A importância do Sofrimento de Animais Selvagens



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Multiplicar Sofrimento Inadvertidamente

Enquanto que as futuras tecnologias avançadas podem oferecer a promessa de ajudar animais selvagens, elas também trazem o risco de multiplicar a crueldade do mundo natural. Por exemplo, é concebível que os humanos possam um dia propagar condições ambientais tipo-Terra para Marte através do processo de terraforming. [Burton] Mais especulativamente, outros propuseram “panspermia directa”, enviar sondas para a galáxia para semear outros planetas com material biológico. [Meot-NerMatloff] Simulações computacionais pós-humanas poderão se tornar suficientemente precisas para que a vida-selvagem que contêm possa conscientemente sofrer. Já vemos muitos modelos de simulação de selecção natural, e é apenas uma questão de tempo até que estes sejam melhorados com capacidades de inteligência artificial tais que os organismos envolvidos se tornem sencientes e literalmente sintam a dor de ser ferido e morto. Qualquer destas possibilidades teria implicações éticas enormes e eu espero que antes de as empreenderem, os humanos futuros considerem seriamente as consequências de tais acções para todas as criaturas sencientes envolvidas.



Ativistas devem-se focar na divulgação

O que é que tudo isto implica para o movimento da advocacia animal? Penso que o melhor primeiro passo em direcção à diminuição do sofrimento dos animais selvagens que nós podemos dar agora é promover uma preocupação geral pelo assunto. Fazer com que mais pessoas pensem e se importem com o sofrimento da vida-selvagem irá acelerar desenvolvimentos na investigação do bem-estar selvagem e de tecnologias associadas, enquanto que ao mesmo tempo ajuda a garantir que os nossos descendentes avançados pensem cuidadosamente sobre ações que poderão criar vastamente mais organismos sofredores.

Talvez encontrar apoiantes dentro da comunidade do bem-estar animal seja um bom ponto de partida: enquanto que alguns ativistas se opõem a toda a intervenção humana nos assuntos dos animais, ocasionalmente mesmo preferindo que os humanos não existissem, muitas pessoas que sentem uma simpatia humanitária pelo sofrimento de membros de outras pessoas deverão dar boas-vindas aos esforços para prevenir crueldade na natureza selvagem. Outra fonte potencial de apoiantes deverão ser pessoas interessadas em evolução, que reconhecem o que Richard Dawkins chamou de “indiferença impiedosa e cega” da seleção natural. [Dawkins, p. 133]

Indivíduos podem fazer muito, por si mesmos, para dar a conhecer a questão, tal como:



  • Postar em fóruns sobre direitos dos animais e escrever comentários em blogs;

  • Participar em encontros e eventos sobre direitos dos animais e perguntar a outros participantes o que eles pensam;

  • Escrever artigos de conferências, artigos para revistas, ou livros sobre o assunto, talvez em co-autoria com ecologistas, etologistas, ou outros cientistas, para garantir que o trabalho não é apenas “filosofia de secretária”.

Pode haver aqui o perigo de levantar a questão dos animais-selvagens antes o público geral estar preparado. De facto, a crueldade na natureza é muitas vezes usada como ad reductio por pessoas que comem carne, contra vegetarianos consequencialistas. Sugerir que a consideração ética pelos animais poderia nos forçar a gastar recursos no financiamento de pesquisa a longo-prazo destinada a ajudar vida-selvagem pode afastar inteiramente pessoas que, de outra maneira, poderiam ter alguma consideração em relação a, pelo menos, aqueles animais que afetam através das escolhas alimentares. [Greger]

Penso que a divulgação deste assunto deve começar dentro de comunidades que são mais receptivas, como os ativistas pelos direitos animais, transhumanistas e cientistas. A América mainstream não está preparada para este tópico. Claro, poderá ainda haver quem poderia usar o movimento da preocupação pela vida-selvagem para denegrir os defensores dos animais em geral. Quão séria é esta preocupação? Sinto que o sofrimento da vida-selvagem é tão esmagadoramente importante, mesmo comparado com a questão séria do factory farming, que vale a pena correr o risco: se o movimento dos direitos dos animais nunca for para além de animais de quinta, de laboratório ou de companhia, então desistir de todo o esforço feito até agora, relativamente falando, não seria uma grande perda. A escala de brutalidade na natureza é simplesmente demasiado vasta para ignorar e os humanos têm uma obrigação de exercer a sua posição cosmicamente rara, de serem ambos inteligentes e empáticos, para reduzir o sofrimento na natureza o máximo que conseguirem.





1 Nota do tradutor: Não encontrei forma de traduzir. É uma referência à violência do mundo natural.


2 http://ec.europa.eu/environment/biodiversity/animal_welfare/hts/images/lynx.jpg

3 Instrumento utilizado para estudar memória em ratos

4 Apressadas e temporárias

5Verso(s) da canção Big Yellow Taxi de Joni Mitchell. Uma possível tradução é "pavimentar o paraíso e construir um parque de estacionamento"

6 Este ponto pode ser melhor entendido com a leitura de outros artigos do Brian Tomasik.

7 http://pt.wikipedia.org/wiki/Ecologia_profunda

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