pais e com o mundo, já que sair da condição infantil alude em ter que elaborar lutos pelo corpo de criança, pela identidade infantil e pela relação com os pais da infância. Knobel (2000) denominou esses conflitos e ambivalências como “Síndrome da adolescência normal”, caracterizando como possíveis sintomatologias: busca de si mesmo e da identidade, tendência grupal, necessidade de intelectualizar e fantasiar frente aos lutos, crises religiosas, deslocalização temporal, evolução sexual manifesta, atitude social reivindicatória, contradições sucessivas em todas as manifestações da conduta, separação progressiva dos pais, constantes flutuações do humor e do estado de ânimo.

Estes estados afetivos flutuantes, com mudanças bruscas de humor, saindo de um entusiasmo com exaltação, para uma tristeza e apatia, são decorrentes, segundo Urribarri (2003), do confronto com as discrepâncias e as incertezas quanto ao futuro. Nesse momento, o adolescente pode isolar-se do mundo, já que esse não corresponde ao imaginado, fechando-se horas no seu quarto ou investindo em objetos que valorizem seu eu, uma vez que esses imaginariamente lhe dão poder fálico (ANDREOZZI, 2001). Pode haver ainda, segundo Blos (1998), a prevalência de relações “como se”, que são baseadas nas expectativas e idealizações narcísicas e não na realidade. Caracterizam as amizades supervalorizadas e as paixões avassaladoras, que auxiliam, inclusive, mais tarde, no surgimento de relações mais maduras.

A imagem corporal relativamente estabilizada desorganiza-se com as mudanças corporais da puberdade (JORDÃO, 2008; FERREIRA, NELAS, 2016), que proporcionam crescimentos desarmônicos (URRIBARRI, 2003; FAVILLI, 2005). O adolescente tem de ir ao encontro de um novo corpo de si mesmo, ao qual, agora, sua própria mente precisará dar algum sentido. Ele precisa dar conta da impotência diante das transformações, confortando-se “com aquilo que nunca será, mesmo que deseje” (MACEDO, AZEVEDO e CASTAN, 2010, p. 22). O ideal do eu da infância de crescer, ser grande e forte, se transforma frente à percepção do corpo real, do envelhecimento e do confronto com a morte. Torna-se imperativa a elaboração psíquica destas questões, a partir da busca de uma unidade identitária.
ACERCA DA CONSTITUIÇÃO IDENTITÁRIA NA ADOLESCÊNCIA
A teoria psicanalítica desvela, segundo Levisky (2001), “a existência de estrutura e dinâmica psíquicas constantes e variáveis no adolescente em sua busca de uma identidade adulta” (p. 1). Quem sou eu? Essa questão central se repete, de forma mais ou menos consciente, no mundo intrapsíquico do adolescente. Constitui um movimento gerador de uma revisão de seu mundo interno e das experiências infantis para que, a partir das mudanças corporais advindas com a puberdade, possa dar conta das demandas de trabalho psíquico que lhe invadem e impelem à continuidade do desenvolvimento (MACEDO, AZEVEDO, CASTAN, 2010; MACEDO, FENSTERSEIFER, WERLANG, 2010).

Tal trabalho psíquico é intenso pela necessidade de ressignificar os gestos, as lembranças e as fantasias maternas e paternas para se tornar alguém com uma identidade construída a partir do reconhecimento mais integrado do si mesmo (CORSO, CORSO, 2011; MACEDO, AZEVEDO, CASTAN, 2010). Identidade é definida por Palazzini (2008) como imagem e sentimento. Por um lado consiste em uma operação intelectual que abrange existência, pertença e atitude corporal; por outro, versa sobre sentimento, estado do ser, experiência interior que corresponde a um reconhecimento de si que se modifica com o devir.

Em seu texto Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, Freud (1905/2006) retrata a puberdade como o início das mudanças que levam a vida sexual infantil para a sua configuração definitiva. Na infância existiam pulsões e zonas erógenas distintas, com busca independente de prazer. Na vida sexual adulta há um alvo sexual para o qual as pulsões se convergem, com primazia da zona genital. Na Conferência XXI, Freud (1917/2006) define a puberdade como um momento de escolha objetal, consistindo numa etapa final de desenvolvimento sexual após as fases oral, fálica e anal. Na puberdade o jovem se depara com questões e necessárias demandas de elaborações psíquicas que ficaram adormecidas durante o período de latência e agora emergem de forma categórica.

