A produçÃo de biocombustível e o mercado da farinha de mandioca: as conflitualidades no município de acará – pará



Baixar 1,73 Mb.
Página1/2
Encontro07.06.2018
Tamanho1,73 Mb.
  1   2


A PRODUÇÃO DE BIOCOMBUSTÍVEL E O MERCADO DA FARINHA DE MANDIOCA: AS CONFLITUALIDADES NO MUNICÍPIO DE ACARÁ – PARÁ

THE PRODUCTION OF BIOFUELS AND THE MARKET CASSAVA FLOUR: THE CONFLICTUALITIES IN THE MUNICIPALITY OF ACARA – PARÁ
Eduardo Felipe Pinheiro da Silva

Graduando em Geografia – UEPA

Membro do Grupo de Pesquisa GPTECA - UEPA

eduardosilvageo@gmail.com


Fabiano de Oliveira Bringel

Professor da UEPA

Coordenador do Grupo de Pesquisa GPTECA - UEPA

Doutor em Geografia pela UFPE 

fabianobringel@gmail.com

RESUMO

A ocorrência de uma incessante procura por novos meios, limpos e sustentáveis de energia renovável para suprir a demanda do grande mundo industrializado e com as suas grandes necessidades energéticas e por assim se adequar aos novos parâmetros estabelecidos por grandes projetos de sustentabilidade ocorridos no mundo todo, à indústria para que pudesse reduzir seus impactos ambientais, a produção dos chamados Biocombustiveis foram umas das grandes saídas para que a indústria não perdesse seus meios de produção e assim “corroborando” com a sustentabilidade mundial. Nesse contexto, o presente artigo trará de forma sucinta, o processo de expansão do dendê no Município do acará e como a mesma tem causado implicações significatorias na vida desses e comercializadores de farinha. A metodologia do presente artigo se baseou em um levantamento bibliográfico e a visita em Locus com entrevista semiestruturada com agricultores e camponeses.



Palavras-chave: Biocombustiveis. Agricultura camponesa; Dendê.
ABSTRACT

The occurrence of a constant search for new ways , clean and sustainable renewable energy to meet the demand of large industrialized world and with its large energy needs and thus adapt to the new standards established by major sustainability projects occurring around the world, the industry so that it could reduce its environmental impact , the production of so-called Biofuels are one of the major outlets for the industry did not lose their means of production and thus " confirming " with global sustainability . In this context , this article will briefly , the palm of the expansion process in the municipality of discus and how it has caused significatorias implications in the lives of traders and flour. The methodology of this article was based on a literature review and visit Locus with half structured interviews with farmers and peasants.



Keywords: Biofuels. Peasant Agriculture; Dendê.

INTRODUÇÃO
Originária da América do Sul, a mandioca (Manihot esculenta Crantz) constitui um dos principais alimentos energéticos para mais de 700 milhões de pessoas, principalmente nos países em desenvolvimento. Mais de 100 países produzem mandioca, sendo que o Brasil participa com 10% da produção mundial (é o segundo maior produtor do mundo). De fácil adaptação, a mandioca é cultivada em todos os estados brasileiros, situando-se entre os oito primeiros produtos agrícolas do país, em termos de área cultivada, e o sexto em valor de produção.

O Estado do Pará é considerado o maior produtor e consumidor da farinha de mandioca, ao qual esta advém de uma cultura enraizada através das gerações e principalmente dos alimentos da região no qual o uso da farinha de mandioca esta atrelado diretamente a esta cultura alimentar. Nesse contexto, “O Estado do Pará é considerado o maior produtor do Brasil de mandioca, raiz base para a produção da farinha, alimento adorado pelos paraenses” (Globo, 2013).

O Pará concentra esse título devido a grande produção pautada na agricultura familiar de pequeno porte e a introdução de cooperativas deste produto, que agrega a pequena produção local tendendo a abastecer a exportação para outros Estados. A agricultura familiar abastece as feiras e mercados locais, ficando a cargo das cooperativas a exportação do produto. A produção de mandioca no Estado do Pará chega a aproximadamente a cinco milhões de toneladas produzidas da raiz anualmente. Outros produtos derivados da mandioca como: goma, tapioca, tucupi e maniva também são de grande relevância neste mercado que movimenta milhões de reais por ano.

