A reconstruçÃo do pós-guerra



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História A 12º Ano

17/fevereiro



A RECONSTRUÇÃO DO PÓS-GUERRA

A DEFINIÇÃO DE ÁREAS DE INFLUÊNCIA

Com o fim da Segunda Guerra Mundial a Alemanha e o Japão, que sonhavam com grandes domínios territoriais, saíram da guerra totalmente vencidos e humilhados.

O Reino Unido e a Franca, embora vencedores, estavam empobrecidos e dependentes da ajuda externa.

Perante a ruína do pós-guerra só duas potências permaneciam fortes:

- URSS: escudada na força do Exército Vermelho e na sua imensa extensão geográfica;

-EUA: indiscutivelmente a primeira potência mundial.


  • A construção de uma nova ordem internacional: as conferências de paz

Com o aproximar do fim da Segunda Guerra Mundial os Aliados (vencedores) começam a delinear estratégias para o período de paz que viria.

Entre 4 e 11 de fevereiro de 1945, Roosevelt (presidente americano), Churchill (primeiro ministro inglês) e Estaline (secretário geral do partido comunista – URSS) reúnem-se nas termas de Ialta (nas margens do Mar Negro), com o objetivo de estabelecerem as regras que devem sustentar a nova ordem internacional do pós-guerra.


Conferência de Ialta:

- Definiram-se as fronteiras da Polónia, ponto de discórdia entre os ocidentais – que não esqueciam ter sido a violação das fronteiras polacas a causa imediata da guerra – e os soviéticos – que não desistiam de ocupar a parte oriental do país;

- Estabeleceu-se a divisão provisória da Alemanha em quatro áreas de ocupação, geridas pelas três potências conferencistas e pela França, sob a coordenação de um Conselho Aliado;

- Marcação da reunião da conferência preparatória da ONU;

- Supervisão dos três grandes na futura constituição dos países de Leste, ocupadas pelo eixo;

- Estabelecimento de 20.000 milhões de dólares como base das reparações da guerra devidas pela Alemanha.


Alguns meses mais tarde, em finais de julho de 1945, reuniu-se em Potsdam (perto de Berlim) uma nova conferência com o fim de consolidar os alicerces da paz.

Decorreu num clima mais tenso que a de Ialta.

Vencida a Alemanha, renasciam as desconfianças face ao regime comunista que Estaline representava e às suas pretensões expansionistas na Europa.

Deste modo, a conferência encerrou sem alcançar uma solução definitiva para os países vencidos, limitando-se a ratificar e a pormenorizar os aspetos já acordados em Ialta.


Conferência de Potsdam:

- Perda provisória da soberania alemã e sua divisão em quatro zonas de influências;

- Administração conjunta da cidade de Berlim, igualmente dividida em quatro zonas de ocupação;

- Montante e tipo de indemnizações a pagar pela Alemanha;

- Julgamento dos criminosos de guerra nazis, através da criação do Tribunal Internacional de Nuremberga;

- Divisão, ocupação e desnazificação da Áustria, em moldes semelhantes aos estabelecidos para a Alemanha.




  • Um novo quadro político

Nó pós-guerra aumenta a importância da URSS a nível internacional. No último ano do conflito, na sua marcha vitoriosa até Berlim, coubera ao Exército Vermelho a libertação dos países da Europa Ocidental. Na Polónia, Checoslováquia, Hungria, Roménia e Bulgária, os soldados russos substituíram os ocupantes nazis.

Entre 1946 e 1948, estes países encaminharam-se para o socialismo, constituindo as democracias liberais.

Este rápido processo de sovietização foi, de imediato, contestado pelos ocidentais. Churchill denunciou a criação, por parte da URSS, de uma área de influência impenetrável, isolada do ocidente por uma “cortina de ferro”1.
A ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS

Após o fracasso da SDN a ideia de uma organização internacional que assegurasse a paz e a segurança permaneceu.

Deste modo, Franklin Roosevelt, nas cimeiras da “Grande Aliança” criou uma organização mais consistente – a ONU.

Este projeto ficou acordado em 1943 na Conferência de Teerão e foi ratificado em Ialta onde se decidiu a convocação de uma conferência para redigir e aprovar a carta fundadora das nações unidas.

Esta, iniciou-se no dia 25 de Abril de 1945 em São Francisco, tendo como princípios fundamentais:

- Manter a paz e reprimir os atos de agressão, utilizando meios pacíficos, de acordo com os princípios da justiça e o direito internacional;

- Desenvolver relações de amizade entre as países do mundo, baseadas na igualdade entre os povos e no seu direito à autodeterminação;

- Desenvolver a cooperação internacional no âmbito económico, social e cultural e promover a defesa dos Direitos Humanos;

- Funcionar como centro harmonizador das ações tomadas para alcançar estes propósitos.


  • A defesa dos Direitos do Homem

Após as atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial com o holocausto e disposta a impedi-las no futuro, a ONU tomou uma feição profundamente humanista, através do reforço, em 1948, da Declaração Universal dos Direitos do Homem substituindo a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que passou a integrar os documentos fundamentais das Nações Unidas.

