A (re) construção da rt resende através da autonomia e singularidade dos moradores no espaço coletivo Autora: Alana de Paula machado Co autores: Jacqueline Primo Balieiro Diniz e Maria Alzira L. Q. Lamin



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Encontro28.10.2017
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A (re) construção da RT Resende através da autonomia e singularidade dos moradores no espaço coletivo

Autora:Alana de Paula machado

Co autores: Jacqueline Primo Balieiro Diniz e Maria Alzira L. Q. Lamin

O interesse pelo tema: A (re) construção da RT Resende através da autonomia e singularidade dos moradores no espaço coletivo surgiu mediante a atuação profissional como Coordenadora do Serviço Residencial Terapêutico de Resende (SRT) desde Junho/2015. No cotidiano da RT, percebe-se as dificuldades dos cuidadores em trabalhar na perspectiva da atenção psicossocial investindo na contratualidade, como forma de promover a autonomia, indo de encontro à dependência de vínculos que são construídos nestes espaços que o sujeito percorre aonde a singularidade surge a partir da inserção da loucura em um espaço comum, e desta forma, possibilita promover o regaste da cidadania e identidade dos moradores, que carregam um histórico de longas internações psiquiátricas e/ou institucionalização.

Trabalhar a autonomia requer um investimento profissional que precisa ser estimulado, tanto pela gestão quanto pela supervisão, por isso, torna-se necessário um estudo minucioso do processo de trabalho e seus efeitos no intuito de garantir o cuidado clinico dentro da RT. Estudar esses processos de trabalho é fundamental para compreender o trabalho dentro da residência, dando sentido à adjetivação "terapêutica".

Desta forma, torna-se necessário a (re) construção permanente das propostas que alinham o trabalho da RT, que convive com a dicotomia entre ser um lar ou um serviço, que acabam por repercutir na dificuldade do morador em enxergar a RT como um lar, aonde os moradores reproduzem comportamentos institucionais, o que tende a retrair os laços sociais e afetivos e permite pensarmos se este local que chamamos de lar é capaz de promover a desinstitucionalização dos moradores.

Analisar essas relações será primordial para garantir a singularidade do morador, muitas vezes prejudicadas por ações na dinâmica da RT que podem vir a padronizar comportamentos e rotinas. O morador visto enquanto sujeito de direito e desejo se implica e responsabiliza-se diante de sua vida, que em muitos casos, foi pensada e comandada por outras pessoas ou por uma instituição, visto que muitos romperam com os vínculos familiares, sociais, e tem dificuldade de se encontrar no espaço urbano:

[...] espaço urbano, ao lugar que ocupam aqueles que sofreram entre tantos processos excludentes, o banimento e a reclusão: aqueles que não foram apenas retirados apenas do mundo de trabalho, mas de um território, de seus direitos sociais, de seu grupo social, de sua família, que precisam ter vários tipos de apoio para o retorno ao local do qual foram expulsos. (SCARCELLI, 2011, P.72).

Desta forma, esta projeto tem objetivo de identificar situações no processo de trabalho da RT e dos locais de circulação dos moradores, enfatizando a relação e o emponderamento dos cuidadores, valorizando as estratégias aplicadas por eles no cuidado com o morador, resignificadas clinicamente através da supervisão e coordenação.

O trabalho do cuidador é exercido através da proposta da atenção psicossocial enquanto garantia do direito da diferença, aonde o morador ocupa os espaços, seja na casa ou no território da forma que é possível e que deseja ser, e assim, poder (con) viver (n)as diferenças. Aonde serão valorizados os acordos estabelecidos com os moradores, através do acompanhamento terapêutico, assim as tarefas na casa e os espaços frequentados pelos moradores vão sendo construídos de acordo com sua demanda ou interesse, através de da escuta feita pelos profissionais da RT e do CAPS.