No processo de adolescer está implicada, portanto, a posição que o sujeito ocupou quando criança, enquanto objeto de desejo das figuras parentais, na forma das inscrições que ocorreram mediante a identificação com seus pais e com os ideais destes. O que faz com que o indivíduo se depare com uma situação de reencontro com a perda do objeto de satisfação infantil e com a busca de repetir tal completude anteriormente experimentada. Surgem interrogações acerca dos limites de satisfação nos ideais parentais, já que não há como cumprir uma promessa de totalidade ou de repetição da sensação original infantil. E nesse movimento turbulento, o adolescente passa a questionar a sociedade, a escola, os valores, deparando-se com o seu vazio existencial. No entanto, o processo também possibilita, conforme Andreozzi (2001), a reinscrição de sua posição de filiação, elegendo pontos para repousar seu movimento e dirigir sua trajetória.

Considerando que a criança experimenta uma sensação de completude com a mãe, acredita que possa satisfazê-la de maneira plena, não necessitando de outros e não havendo, assim, nessa modalidade de funcionamento psíquico, espaço para o registro da falta. O ego consiste no seu próprio ideal. A experiência edípica, no entanto, insere a criança no registro da castração, marcando as diferenças para além das condições anatômicas. A criança percebe, então, que existe um desejo materno em relação a um terceiro o qual remete ao campo de desejo da mãe do qual a criança não participa, é excluída. Essa experiência vital de exclusão e castração possibilita ao ego a aquisição de ideais. A vivência de não satisfação completa em relação a figura materna leva a criança a buscar reproduções dessa situação antes experimentada, abrindo-se a perspectiva de um tempo futuro, por isso pode-se afirmar que “a decepção edípica faz com que, a partir de uma ferida narcísica, o ideal não mais coincida com o eu” (MACEDO; AZEVEDO; CASTAN, 2010, p. 24). Já que o eu não equivale mais ao ideal, o sujeito pode ter projetos, investidos narcisicamente que viabilizam desta forma sua capacidade de investimento no devir.

A partir do Complexo de Édipo, com a aceitação do interdito do incesto e reconhecimento da imaturidade para a sexualidade genital, emerge o período de latência, quando o investimento sexual incestuoso é desviado para outras formas de investimento libidinal. Essa dinâmica está sustentada nas concepções freudianas a respeito da sublimação enquanto modalidade de investimento pulsional baseada no desvio das pulsões sexuais para outras finalidades/metas (FREUD, 1905/2006). Dessa forma, “a latência adia o que certamente um dia deve retornar: a busca do prazer genital e a ultrapassagem da questão edipiana” (PINHEIRO, 2001, p. 71). Esse retorno se dá na adolescência, com a volta da questão edípica e o fervor da sexualidade genital, quando se torna imperioso o abandono do objeto de desejo interditado, viabilizando o investimento em outros objetos. Esse objeto abandonado, a partir do qual os outros objetos de investimento se derivam, constitui o primeiro objeto que inventou narcisicamente o sujeito, dando-lhe a garantia de um amor incondicional. Diante de uma relação assim, Pinheiro (2001) pontua a dificuldade de separação desse objeto, já que nenhum outro lhe proporcionará a certeza de um amor incondicional.

A questão central da adolescência, deste modo, é a própria da castração, enquanto experiência estruturante, resultante do Édipo, que resulta na inserção do sujeito no registro do desejo e, consequentemente, na falta, saindo da ilusão de autosuficiência. Diante da castração pode emergir a defesa narcísica, de forma a homogeneizar, transformar o estranho em familiar, cobrindo vazios e eliminando as faltas. Conforme Pinheiro (2001), às vezes torna-se necessário passar pela defesa narcísica, da onipotência, para conseguir um dia aceitar a castração. Tal defesa, que tende à homogeneização, propicia, ainda, o estabelecimento do grupo de iguais, quando a uniformidade, enquanto um lugar identificatório, permite a posterior individualização adulta (KNOBEL, 2000).

Nesse contexto, Levisky (2002) pontua que a resolução dos conflitos edípicos e pré-edípicos que emergem na adolescência pode evolver para regressões, fixação, transformações, incorporando-se ou não como partes integrantes do self. Dessa forma, alguns evoluem de forma egossintônica, enquanto outros carregam seqüelas depressivas, neuróticas, psicóticas ou psicopáticas, que podem ser identificadas através dos resíduos sintomáticos e comportamentais, que muitas vezes são expressos sob a forma de acting out. O indivíduo precisa lidar, portanto, com esse segundo momento do processo de separação-individuação, já que mais do que o aparecimento de novas questões, há o retorno de antigas que estavam submersas (BLOS, 1998).