Este documento definia os direitos e as liberdades fundamentais (direito à vida, liberdade de reunião, expressão, etc.) e também tivera sido atribuído um papel importante às questões económico-sociais (direito ao trabalho, ao descanso, ao ensino…).




  • Órgãos de funcionamento

A Carta das Nações Unidades definiu também os órgãos básicos do funcionamento da instituição:

- Assembleia Geral: formada pela generalidade dos Estados-membros, funciona como um parlamento;

- Conselho de Segurança: formado por 15 membros (cinco dos quais permanentes – EUA, URSS, Reino Unido, França e República Popular da China) e 10 flutuantes eleitos pela Assembleia-Geral por dois anos. É o órgão diretamente responsável pela manutenção da paz e da segurança: atua como mediador, decreta sanções económicas e em último caso decide a intervenção das forças militares;

- Secretariado-Geral: representa a ONU e, com ela, praticamente todos os povos do mundo;

- Conselho Económico-Social: encarregado de promover a cooperação a nível económico, social e cultural entre as nações. Atua através de instituições especializadas e outros órgãos específicos que se encontram sob a sua tutela: BIRD, FAO, OIT, OMS. É um dos órgãos mais ativos e importantes da ONU.

- Tribunal Internacional da Justiça: é o órgão máximo da justiça internacional;

- Conselho de Tutela: órgão criado com o fim principal de administrar os territórios que outrora se encontravam sob a alçada da SDN;
A ONU tem sede em Nova Iorque desde 1952, contando com 192 países.

AS NOVAS REGRAS DA ECONOMIA INTERNACIONAL



  • O ideal de cooperação económica

O planeamento do pós-guerra não se processou somente a nível político. Em julho de 1944, um grupo de economistas (dos quais um deles era Keynes, ligado ao intervencionismo) reuniu-se em Bretton Woods (EUA) a fim de prever e estruturar a situação monetária e financeira do período de paz.

Com o fim da guerra tornava-se essencial regularizar o comércio mundial, os pagamentos e a circulação de capitais, evitando o círculo vicioso de desvalorizações monetárias e a instabilidade das taxas de câmbio dos anos 20 e 30.

Assim, para garantir a estabilidade das moedas criou-se um novo sistema monetário internacional: o dólar era a moeda-padrão e as restantes moedas tiveram sido convertidas em ouro ou dólar.

Na mesma conferência e com o objetivo de operacionalizar o sistema criaram-se dois organismos importantes:

- FMI (Fundo Monetário Internacional) ao qual recorreriam os bancos centrais dos países com dificuldades em manter a paridade fixa da moeda ou equilibrar a sua balança de pagamentos;

- Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BIRD) também conhecido como Banco Mundial, destinado a financiar projetos de fomento económico a longo prazo.


Em 1947, na Conferência Internacional de Genebra, assina-se um Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT) onde 23 países se comprometeram a negociar a redução dos direitos alfandegários e outras restrições comerciais. Isto permitia melhorar as condições de vida, garantia o emprego, permitia o crescimento da produção e do consumo e a expansão das trocas de mercadorias.

Esta ideia de um espaço económico alargado deu origem, nesse mesmo ano, à BENELUX: aliança entre a Bélgica, Holanda e Luxemburgo, prevendo a abolição das tarifas alfandegárias entre os três países.


A PRIMEIRA VAGA DE DESCOLONIZAÇÃO

  • Uma conjuntura favorável à descolonização

A primeira vaga de descolonização deu-se logo a seguir à Segunda Guerra Mundial, iniciando-se no continente asiático e no Médio Oriente e percorrendo ao Norte de África.

A guerra tivera exigido pesados sacrifícios às colónias, sendo que esta também tivera posto em evidência as fragilidades da Europa. Até aí, vistos como invencíveis, os estados europeus mostraram-se incapazes de defender os seus territórios da invasão estrangeira, tal como a Ásia.

Aos efeitos demolidores da guerra juntaram-se as pressões exercidas pelas duas superpotências, que apoiam os esforços de libertação dos povos colonizados.

Os EUA em lembrança do seu próprio passado e em defesa dos seus interesses económicos sempre se mostraram adversos à manutenção do sistema colonial.

A URSS atua em nome da ideologia marxista – que prevê a revolta dos oprimidos pelos interesses económicos capitalistas e não desperdiça a possibilidade de estender, nos países recém-formados, o modelo soviético.

A ONU, por sua vez, defendia a descolonização, pois segundo a Carta os países tinham direito à autodeterminação.




  • A descolonização asiática

No Médio Oriente tornam-se independentes a Síria, Líbano, Jordânia e Palestina onde em 1948 nasce Israel.

Na Índia, no decorrer da guerra, o partido do congresso liderado por Gandhi obtivera através de Churchill a promessa da retirada inglesa. No entanto, devido ao antagonismo entre as comunidades hindu e muçulmana os britânicos atrasaram o processo que só em 1947 se concretiza ficando a Índia dividida em dois estados: União indiana (hindu) e o Paquistão (muçulmano).