No entanto, o enfoque maior será dado ao município de Acará localizado na porção nordeste do Estado, ao qual o mesmo faz parte da microrregião composta pelos municípios de Concórdia do Pará, Tomé Açu, Bujaru, Tailândia e Moju. Banhado pelo rio Acará, cuja foz deságua na baía do Guajará e se estende margeado pela direita e esquerda por igarapés que formam conjuntamente uma monumental bacia de água doce e, ao atingir a cidade de Acará, se divide em Rio Acará-Miri que vai para o município de Tomé Açu e Rio Miriti-pitanga que segue para o Alto Acará e tem sua nascente no território de Tailândia. Estimou-se em 2010 que sua população era 53605 habitantes. Possui uma área de 4363,6 km² de terras com vocação voltada para as atividades agropastoris que contribui consideravelmente para produção maciça de mandioca. O município tem na agricultura uma das atividades mais importantes, com destaque para a produção da raiz da mandioca, entretanto, esta ocorrendo um processo de modernização dos latifúndios no município do Acará que alguns autores chamam de “modernização conservadora”.

“O homem do campo, no Pará, está mudando de hábito e deixando para trás, além da roça, as próprias culturas e tradição. [...] Ao invés da agricultura familiar [...] o lavrador e sua prole estão trocando o ambiente rural pela zona urbana, subsidiados por programas sociais do governo federal, como o Bolsa Família e o Brasil Carinhoso. Dos mais de 10 mil agricultores devidamente registrados no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bragança (STRB), em 2000, apenas 5,5 mil continuam atuando com produção de hortifrutigranjeiros nos arredores da cidade, que fica no nordeste paraense. De acordo com o presidente da entidade, Manoel da Costa, o preço da farinha praticada há dois anos era inviável, por isso, grande parte dos cultivadores abandonou a prática. “Em 2010, a saca de 60 quilos custava R$ 35,00. Tirando o custo de produção e transporte, o agricultor, não raras vezes, acabava tendo prejuízos, ou seja, não compensava plantar, Costa diz também, em virtude do cultivo da palma de óleo dar mais resultados, devido à produção ter clientela certa - a Vale Biopalma -, parte dos agricultores vendem sua terra em Bragança para atender a sorte na região do Baixo Tocantins.” (O LIBERAL, Belém, 20 de jan. 2013. Caderno Poder, p. 3.).

O município “extrai 900 mil toneladas de mandioca por ano” (Globo, 2013) e assim, lidera o ranking da produção do alimento, no caso a farinha, no estado. Contudo, nos últimos anos, essa produção vem caindo e os preços aumentando assustadoramente, o grande aumento no preço da farinha no Estado se dá principalmente pela chegada do agronegócio do dendê na região e a grande ocupação de área destinada ao plantio dessa cultura e a destruição do camponês no seu espaço ao qual Umbelino de Oliveira aborda de duas formas para entender essa destruição. Nesse Contexto, “produto da destruição ou pequeno produtor familiar de subsistência, através de um processo de diferenciação interna provocada pelas contradições típicas de sua inserção no mercado capitalista” (OLIVEIRA, 1995).O autor continua, “Dado pelo processo de modernização do latifúndio, via introdução no processo produtivo de maquinas e insumos modernos, o que permitiria a esses latifúndios evoluir para empresas rurais capitalistas” (OLIVEIRA, 1995).

Muitos autores levam a agricultura como se fosse um atraso em relação à indústria que no caso trazer ia consigo um ar de modernidade, e essa agricultura familiar voltada ao mercado local não traria melhoras para o desenvolvimento nacional. Nesse Contexto,

“a agricultura, em seu desenvolvimento atrasa – se em relação à indústria, fenômeno inerente a todos os países capitalista e que se constitui uma das mais profundas da violação da proporcionalidade entre os diferentes ramos da economia nacional, das crises e da carestia” (LENIN, W. Novos dados sobre as leis).



Fonte: Nahum, Santos GDEA

Mapa 1: Empresas de dendeicultura no Pará