A vida Após Um Sonho



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Encontro20.08.2018
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A Vida Após Um Sonho

Ainda estava escuro quando o meu despertador tocou. Levantei-me, fiz o sinal da cruz, tomei meu banho, meu café da manhã reforçado, arrumei minhas coisas e fui trabalhar.

Ao passar pela mesma esquina de todos os dias onde se encontrava aquele mendigo pedindo esmola que eu sempre menosprezei, vi uma coisa. Ele segurava junto ao corpo um cartaz velho e amassado que dizia: "Não feche os olhos para os necessitados, pois amanhã podem ser eles que o fecharão para você!". Aquilo mexeu muito comigo e eu senti uma sensação ruim, como se algo naquela frase tivesse me feito sentir culpada e arrependida por ignorar aquele mendigo todos os dias, mas logo passou.

Ao chegar ao meu trabalho, encontrava-se ao lado da porta da minha sala aquela secretária que sempre me deu motivos para humilhá-la. Caminhei até ela, pensando em algum motivo para ser desagradável como o de costume. Quando cheguei, me aproximei do balcão e bati meus olhos numa revista de cor clara e chamativa que se encontrava ao lado do computador da secretária. Era uma revista religiosa que tinha como subtítulo a seguinte frase: "Os humilhados serão exaltados!". Novamente senti os mesmos impactos que a frase do mendigo me causara. Senti pena, culpa e arrependimento. Suponho que fiz uma expressão amarga, pois neste mesmo momento a secretaria dirigiu-se a mim:

- Algum problema?

- Não, não. De forma alguma! - E saí andando mais rápido que o normal em direção a minha sala. O pensamento a mil. Não entendia o que estava acontecendo. Meu humor diário, a raiva, passou para uma tristeza incomensurável.

Na hora do almoço atravessei a rua para ir ao restaurante em frente ao prédio onde trabalho e encontrei aquele catador de latinhas, que eu sempre mandava sair da minha porta e ir catar latas em outro lugar. Na blusa dele havia a seguinte frase que novamente me fez refletir: "A simplicidade é o mais alto grau da sofisticação". Eu engoli em seco, meus olhos cravaram em cima daquele senhor e passaram várias coisas na minha mente. Ignorei aquela sensação e continuei seguindo para o restaurante. Mas ainda assim não consegui ignorar aquele peso de culpa que apertava meu peito.

O dia estava muito agradável, o clima estava ótimo e embora eu não estivesse com alegria para isto, resolvi dar uma volta no parque que era logo ali para tentar esvaziar minha cabeça dos pensamentos ruins que passaram o dia me consumindo. Enquanto descansava na grama, avistei um papel que estava grudado em uma árvore e, por curiosidade, resolvi lê-lo, mesmo sabendo que tudo o que eu lera até ali havia mexido comigo de uma forma estranha. "Seja cuidadoso com o que você pensa, porque seus pensamentos dirigem sua vida".



Aquilo me causou uma sensação horrível e pude sentir um aperto no meu coração. Parecia que ia explodir e então... O despertador tocou. Estava suada. Olhei para o lado para verificar onde eu realmente estava... Foi um sonho, apenas um sonho! Apenas um sonho que me tocara profundamente e me fizera mudar de atitudes.

Desde então passei a pensar que aquela dor que sentira no peito enquanto sonhava, era simplesmente a dor que eu causava aos outros quando os menosprezava. Aquele sonho fez minha consciência pesar.


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