Ceilão, Birmânia e Malásia também reclamaram a sua independência. Com exceção da Malásia, cuja posição estratégica dificultou a cedência britânica os ingleses aceitaram a descolonização.

Também Holandeses e Franceses são obrigados a abrir mão das suas colónias.

Em 1945, o dirigente nacionalista Sukarno proclama a República da Indonésia. Pouco dispostos a abdicar do território, os Holandeses recorrem à força das armas, mas pressionados pela ONU acabam por reconhecer, em 1949, a independência do novo país.

O processo de descolonização da Indonésia mostrou-se mais violento e sangrento pois a ocupação japonesa fomentara fortes sentimentos antifranceses. A guerra da Indochina acaba por adquirir um cariz ideológico visto como uma tentativa de extensão do comunismo na Ásia, já que o líder Ho Chi Minh era comunista. Só em 1945, os franceses vencidos se retiram reconhecendo o nascimento de novas nações: Vietname, Laos e Cambodja.


O TEMPO DA GUERRA FRIA – A CONSOLIDAÇÃO DE UM MUNDO BIPOLAR

UM MUNDO BIPOLAR



  • A rutura

Quando em 1946, Churchill afirmou que uma “cortina de ferro” dividia a Europa, o processo de sovietização dos países de Leste era já irreversível. Sob a tutela diplomática e militar da URSS, os partidos comunistas ganhavam forças e, progressivamente, tomavam o poder. Para coordenar a sua atuação, tornando-se mais eficiente, criou-se, em 1947, o Kominform (Secretariado de Informação Comunista) que se tornou um importante organismo de controlo por parte da URSS.

Um ano passado sobre o alerta de Churchill, os EUA assumem a liderança da oposição aos avanços do socialismo2.

É neste contexto que o presidente Truman alarga a divisão europeia ao mundo que está dividido em dois sistemas antagónicos: um baseado na liberdade e outro na opressão. Aos americanos cabe a liderança do undo livre na contenção do comunismo.

À doutrina Truman opõe-se a doutrina Jdanov, que segundo o dirigente soviético afirma que o mundo se divide, de facto, em dois sistemas contrários: um, imperialista e antidemocrático – liderado pelos EUA – e outro em que reina a democracia e a fraternidade entre os povos, correspondente ao mundo socialista – liderado pela URSS.

Para além de formalizar a divisão do mundo em duas forças opostas, a doutrina Truman deixava também clara a necessidade de ajudar a Europa a reerguer-se economicamente.

As perdas humanas e materiais tinham sido pesadíssimas e os EUA tiveram ajudado a Europa.

É neste contexto que o secretário de Estado americano Marshall anuncia, em junho de 1947, um plano de ajuda económica à Europa.

Este plano foi oferecido a toda a Europa, incluindo os países que se encontravam já sob influência soviética, mas esta ténue tentativa de aproximação não teve êxito. Moscovo classifica a ajuda americana de “manobra imperialista” e impede os países sob sua influência de a aceitaram.

Em janeiro de 1959, Moscovo lança o plano Molotov, que estabelece as estruturas de cooperação económica da Europa Oriental.

Foi no âmbito deste plano que se criou o COMECON (Conselho de Assistência Económica Mútua), instituição destinada a promover o desenvolvimento integrado dos países comunistas, sob proteção da União Soviética.

Os países abrangidos pelo Plano Marshall e os países do COMECON funcionaram como áreas transnacionais, coesas e distintas uma da outra.

A divisão do mundo em dois blocos antagónicos consolidou-se, tal como a liderança das duas superpotências.




  • O primeiro conflito: a questão alemã

Este clima de desentendimento e confrontação refletiu-se de imediato na gestão conjunta do território alemão, que na sequência da Conferência de Potsdam se encontrava dividido e ocupado pelas quatro potências vencedoras.

A expansão do comunismo no primeiro ano da paz fez com que ingleses e americanos olhassem a Alemanha, não já como o inimigo vencido, mas como um aliado imprescindível à contenção do avanço soviético.

O renascimento alemão tornou-se uma prioridade para os americanos, que intensificaram os esforços para a criação de uma república federal constituída pelos territórios sob ocupação das três potências ocidentais – República Federal Alemã (RFA).

A União Soviética protestou vivamente contra aquilo que considerava uma violação dos acordos estabelecidos, mas acabou por desenvolver uma atuação semelhante na sua própria zona que conduziu à criação de um Estado paralelo, sob a alçada soviética – República Democrática Alemã (RDA).

Esta divisão fez com que houvessem discórdias quanto a Berlim, uma vez que ainda lá estavam as forças militares das três potências ocidentais.

Numa tentativa de forçar a retirada dessas forças, Estaline bloqueia aos três aliados todos os acessos terrestres à cidade.

O Bloqueio de Berlim, que se prolongou de junho de 1948 a maio de 1949, foi o primeiro medir de forças entre as duas superpotências.