Considera-se a separação e a individuação como dois processos estruturais diferentes e complementares, segundo Mahler (1982). O primeiro refere-se à saída da criança da fusão simbiótica com a figura materna, de forma que adquira intrapsiquicamente o sentido de desligamento da mãe e do mundo em geral, passando a ter o sentimento de ser um indivíduo separado. O segundo alude à evolução da autonomia psíquica, quando a criança passa a assumir suas características individuais, o que gera o nascimento psicológico do indivíduo. O processo divide-se em três etapas. A primeira inicia-se a partir do quarto ou quinto mês de vida. A segunda fase ocorre na adolescência, com a reedição do Complexo de Édipo e a revivência das relações primitivas do jovem com seus pais. Se na infância, o desligamento da mãe dá-se no âmbito físico, a partir da internalização da imagem dessa figura materna; na adolescência advém o desligamento desses objetos internalizados para que o indivíduo possa descobrir outros objetos a serem amados ou odiados, formando o seu próprio grupo familiar. A terceira etapa, segundo Colarusso (1990), dá-se quando o adulto jovem depara-se com a solidão interpsíquica normativa por não poder mais apoiar-se nos pais para orientação, manutenção e direção, já que houve uma modificação e um enfraquecimento de suas representações intrapsíquicas. Essa solidão leva o jovem ao estabelecimento de uma nova família, de forma que o vínculo objetal com o próprio filho e o contínuo envolvimento com o cônjuge favorecem maior elaboração do self e diferenciação objetal. A parentalidade, como essência dessa terceira fase, permite a reelaboração de temas e relações infantis, já que como pais, os adultos reeditam com o filho a situação de intimidade que tiveram com seus próprios pais na infância, aproximando e diferenciando-se destes (LEVANDOWSKI; PICCININI; LOPES, 2009).

Apesar desse esquema teórico de separação-individuação, Matheus (2008, p. 623) pontua que assim como o resto infantil, que persiste em se fazer presente nas repetições do recalcado, “cada sujeito nunca chega a se desprender do todo de suas figuras de autoridade, assim como não lhe é possível alcançar um sentido pleno para a estranheza que o invade pelos poros ou pelo dissonante olhar alheio”.

Para que se consiga efetuar esse afastamento pode ser necessário que o adolescente desvalorize a imagem dos objetos edipianos, tirando-os do lugar de ídolos da infância, para o encontro de novos objetos fora da família, o que constitui uma das perdas mais significativas. Sair dessa posição idolatrada é igualmente difícil para os pais, que também começam a se sentir mais velhos, submetendo-se a duas perdas acopladas (PINHEIRO, 2001). Conforme Cassorla (1998), o adolescente pode amar seus pais e se identificar de forma sadia com eles, sentindo-se forte para enfrentar a vida, a partir das vivências e experiências partilhadas. Mas, da mesma forma, pode invejar esses pais, que em sua fantasia continuam sendo mais fortes e capazes; e impossíveis de sobrepujar. De forma semelhante, os pais podem sentir estimulados a viver a própria vida por orgulho do filho enquanto produto do seu amor; mas também podem sentir a inveja de que o filho viva melhor a vida, a partir do que lhes foi roubado.

Conforme Hornstein (2008), se o desenvolvimento sexual terminasse com a fase edípica, significaria que somente as experiências dos primeiros anos de vida seriam decisivas para a vida em sociedade. Dessa forma, a história ocorreria sempre de forma cíclica, com cada geração reproduzindo novamente a experiência dos pais. Entretanto, a emergência da puberdade flexibiliza as estruturas psíquicas previamente consolidadas no seio da família, viabilizando, uma reestruturação da subjetividade, não sendo restrita somente às injunções dos pais. É chegado o momento de revisar as soluções encontradas durante a infância, possibilitando novas formas de identificação e aquisição de novos objetos. Ao viabilizar o processo de subjetivação, Marin (2009) destaca que a adolescência caracteriza-se como um “tempo de buscar-se a si próprio em novas relações, recuperar amores perdidos, fundar-se num corpo que foi amado e que poderá amar, que foi gerado e poderá gerar, enfim, entrar para a realidade social, simbólica, com nome próprio” (p. xxxv-xxxvi). Consiste, portanto, no momento de romper com o ideal narcísico dos pais, constituindo a possibilidade de um ideal de Eu, para além de suas determinações.

