A qualidade de tudo o que fazemos depende da qualidade do pensamento que ocorre antes da ação”



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Encontro10.07.2017
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Thinking Environment e Coaching
Tendências
As origens do Thinking Environment® (Ambiente de Pensamento) nascem de uma observação e uma pergunta. “A qualidade de tudo o que fazemos depende da qualidade do pensamento que ocorre antes da ação” é uma declaração que tem implicações poderosas. A pergunta subsequente é: “O que é necessário para que as pessoas apoiem umas as outras a pensarem com qualidade por si mesmas?
Nancy Kline estava se fazendo esta pergunta a mais de duas décadas atrás, depois de ter fundado uma escola em seu país nativo, os EUA. Quando ela fazia estas perguntas às pessoas, ela notava que as respostas não tendiam ser sobre QI, educação ou experiência; o que se revelou é que o fator mais importante que influenciou a qualidade do pensamento das pessoas é a forma como estavam sendo tratadas pelas outras pessoas ao seu redor.

Prosseguindo com esta pergunta, ela veio a identificar dez comportamentos que estão mais diretamente ligados a esta melhoria na qualidade do pensamento. Eles vieram a ficar conhecidos como os Dez Componentes de um Ambiente de Pensamento (listados abaixo).


Um Ambiente de Pensamento pode ser criado entre duas pessoas – o Parceiro de Pensamento e o Pensador, que em uma parceria de pensamento seriam como o coach e o coachee no processo de coaching – ou em grupos, ou em um think tank ou em qualquer outro tipo de reunião.
Para mim, o fator mais importante do Ambiente de Pensamento é a qualidade da atenção na escuta. O tipo de escuta que Kline recomenda não é passiva; ela descreve-a como uma atenção conferida à pessoa que está pensando que, para ser efetiva, tem que se equilibra em três canais:

No primeiro canal, a atenção está no conteúdo do que a pessoa que está pensando traz em sua fala.

No segundo canal, a atenção está voltada para sua resposta interna enquanto escuta o que a outra está dizendo.

No terceiro canal, a atenção está voltada na criação de um Ambiente de Pensamento para a pessoa que está pensando – o Pensador.”


Suas teorias são sustentadas por estruturas práticas que, quando aderidas, habilitarão o Pensador a trabalhar suas questões, ganhar clareza e encontrar um caminho para avançar.
As Sessões de Pensamento [prática que vamos aprender no curso] começam com uma simples pergunta: “Sobre o quê você gostaria de pensar e quais são os seus pensamentos?”
Dalí, o Pensador pode falar sobre o assunto que quiser e como quiser. A chave deste processo encontra-se em dois elementos: a qualidade da atenção dada pelo Parceiro de Pensamento e o fato de o Pensador saber que não será interrompido na sessão. Por isso, a fase de contrato que antecede a Sessão de Pensamento é importante, assim o Pensador saberá que ele terá tempo suficiente para falar e ser escutado.

Em algum momento, o Pensador chegará em um ponto no qual terá dito tudo o que inicialmente pensou sobre o assunto. Ele fará uma pausa e o Parceiro de Pensamento pode perguntar: “O que mais você pensa, sente, ou quer dizer sobre isso?”


Em inglês, a pergunta original é “What more do you think, or feel or want to say?”. Há uma sutil diferença entre “what more” e “what else” que não é facilmente traduzida no português. Ao usar “what more” – que soa pouco natural também para um nativo do inglês – a ideia é incentivar a avançar o pensamento no mesmo assunto, enquanto “what else” pode levar o Pensador a um novo tópico.
Como eu já comentei anteriormente nesta série de artigos, a técnica é somente uma ferramenta e a pessoa que a usa não pode se transformar na ferramenta. Já ouvi da própria Nancy Kline conselho similar.
Este é um processo que já vem sendo testado por muitos anos, então aconselha-se seguir as palavras exatas se possível; porém, o conforto do Pensador e o rapport criado na Parceria de Pensamento são elementos chave para ajudar o Pensador a pensar com clareza. Posto isso, as palavras podem ser alteradas se necessário para garantir as boas condições.
Quando perguntado “O que mais você pensa, sente, ou quer dizer...?, o Pensador pode se surpreender pela quantidade de novos pensamentos que podem surgir e, por estar em um Ambiente de Pensamento, ele tem a liberdade para expressa-los e explora-los. É fato que, muitas vezes, descobrimos o que pensamos ao falarmos em voz alta, e este é um dos principais benefícios deste processo.
A pergunta “O que mais..?” pode ser perguntada várias vezes até que tudo seja dito e o Pensador esteja pronto para identificar o que está bloqueando o caminho para atingir suas metas.
Este é o ponto aonde o Parceiro de Pensamento pode começar a agir de uma forma intervencionista fazendo perguntas que Kline define como “Perguntas Incisivas TM”. O processo é para:


  • Identificar o que possa ser um pressuposto limitante, por exemplo: “Ninguém aqui me escuta.”

  • Fazer uma Pergunta Incisiva para eliminar este pressuposto, por exemplo: “ Se você soubesse que seria escutado, o que diria e para quem diria?”

Algumas perguntas similares poderia ser:




  • “O que você está pressupondo que o está atrapalhando/ bloqueando aqui?”

  • “Se você soubesse que seria promovido a líder de equipe, qual problema resolveria primeiro e como?”

  • "Se você soubesse que é uma pessoa vital para o sucesso da organização, como você iria lidar com seu trabalho?”

  • “Se as coisa pudessem ser exatamente as coisas certas para você, o que teria que mudar?”

É importante reconhecer que o pressuposto limitante não é necessariamente imaginário.

O valor deste processo consiste em ajudar o Pensador a refletir sobre a questão por diferentes perspectivas.
O Ambiente de Pensamento é altamente efetivo em trabalhos de grupo e reuniões. Uma das técnicas usadas para isto são as Rodadas de Pensamento, que asseguram que todos terão uma chance de dizer o que querem. Como na Parceria de Pensamento, é o contrato feito inicialmente com o grupo que permitirá que este processo agregue valor.

Ser interrompido não e bom. Ter a sorte de não ser interrompido, é melhor. Mas saber que você não será interrompido permitirá que você pense verdadeiramente por si mesmo.” (Nancy Kline)


Os princípios do Ambiente de Pensamento tem similaridades com o coaching, que estava sendo desenvolvido no mesmo período; ambos são pautados fundamentalmente no respeito as pessoas, cuidado com seu bem-estar e desenvolvimento e na criação de relacionamentos baseados na confiança. Alguns dos conceitos são paralelos aos usados no coaching, como Clean Language e o modelo de crenças limitantes criado pelo PNL.
Uma diferença é que Kline não recomenda parafrasear as palavras do Pensador, uma técnica comum no coaching.
Tendo a experiência de ter sido coachee da Nancy Kline em uma demonstração durante um curso, me peguei querendo que ela me interrompesse com as intervenções comuns do coaching como esclarecimentos, reflexão e perguntas. Porém, pude identificar que a origem do meu desejo era criar uma distração para algumas questões muito difíceis! Quando ela me ofereceu nada mais do que a pergunta “O quê mais...?”, fui obrigada a encarar estas questões e, como resultado, venci uma ruptura que me levou a um avanço inesperado.
O trabalho de Kline destaca a efetividade de dar às pessoas uma chance de serem escutadas. Há muito debate entre coaches a respeito das melhores e mais efetivas perguntas que podem ser feitas, quais técnicas complementares vão permitir novos insights no cliente, quais estruturas usar e como “dançar” com o cliente numa conversa de coaching. Se não formos cautelosos, o resultado final pode ser um coach que galopa por cima do seus clientes, como um cavalo entusiasmado que está mais focado em ser um performador estrela do que realmente entrar nas necessidades do cliente.
A maior lição que tirei do meu tempo de estudos com Nancy Kline foi a confirmação do poder da escuta, dando atenção de qualidade, e fazendo o contrato adequado para isso inicialmente. Assim meus coaches podem focar somente em seus próprios pensamentos sem distrações.

Carol Wilson é mestre no Performance Coach Training e lidera a sessão de standards profissionais de excelência na Associação de Coaching no Reino Unido. Ela pode ser contatada por:

+44 (0)1784 455297

carolwilson@performancecoachtraining.com

www.performancecoachtraining.com


www.associationforcoaching.com
Fonte: TJ Training Journal, March 2010, p 60-61


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