Assim, três anos passados sobre o fim da Segunda Guerra, os antigos aliados tinham-se tornado rivais e a sua rivalidade dividia o mundo, pondo em risco os esforços da paz.

Nas décadas que se seguiram, as relações internacionais refletiram esta instabilidade e impregnaram-se de um clima de forte tensão: foi o tempo da Guerra Fria.


  • A Guerra Fria

O afrontamento entre as duas superpotências e os seus aliados prolongou-se até meados dos anos 80, altura em que o bloco soviético mostrou os primeiros sinais de fraqueza.

Durante este longo período, os EUA e a URSS intimidaram-se mutuamente gerando um clima de hostilidade e insegurança que deixou o mundo num permanente sobressalto. É este clima de tensão internacional que se designa por Guerra Fria.

A Guerra fria caracterizou-se por cada bloco se procurar superiorizar ao outro, quer em armamento como na ampliação das suas áreas de influência. Enquanto isso, a propaganda incutia nas populações a ideia da superioridade do seu sistema e a rejeição e o temor do lado contrário, ao qual se atribuíam as intenções mais sinistras e os planos mais diabólicos.

As duas superpotências defendiam conceções opostas de organização política, vida económica e estruturação social: de um lado, o liberalismo assente sobre o princípio da liberdade individual; do outro, o marxismo, que subordina o indivíduo ao interesse da coletividade.


O MUNDO CAPITALISTA

  • A política de alianças dos EUA

Uma vez enunciada a doutrina Truman, os EUA empenharam-se por todos os meios na contenção do comunismo. O Plano Marshall foi o primeiro passo nesse sentido, pois permitiu a reconstrução da economia europeia em moldes capitalistas mas também estreitou os laços entre a Europa Ocidental e os seus “benfeitores” americanos.

Em termos político-militares, a aliança entre os ocidentais não tardou a oficializar-se. A tensão provocada pelo bloqueio de Berlim acelerou as negociações que conduziram, em 1949, ao Tratado do Atlântico Norte, entre os EUA, Canadá e dez nações europeias. A operacionalização deste tratado deu origem à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN)3.

Esta aliança apresentava-se como uma organização puramente defensiva, empenhada em resistir a um inimigo: a URSS.

Esta sensação de ameaça e vontade de consolidar a sua área de influência levaram os EUA a constituir várias alianças, um pouco por todo o mundo. Para além da OTAN, firmaram-se alianças multilaterais:

- América, 1948 a OEA (Organização dos Estados Americanos);

- Oceânia, 1951 a ANZUS (Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos);

- Sudoeste Asiático, 1954 a OTASE (Organização do Tratado da Ásia de Sudoeste);

- Médio Oriente, 1955 Pacto de Bagdade e 1957 CENTO (Organização do Tratado Central).




  • A política económica e social das democracias ocidentais

No fim da Segunda Guerra Mundial, o conceito de democracia adquiriu, no Ocidente, um novo significado – para além do respeito pelas liberdades individuais, do sufrágio universal e do multipartidarismo, considerou-se que o regime democrático deveria assegurar o bem-de-estar dos cidadãos e a justiça social.

A Grande Depressão já tinha mostrado a importância de um estado económico e socialmente interventivo, e o estado da Europa no pós-guerra exigia orientações firmes de modo a assegurar a reconstrução. Assim, as duas forças políticas que nesta época sobressaíram na Europa – o socialismo reformista e a democracia cristã – encontravam-se fortemente impregnadas de preocupações sociais.

Embora de quadrantes muito diferentes, socialistas e democratas-cristãos saíram da guerra prestigiados: ambos tinham lutado contra os regimes autoritários vencidos e apresentando alternativas aos partidos liberais.

É assim, que logo em 1945, as eleições inglesas dão a vitória ao Partido Trabalhista (social-democrata), liderado por Clement Atlee, que substitui Churchill (partido conservador) à frente do Governo Britânico.

Um pouco por todo o lado, partidos de orientação social-democrata viram elevar-se os seus resultados eleitorais, tendo, em alguns caso, tomando também as rédeas do poder, como aconteceu na Holanda, nos países escandinavos (Dinamarca, Noruega, Suécia) e na RFA (no fim dos anos 60).

Os adeptos da social-democrata conjugam a defesa do pluralismo democrático e dos princípios da livre concorrência económica com o intervencionismo do Estado, cujo objetivo é o de regular a economia e promover o bem-estar dos cidadãos.

Assim, os sociais-democratas defendem o controlo estatal dos setores-chave e uma forte tributação aos rendimentos mais elevados. Rejeitavam a ideologia marxista e contentavam-se com a distribuição da riqueza pelos cidadãos através do reforço da proteção social.

Na Itália e na RFA o receio da ideologia dos socialistas deu vitória eleitoral aos democratas cristãos.

A democracia-cristã tem origem na doutrina social da igreja que condena os excessos do liberalismo capitalista, atribuindo igualmente aos estados a missão de zelar pelo bem comum. Os democratas-cristãos consideram que o plano temporal e espiritual, embora distintos, não se podem separar. Os princípios do cristianismo devem influenciar todas as ações dos cristãos.