Tal decatexia progressiva das figuras parentais também gera no jovem um sentimento de insegurança, já que o ego fica empobrecido pela falta de orientações superegóicas. Estas são mobilizadas pelo enfraquecimento dos representantes da autoridade parental. Nesse momento, a dúvida emerge mesmo frente a decisões simples, o que reflete a carência de orientações básicas. O adolescente, dessa forma, “perde a ideia ilusória de proteção plena, absoluta, sentida anteriormente ao lado dos pais, que deixam de ser tão temíveis e poderosos” (MACEDO; AZEVEDO; CASTAN, 2010, p. 33). O superego, nesse momento da adolescência, precisa sair do lugar de sustentação pela voz dos pais e seus substitutos para se tornar mais abstrato e encarnado não mais em pessoas, mas em regulações sociais organizadas pela lei.

Para que essa transição narcísica ocorra adequadamente, Savietto e Cardoso (2006) enfatizam a necessidade do suporte parental, com um remanejamento do referencial identificatório, de forma que é a manutenção do apoio das primeiras figuras objetais que assegura a continuidade do ser. Torna-se necessária a identificação secundária, com a construção de outros modelos, mas esse investimento libidinal só se torna viável a partir do processo de desamarrar-se do passado e do presente, admitindo transformações, dúvidas e a existência de falhas no sujeito. Segundo Macedo, Fensterseifer e Werlang (2010) é necessário que o adolescente tenha tido vivências efetivas de ter pais para que possa ser sujeito, construindo o que lhe é próprio e acessando as prerrogativas de adultez para as novas fontes de prazer, saindo da frágil onipotência infantil.

Em sua busca pelo autoconhecimento, o jovem pode adotar identidades passageiras, enquanto ensaios e descobertas, mostrando-se diferente nos vários contextos, estando de uma forma junto à família e de outra na companhia dos iguais. A identidade vai adquirindo forma mais definitiva na medida em que o sujeito é capaz de integrar seu passado com suas experiências atuais, projetando-se no futuro, a partir de uma ideia de continuidade. Isso permite uma mudança qualitativa nos investimentos afetivos, de modo que o adolescente passa a ser capaz de relacionamentos mais estáveis e autênticos, entrando no tema da alteridade (MACEDO, AZEVEDO, CASTAN, 2010; VIOLA, VORCARO, 2015).

A concepção de adolescência como crise psíquica não se refere especificamente a algo de cunho negativo, mas “a um conjunto de vivências impregnadas de incertezas e dificuldades” (MACEDO; AZEVEDO; CASTAN, 2010, p. 18). Afeta o conjunto da vida psíquica do sujeito tanto na área da autoimagem quanto das relações. Quando a esse processo, sobrepõem-se outras demandas – tais como violência intra e intersubjetiva (SERPA, 2010; SOUZA NETO, CENTOLANZA, 2010), maternidade e paternidade na adolescência (FRIZZO; KAHL; OLIVEIRA, 2005), uso de drogas (PRATTA e SANTOS, 2009), presença de doenças crônicas (KOHLSDORF, 2010; RIBEIRO et al., 2010) ou a somatização de conflitos psíquicos nos distúrbios alimentares (CARVALHO; AMARAL; FERREIRA, 2009) e nas automutilações (MOREIRA e GONÇALVES, 2010) – emerge a questão: “Será que esse adolescente terá os recursos necessários de enfrentamento e elaboração?”

Segundo Lerner (2008) estas interferências guardam relação com a ideia de trauma, por dificultar ao indivíduo a conquista da questão inicial: “Quem eu sou?” Frente a esse somatório de crises de tamanha intensidade psíquica, Macedo, Dockhorn e Iensen (2010) corroboram que se estabelece um cenário traumático que pode levar o adolescente a diferentes formas e intensidades de padecimento psíquico. O indivíduo que passou por vivências de amparo e apego adequados tenderão a ter mais recursos psíquicos de enfrentamento do que aqueles que viveram submersos no desamparo e no desapego.

Mais do que lidar com o que se perde, durante a adolescência torna-se necessária a condição de se apropriar do que se ganha, estabelecendo-se singularidade do processo de adolescer. Como herdeiro da adolescência, diria Blos (1998), emerge o Eu, enquanto estrutura que viabiliza uma noção de si mais estável e integrada. Isso só é possível a partir do trabalho psíquico de síntese, apropriação e elaboração das vivências, o que possibilita uma diferenciação mais clara entre o eu e os outros. Com a personalidade mais estável e com a aquisição de novos recursos psíquicos, tornam-se viáveis novos investimentos, como a vida laborativa, as escolhas de objetos menos modelados narcisicamente e um reencontro com as figuras parentais, com nova perspectiva subjetiva.