Esta análise pretende verificar o impacto da construção destes espaços de cidadania, como forma de transformar os laços sócio-afetivos, o viver na casa e os dispositivos de cuidado, ressaltando não só a necessidade de expandir quantificamente esses espaços na linha de cuidado do morador, mas compreender se é possível promover a mudança de quem cuida ou pode cuidar, aonde os sujeitos se afetam mutualmente, transformam seus olhares, e assim mostrar se é possível estes espaços serem cada vez mais comunitários e menos institucionais.

Neste viés, as ações que referentes ao processo de trabalho que já são promovidas podem ser analisadas em seus efeitos , na tentativa de fortalecer a RT no sentido de atribuir a um serviço, uma estrutura familiar, considerando que as relações de afeto não podem ser garantidas por portarias, mas podem ser potencializadas como ferramenta do cuidado com o outro.

Desta forma, analisar como o processo de trabalho que parece estar estabelecido, pode ser (re) inventado, considerando que se fragiliza muitas vezes neste ambiente de proteção, aonde os conflitos, gerados nos momentos de crise, e nas relações entre os cuidadores colocam em questionamento este lugar de afeto, deixando de lado a ideia de que o conflito esta presente em qualquer relação familiar.

Um instrumento importante neste processo, trabalhando concomitante com os cuidadores, será a avaliação dos resultados da proposta de trabalho do acompanhante terapêutico, que será executada em parceria com o CAPS de referência dos moradores, aonde os estagiários de Psicologia irão trabalhar com os moradores, o trânsito e circulação no território da nova RT, verificando se esta proposta subsidiará à aproximação dos moradores com a comunidade,e desta forma, poder transformar e ressignificar esses espaços e as posições subjetivas desses moradores.

Considerando que cada momento é único na vida do sujeito e surgem novos atores, este projeto pretende identificar quais são as estratégias que devem ser (re) experimentada em diversos contextos, algo que precisa ser trabalhado constantemente com os profissionais mais resistentes a (re)investir em alguns moradores. Para isso, será utilizadas as reuniões de equipe quinzenais, supervisão mensal, reuniões com os plantões, os registros diários no livro de ocorrência, incentivo a participação da equipe em eventos e capacitação, discussão de casos no CAPS e nos demais espaços frequentado pelos moradores. Concretizar as realização das reuniões de equipe não é fácil, pois trabalham em dias e horários diferenciados, por isso sensibilizamo-los da importância de discutir os casos, estar nos eventos e transformar a reunião como algo primordial para a direção de trabalho potencializando o que cada profissional têm de habilidade.

Pensar na (re) construção da RT Resende através da autonomia e singularidade dos moradores no espaço coletivo depende primeiramente em potencializar os moradores em relação à realização de cuidados que parecem mínimos, mas que farão toda a diferença neste processo, como por exemplo habilidade para transitar no território, saber o endereço e telefone da residência, conhecer as formas de transporte que podem utilizar, gerenciar e conhecer o dinheiro, saber quais medicações fazem uso, quantidade e horário, entre outras questões, que muitas vezes são deixadas de lado mediante a correria e dinâmica da RT, que muitas vezes não possuem profissionais suficientes, capacitados e com vontade para realizar este trabalho.



Esta pesquisa pretende recolher os efeitos das abordagens e estratégias que irão advir dessa mudança que permitam que os moradores desejem estar em outros espaços, realizem passeios coletivos ou individuais escolhidos por eles, aumente o contato, as visitas aos familiares e interajam mais nos encontros de famílias promovidos na RT. Aposta-se que pode inclusive diminuir o uso da medicação, internações no Serviço de Referência Hospitalar em Saúde Mental (SRHSM), assim como permitir cada vez mais o manejo das situações de crise na própria RT, melhoraria na forma de se expressarem e com isso, adquirirem novos hábitos possibilitando o autocuidado, concretizando o desafio constante de fazer com que a RT seja vista efetivamente como um lar.


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