Propõem uma orientação profundamente humanista, apoiada na liberdade, na justiça e na solidariedade.


Sociais-democratas e democratas-cristãos convergem no mesmo propósito de promover reformas económicas e sociais profundas. Na Europa do pós-guerra, os governos lançam-se num vasto programa de nacionalizações que atinge bancos, companhias de seguro, transportes, etc. O Estado torna-se o principal agente económico do país, o que lhe permite exercer a sua funcao reguladora da economia. Revê-se também o sistema de importos reforçando o caráter progressivo das taxas e permite assegurar uma redistribuição mais equitativa da riqueza nacional.

Estas medidas modificaram a conceção liberal do Estado dando origem ao Estado-Providência.




  • A afirmação do Estado-Providência

O Reino Unidade foi o primeiro país com o Estado do bem-estar, onde cada cidadão tem asseguradas as suas necessidades básicas.

Beveridge confiava que um sistema social alargado teria como efeito a eliminação dos “cinco grandes males sociais”: carência, doença, miséria, ignorância e ociosidade.

A abrangência das medidas adotadas em Inglaterra e, sobretudo, a ousadia do estabelecimento de um sistema nacional de Saúde assente na gratuidade total dos serviços médicos e extensivos a todos os cidadãos, serviram de modelo à maioria dos países europeus.

A estruturação do Estado-Providência na Europa do pós-guerra fez-se rapidamente. O sistema de proteção social generaliza-se a toda a população passando a acautelar as situações de desemprego, acidente, velhice e doença; estabelecem-se prestações de ajuda familiar (abono) e outros subsídios aos mais pobres. Complementarmente, ampliam-se as responsabilidades do Estado no que pertence à habitação, ao ensino e à assistência médica.

Este conjunto de medidas visa um duplo objetivo:

- Reduz a miséria e o mal-estar social contribuindo para uma repartição mais equitativa da riqueza;

- Assegura uma certa estabilidade à economia, já que evita descidas drásticas da procura como a que ocorreu durante a crise dos anos 30.
Assim, o Estado-Providência contribuiu para a prosperidade económica que o Ocidente viveu nas três décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial.


  • A prosperidade económica

O crescimento económico do pós-guerra estruturou-se em bases sólidas.

Os governos não só assumiram grandes responsabilidades económicas, como delinearam planos de desenvolvimento coerentes, que permitiram estabelecer prioridades, rentabilizar a ajuda Marshall e definir diretrizes futuras.

Externamente, os acordos de Bretton Woods4 e a criação de espaços económicos alargados (como a CEE) tiveram um papel semelhante, harmonizando e fomentando as relações económicas internacionais.
O capitalismo, que na década de 30 parecera condenado pela Grande Depressão, emergiu dos escombros da guerra e atingiu o seu auge. Entre 1945 e 1973, a produção mundial mais do que triplicou e, em certos setores, como a produção energética e a automóvel, multiplicou-se por dez.

As economias cresceram de forma contínua, sem períodos de crise. As taxas de crescimento, especialmente altas de certos países como a RFA, França ou o Japão surpreenderam os analistas, que começaram a referir-se-lhes como “milagre económico”. Estes cerca de trinta anos de uma prosperidade material sem precedentes ficaram na História como os “Trinta Gloriosos”.

A expansão económica dos “Trinta Gloriosos” conjuga o desenvolvimento de processos já iniciados com aspetos completamente novos. Entre os seus traços característicos podemos destacar:

- Aceleração do progresso tecnológico, que atingiu todos os setores desde as fibras sintéticas, aos plásticos, medicina, aeronáutica, eletrónica, entre muitos outros. Rapidamente produzidas em série, as inovações tecnológicas revolucionaram a vida quotidiana e os processos de produção;

- Recurso ao petróleo como matéria energética por excelência, em detrimento do carvão. A extração do “ouro negro” coubera até à Segunda Guerra Mundial aos EUA e a partir dos anos 60 deslocara-se para os países do Médio Oriente, que se tornam os seus principais fornecedores. A abundância e o baixo preço do petróleo alimentaram a prosperidade económica, permitindo uma autêntica revolução nos transportes, para além de uma enorme gama de novos produtos industriais;

- Aumento da concentração industrial e do número de multinacionais, verdadeiros gigantes económicos que fabricam e comercializam os seus produtos nos quatro cantos do Mundo. Presentes em praticamente todos os setores (matérias-primas, transportes, comunicações, siderurgia, eletrónica, alimentação…) estas empresas investem grandes somas na investigação científica, contribuindo para a aceleração do progresso técnico a que nos referimos;

- Aumento significativo da população ativa proporcionado pelo reforço de mão de obra feminina no mercado de trabalho, o baby-boom5 dos anos 40-60 e a imigração de trabalhadores oriundos de países menos desenvolvidos. Para além disto, a mão de obra tornou-se mais qualificada, em virtude do prolongamento da escolaridade, sendo somente os imigrantes a desempenhar os trabalhos que não requeriam um alto nível de formação profissional, e sendo por isso, mal remunerados;