Assim, “no final do processo adolescente, o jovem precisa criar dentro de si um plano de futuro a seguir, uma imagem, mais ou menos estruturada, do tipo de vida que deseja ter, para então buscá-la” (MACEDO, AZEVEDO e CASTAN, 2010, p. 48). Consiste, portanto, em um período de definições, que implica em mudanças expressivas na vida, direcionando esse sujeito rumo à adultez.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A adolescência constitui-se em um momento de intensas vivências psíquicas e sociais. Já existe a marcação de inscrições delineadas anteriormente, na infância, que edificaram um estilo de constituição e funcionamento psíquicos, de forma que essas inscrições originais passam a se articular, produzindo condições estruturantes da existência de movimentos psíquicos que possibilitam a vivência do sujeito (ANDREOZZI, 2001).

Por ser um importante tempo de transição psíquica, constitutivo, já que promove composições e rearranjos libidinais, fantasmáticos, identificatórios e vinculares, Favilli (2005) enfatiza que nada mais resta ao adolescente a não ser enfrentar o desafio da adolescência. Como pontua Levisky (2002), a qualidade e intensidade dos re-investimentos, contra-investimentos e movimentos realizados durante a adolescência, implicam na formação da subjetividade, da singularidade e da autonomia do sujeito. Nessa busca da identidade adulta, “o sujeito poderá evoluir para um equilíbrio entre suas diferentes partes, com atenuação e/ou autonomia frente aos aspectos primitivos, narcísicos, libidinais pré-genitais, reprimindo-os, ou incorporando-os ao self” (p. 2). Se há falhas neste processo, podem predominar aspectos regressivos ou mal organizados, dificultando as relações consigo mesmo e com os outros, gerando intenso sofrimento psíquico.

Logo, constitui-se como tarefa primordial da adolescência e como cerne do desenvolvimento da narrativa da vida do indivíduo a possibilidade de, a partir dos investimentos endogâmicos, construir o acesso aos investimentos exogâmicos. Conforme Lerner (2008), esse caminho de busca pela independência individual, até o momento de se sentir autônomo e singular, nunca será totalmente completado, uma vez que o que realmente existe é uma independência relativa, na medida em que o alcançar da individualidade e do “eu sou” sempre exige um contexto de interdependência. É só a partir da dinâmica intersubjetiva, composta pela presença do outro, que o sujeito poderá sentir-se ele mesmo.

Para o adolescente, as propostas de identificação que lhe foram atribuídas passam a constituir um projeto identificatório, apoiado nas coordenadas prévias, o que viabiliza a invenção de novas alternativas de um eu aberto ao devir. Boa parte do trabalho adolescente consiste nessa junção de desprendimentos e buscas (LEMGRUBER, 2017). Imerso nessa tarefa de ressignificação, a partir do jogo entre a dimensão narcisista e a relacional, o adolescente mostra-se movido por ideais, ilusões e fantasias que emergem como propriedade de um eu que começa a construir o seu próprio projeto identificatório (PALAZZINI, 2008).

Dessa forma, a adolescência precisa ser tomada como objeto de estudo e reflexão, para que se amplie o olhar acerca da complexidade e especificidades próprias desse momento de transição. Tal cuidado com o período adolescente viabiliza a proposição de adequadas condições de escuta e de auxílio frente a adversidades que possam surgir no enfrentamento com as demandas desse momento importante da vida. Trata-se de não patologizar a adolescência, porém tampouco descuidar da necessária atenção considerando que nela podem ser incrementadas as fragilidades psíquicas de um sujeito que está no auge de um processo de ressignificação do si mesmo.

Adolescence and the vicissitudes identificatórias
Abstract: adolescence is constituted as a transitional process of intense overlapping social experiences, psychic and body, allowing reinterpretation concerning the establishment of the identity process. This theoretical study refers, from a literature review, the psychoanalytic assumptions include the possibility of an in-depth understanding about their own experiences and conflictive adolescence. It can be seen that for the teen, proposals for identification assigned to come to be an identificatory project, supported in previous coordinates, which enables the invention of new alternatives of self open to becoming, in building its own process identificatory. Thus, it is necessary to propose appropriate hearing conditions and aid to adversities that may arise in dealing with the demands of this important time of life. It is not pathologizing adolescence, but neither neglecting the necessary attention considering that it can be enhanced psychic weaknesses of a subject that is at the height of a reframing process itself.
Keywords: Adolescence. Psychoanalysis. Identification process.
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1 Recebido em: Aprovado em:

2 Psicóloga, Mestre em Psicologia, docente da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Psicóloga Efetiva da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás. E-mail: marinademoraes@gmail.com

3 Psicóloga, Doutora em Psicologia, docente da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. E-mail: monicakm@pucrs.br


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