A mídia com Partido



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Encontro19.07.2017
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A Mídia com Partido

Nesta última semana acompanhamos a posse do 45° Presidente dos Estados Unidos da América, Donald J. Trump, que como sempre, utilizou discurso duro e direto para transmitir suas ideias a uma grande plateia, que ansiosa acompanhava a cerimônia de posse. Porém, neste momento, antes que qualquer medida tenha realmente entrado em vigor, o acontecimento que merece maior destaque é a forma como 90% da mídia tem tratado Trump, escancarando o seu incomodo em ter que noticiar sua subida ao poder.

Apesar de, pelo menos no Brasil, a imprensa em grande parte se dizer neutra, foi evidente o desconforto que a posse de Trump gerou, trazendo uma questão importante a se pensar: Até que ponto aquilo que é noticiado representa a realidade vivida e sentida pela grande maioria da população?

Racismo Reverso ou apenas aversão a gente esticada

Alguns exemplos bem claros desse posicionamento da grande imprensa pode ser encontrado na Folha de São Paulo, onde a enviada especial Patricia Campos Mello faz uma matéria (http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2017/01/1851901-multidao-que-compareceu-a-posse-de-trump-e-retrato-fiel-dos-eua.shtml) para tratar das pessoas que participaram da posse de Trump, no entanto retrata nos primeiros 6 parágrafos do texto uma retrospectiva, se é que podemos chamar assim, de como foi a posse de Obama em 2009, lembrando que ela mesmo chorou na ocasião emocionada, e a partir daí inicia os ataques a Trump, induzindo o público a acreditar que das cerca de 900 mil pessoas presentes não haviam negros, gays, espanicos ou outras minorias, e que apenas estavam lá americanos brancos e loiros “esticados”, como ela mesmo retrata mostrando sua visão de uma americana que assisti a cerimônia, seria algo como um racismo inverso, podemos nos perguntar.



Encontro com liderança civil e Ameaça a Democracia

Pouco se noticiou no Brasil o encontro de Trump com o advogado Martin Luther King III, filho do pastor e ativista político Martin Luther King Jr. que resultou em uma conversa construtiva de acordo com o advogado.

Já a revista Veja, traz uma matéria com a seguinte chamada de capa: “Por que o presidente Trump é uma ameaça a democracia” (http://veja.abril.com.br/mundo/autoritario-e-impopular-donald-trump-e-ameaca-a-democracia/), a matéria de Nathalia Watkins, começa descrevendo as incoerências entre o discurso de Trump e suas ações, que seriam segundo a revista, autoritárias e impopulares. Talvez a revista utilize algum tipo de clarividência ou bola de cristal, pois a matéria vai ao ar menos de 24 horas depois da posse de Trump, que ainda não esquentou a cadeira, por assim dizer e já é autoritário.

A TV Globo em seu Jornal Nacional também demonstrou de forma mais tímida sua visão de Trump, fazendo uma matéria (http://g1.globo.com/jornal-nacional/edicoes/2017/01/20.html#!v/5592216) onde retratava sua eleição como algo polarizado, mostrando um símbolo nazista para exemplificar os protestos de Trump e entrevistando uma advogada brasileira que comenta o seu medo de que isso possa se tornar algo epidêmico, que leve o mundo a perder os direitos pelos quais lutaram. Pode ser apenas um erro de edição na reportagem, mas não fica claro a que epidemia a advogada se refere e quais seria esses direitos universais perdidos. Por fim a matéria da Jornalista Sandra Coutinho termina com um apelo pela união dos americanos.



Saudades do meu Obama

Boa parte do que foi publicado nos últimos dias trata Barack Obama como um santo que está deixando o cargo para o “Mal” em pessoa, mas foram poucos os veículos que fizeram algo com qualidade, ainda assim podemos citar a revista Veja com reportagem de Diego Braga Norte, que faz um balanço consistente da gestão de Obama, citando seus acertos, como redução do desemprego, acordos nucleares com o Irã, além de avanços nas questões climáticas, porém não deixa de fora alguns de seus fracassos mais evidentes, onde não podemos esquecer que houveram aumento no terrorismo, com o fortalecimento do EI, aumento da tensão racial, prisão de Guantánamo que continua em funcionamento, além de diversas derrotas sofridas no congresso.



Obama é apenas mais um político

Talvez a maior dificuldade que a imprensa no geral tem é de reconhecer que Obama tenha sido apenas mais um político, assim como foi Clinton ou até mesmo Bush, que cometeram erros e acertos, com a diferença que foi mais fotogênico e um orador excepcional, características que não fazem um bom presidente, mas geram uma paixão que é perigosa, principalmente para quem tem o poder da caneta e da influência. isso em parte explica tamanha surpresa pela eleição de Trump, pois quando se escuta o coração, a razão fica de lado e a imparcialidade dá lugar ao ativismo, que não informa, antes disso doutrina. Essa máxima vale tanto para o amor a Obama quanto para o ódio a Trump.


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