- Modernização da agricultura, setor onde a produtividade aumenta, de tal como que permite aos países desenvolvidos passarem de importares a exportadores de produtos alimentares. Renovada por grandes investimentos, novas tecnologias e uma mentalidade verdadeiramente empresarial, a agricultura libera, em pouco tempo, grandes quantidades de mão de obra, que migra para os núcleos urbanos. Este êxodo rural contribuiu para alterar a relação entre os três setores de atividade;

- Crescimento do setor terciário, que tende a absorver a maior percentagem de trabalhadores. O surto espetacular das trocas comerciais, a aposta no ensino, os serviços sociais prestados pelo Estado e a complexidade crescente da administração das empresas multiplicaram o número de postos de trabalho neste setor. Assim, as classes médias alargam-se, o que contribuiu para a subida do nível de vida e para o equilíbrio social.


O efeito mais evidente dos “Trinta Gloriosos” foi a generalização do conforto material. O pleno emprego, os salários altos e a produção maciça de bens a preços acessíveis conduziram à sociedade de consumo, que transformou os lares e o estilo de vida da maioria da população dos países capitalistas.

Quando os gastos na alimentação e em outros bens essenciais deixaram de absorver a quase totalidade dos orçamentos familiares, as casas tornaram-se cómodas e bem equipadas. Os aparelhos de aquecimento, o telefone, a televisão e toda uma vasta gama de eletrodomésticos multiplicaram-se rapidamente e o automóvel tomou o seu lugar nas garagens e nas ruas, proporcionando longos passeios de lazer. As férias pagas, privilégio que se alargou nos anos 60, vieram acentuar a ideia de que a vida merece ser desfrutada e o dinheiro existe para se gastar. O cidadão comum é permanentemente estimulado a despender mais do que o necessário. Multiplicam-se os grandes espaços comerciais. Uma publicidade bem orquestrada lembra as maravilhas a que todos “têm direito” e que as vendas a crédito permitem adquirir.

A oferta e a pressão publicitária são de tal ordem que os bens rapidamente perdem valor, “passam de moda” e se substituem por outros mais atualizados.
O MUNDO COMUNISTA

Em 1945, quando o segundo conflito mundial terminou, existiam no mundo apenas dois países comunistas: a URSS e a Mongólia. Entre 1945 e 1949, o comunismo implanta-se na Europa Oriental, na Coreia do Norte e na China. Nos anos 50 e 60 continua o seu progresso na Ásia e em Cuba. Na década de 70, difunde-se na África Negra.



  • O expansionismo soviético

A expansão do mundo comunista fez-se, em grande parte, pela URSS. Após a Segunda Guerra Mundial, o reforço da posição militar soviética e o desencadear do processo de descolonização criaram condições favoráveis quer à extensão do comunismo, quer ao estreitamento dos laços de amizade e cooperação entre Moscovo e os países recentemente emancipados. A URSS saiu, assim, do isolamento a que estivera votada desde a Revolução de outubro, alargando a sua influência nos quatro continentes.
Europa:

A primeira vaga de extensão do comunismo atingiu a Europa Oriental e, com exceção da Jugoslávia, fez-se sobre a pressão direta da URSS. Em meados de 1948, os partidos comunistas dos países de Leste tinham-se já assumido como partidos únicos e, em pouco tempo, a vida política, económica e social destas regiões foi reorganizada em moldes semelhantes aos da União Soviética.

Os novos países socialistas receberam a designação de democracias populares. Por oposição às democracias liberais, julgadas incapazes de garantir a verdadeira igualdade devido à persistência dos privilégios de classe, as democracias liberais defendem que a gestão do Estado pertence, somente, às classes trabalhadoras. Estas constituem a maior, exercem o poder através do Partido Comunista que, supostamente, representa os seus interesses.

Em 1955, os laços entre as democracias populares foram reforçadas com a constituição do Pacto de Varsóvia, aliança militar que previa a resposta conjunta a qualquer eventual agressão.

Considerando-se a “pátria do socialismo”, a União Soviética impôs um modelo único e rígido, do qual não admitiu desvios. É assim que, quando estalaram protestos e rebeliões contra o seu excessivo domínio, Moscovo não hesitou em utilizar a força para manter a coesão do seu bloco. Os dois casos mais graves ocorreram na Hungria, em 1956, e na Checoslováquia, em 1968. As ruas de Budapeste e de Praga viram-se, então, ocupadas pelos tanques soviéticos. Este desejo de manter intocada a hegemonia comunista na Europa Oriental conduziu também, em 1961, à construção do célebre muro de Berlim, que rapidamente se tornou no símbolo da Guerra Fria na Europa e no Mundo.
Ásia:

Fora da Europa, o único país em que a implantação do regime comunista que ficou a dever à intervenção direta da URSS foi a Coreia.

Ocupada pelos Japoneses, a Coreia foi, no fim da Segunda Guerra Mundial, libertada pela ação conjunta dos exércitos soviético e americano, que, naturalmente, não se entenderam quanto ao futuro regime político do país. A Coreia foi, por isso, dividida em dois estados: a norte, a República Popular da Coreia, comunista, apoiada pela URSS; a sul, a República Democrática da Coreia, conservadora, sustentada pelos Estados Unidos. A posterior invasão da Coreia do Sul pela República Popular do norte, com vista á reunificação do território sob a égide do socialismo, desencadeou uma violenta guerra (1950-1953). Por fim, repôs-se a separação entre as duas Coreias, que se mantêm estados rivais ainda hoje.

A China, onde, em outubro de 1949, Mao Tsé-Tung proclamou a instauração de uma República Popular. A tomada do poder pelos comunistas chineses foi uma longa luta, que se iniciara nos anos 20 e se reacendera após a Segunda Guerra Mundial. Embora o apoio de Moscovo aos revolucionários não possa considerar-se decisivo para a vitória alcançada, poucos meses decorridos desde a formação do novo Governo, Mao Tsé-Tung e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Chou En Lai, assinam, em Moscovo, um Tratado de Amizade, Aliança e Assistência Mútua, que coloca a China na esfera soviética.

Apesar de se ter afastado da URSS, a China seguiu o modelo político e económico do socialismo russo. A China Popular assumiu, ao lado da URSS, as suas obrigações na difusão do comunismo.
América Latina e África:

A influência soviética estende-se, nos anos 60 e 70, à América Latina e à África (com a descolonização, nomeadamente Angola e Moçambique).

O ponto fulcral da expansão comunista na América Latina foi Cuba. Em 1959, um punhado de revolucionários, sob o comando de Fidel Castro e do mítico Che Guevara, derruba o ditador pró-americano Fulgêncio Batista. As preocupações socializantes do novo regime cubano valem-lhe a hostilidade de Washington, que apadrinha mesmo uma tentativa falhada de retoma do poder por exilados anticastristas (desembarque na Baía dos Porcos, com o objetivo de matar Fidel Castro).

Fidel Castro aceita o apoio da URSS e Cuba transforma-se num bastião avançado do comunismo na América Central. A permanência soviética em Cuba confirma-se quando, em 1962, aviões americanos obtêm provas fotográficas da instalação, na ilha, de mísseis russos de médio alcance, capazes de atingir o território americano. A exigência firme de retirada dos mísseis, feita pelo presidente Kennedy, coloca o Mundo perante a eminência de uma guerra nuclear entre as duas superpotências. Felizmente, a crise acaba por resolver-se com cedências mútuas: Kruchtchev aceita retirar os mísseis, enquanto os Estados Unidos se comprometem a não tentar derrubar, novamente, o regime cubano. Cuba desempenhará um papel ativo na proliferação do comunismo.

Tal como o continente asiático, a África, recém-descolonizada, mostrou-se bastante permeável à influência soviética.



  • Opções e realizações da economia de direção central

Logo que a guerra terminou, a URSS retomou o modelo de planificação económica: planos quinquenais e a partir de 1958 septenais, sendo a primeira prioridade a indústria pesada. Imensos complexos siderúrgicos e centrais hidroelétricas fazem da União Soviética a segunda potência industrial do Mundo e garantem-lhe o poder militar necessário ao afrontamento dos tempos da Guerra Fria.

Nos países de Leste, a proclamação das Repúblicas Populares implanta também o modelo económico soviético. Os meios de produção são coletivizados e reorganizados em moldes idênticos aos da URSS, sendo a prioridade absoluta a industrialização, baseada na indústria pesada.

Os novos países socialistas europeus, com exceção da Checoslováquia e da RDA, eram essencialmente agrícolas, industrializaram-se rapidamente.
No entanto, o nível de vida das populações não acompanha esta evolução económica. As jornadas de trabalho mantêm-se excessivas (cerca de 10 horas), os salários sobem a um ritmo muito lento e as carências de bens de toda a espécie mantêm-se. Negligenciados pelos primeiros planos, a agricultura, a construção habitacional e o setor terciário avançam lentamente. Nas cidades, que a industrialização fez crescer a um ritmo muito rápido, a população amontoa-se em bairros periféricos, superpovoados e doentias. As longas filas de espera para adquirir bens essenciais tornam-se uma rotina diária.
Os bloqueios económicos

Passado o primeiro impulso industrializador, as economias planificadas começam a mostrar, de forma mais evidente, as suas debilidades:

- As empresas não gozam de autonomia na seleção das produções, equipamentos, trabalhadores, fixação de salários e preços ou na escola de fornecedores e clientes;

- Gestão burocrática que se limita a cumprir as quantidades previstas no plano, sem olhar à qualidade ou rentabilidade dos equipamentos e da mão de obra;

- Bens de consumo escassos;

- Poucos produtos agrícolas, dado que a agricultura não é prioridade;

- Habitações caras, optando a população por viver na periferia sem condições.
Para ultrapassar os bloqueios económicos a URSS permite realizar reformas.

Nikita Krutchev vai alterar a planificação, tendo em conta o que levou ao bloqueio.

Em 1959, inicia-se um novo plano que reforça o investimento nas indústrias de consumo, na habitação e na agricultura. Paralelamente, a duração do trabalho semanal reduz-se (de 48 para 42 horas), bem como a idade de reforma, que se estende, pela primeira vez aos trabalhadores agrícolas. Nas empresas procura-se incentivar a produtividade, aumentando a autonomia dos gestores e iniciando um sistema de prémios aos trabalhadores mais ativos.
No entanto, estas medidas não superaram as expectativas. Na década de 70, sob a orientação de Brejnev, a burocracia reforça-se e o 9º e 10º plano voltam a dar grande prioridade ao complexo militar-industrial e à exploração dos recursos naturais (ouro, gás e petróleo da Sibéria). Porém, os custos de exploração do território siberiano revelam-se excessivos e a economia soviética entra num período de estagnação.

As dificuldades soviéticas refletiram-se, de forma mais ou menos graves, em todos os países satélite.

Embora não podendo dissociar-se da crise económica que, na década de 70, afetou o mundo industrializado, a estagnação das economias de direção central reflete, sobretudo, as faltas do sistema, que se foram agravando ao longo das décadas. Inultrapassáveis, estes bloqueios económicos conduzirão à falência dos regimes comunistas europeus, no fim dos anos 80.
A ESCALADA ARMENTISTA E O INÍCIO DA ERA ESPACIAL


  • A escalada armamentista

Em 1945, após a Segunda Guerra Mundial só os EUA tinham a bomba atómica. Em 1949, os Russos fizeram explodir a sua primeira bomba atómica, desmoronando-se, assim, a confiança do Ocidente.

De imediato, os cientistas incrementaram as pesquisas de uma arma mais destrutiva, testada em 1952 no Pacífico – a bomba de hidrogénio.

No ano seguinte, já a URSS tinha a bomba de hidrogénio.

Embora o caráter revolucionário deste novo rearmamento se encontre na produção de bombas atómicas e no desenvolvimento de mísseis de longo alcance para as lançar, o Mundo viu também multiplicarem-se as armas ditas “convencionais”.

O poder de destruição das novas armas introduziu na política mundial uma característica nova: a dissuasão. Cada um dos blocos procurava persuadir o outro de que usaria, sem hesitar, o seu potencial atómico em caso de violação das respetivas áreas de influência. Advertências, ameaças, movimentações de tropas e material de guerra faziam parte desta estratégia dissuasora que a natureza apocalíptica de um confronto nuclear torno eficaz. O mundo tinha resvalado, nas palavras de Churchill, para o “equilíbrio instável do terror”.



Cientes de que a superioridade tecnológica poderia ser decisiva, as duas superpotências dedicaram grande atenção aos ramos da Ciência relacionados com o equipamento militar.

A URSS colocou-se à cabeça da conquista do Espaço quando, em outubro de 1957, conseguiu colocar em órbita o primeiro satélite artificial da História, o Sputnik 1. No mês seguinte, lançou o Sputnik 2, de maiores dimensões, levando a bordo a cadela Laika, que se tornou o primeiro viajante espacial.

Os Americanos, na ânsia de igualarem, no mesmo ano, a proeza russa, anteciparam o lançamento do seu próprio satélite, mas o foguetão que o impulsionava explodiu e a experiência foi um fiasco. Só no início de 1958, com o lançamento de Explorer 1, a América efetivaria a sua entrada na corrida ao Espaço.

Nos anos que se seguiram, a aventura espacial alimentou o orgulho nacional das duas nações. Nos primeiros tempos, os soviéticos mantiveram a liderança e, em 1961, fizeram de Yuri Gagarin o primeiro ser humano a viajar na órbita terrestre. No entanto, no fim da década de 60, coube aos americanos Neil Armstrong e Edwin Aldrin o feito de serem os primeiros homens a pisarem a Lua. Quando o Homem realizou o feito improvável de alcançar a Lua tornou-se evidente que essa mesma tecnologia estava a ser utilizada para a construção de armas capazes de aniquilarem toda a Humanidade.




1 Expressão utilizada para a divisão em dois da Europa: Europa Ocidental e Europa Oriental.

2 Esta posição inverte a tradicional postura de isolamentos dos EUA que olharam sempre com relutância a interferência direta na política internacional.

3 À OTAN opor-se-á o Pacto de Varsóvia, aliança militar liderada pelos soviéticos.

4 O dólar era a moeda-padrão e as restantes moedas tiveram sido convertidas em ouro ou dólar.

5 Os efeitos do baby-boom fizeram-se sentir na década de 60, embora os seus reflexos na economia sejam muito anteriores, já que o aumento do número de jovens, para além de alargar o mercado consumidor, obriga à construção de equipamentos importantes (hospitais, creches, escolas, etc.), criando numerosos postos de trabalho.



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