A galáxia de Gutenberg



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Greek Columns at the Parthenon


The columns of the Parthenon are not only tapered slightly to the top, but they are also slightly curved. If one were to draw a straight tapered line from the base of the column to the top, the actual profile of the column differs from this line by as much as 11/16ths of an inch. This curve, called entasis, was nothing new to Greek temple builders.

Actually, the entasis at the Parthenon is quite subtle when compared to earlier examples such as the Basillica at Paestum. The purpose is to give an almost human characteristic of muscular resistance to the stone, as if the weight of the temple roof pushing down on the columns imparted onto them a very slight distortion. Also, the end columns are pulled in slightly. This gives the corners of the temple added aesthetic stability, and also solves the visually awkward problem of stretching the last metope sometimes seen at the corners of Greek temples.



Deviation from the Perpendicular.


In addition to the slight curve of the columns, they are all slightly off perpendicular. If one were to continue the centerlines of the columns up into the sky, they would all eventually meet. Even the exterior surface of the cella walls taper slightly inward. This taper exaggerates the natural human visual reality of what is known as a vanishing point. That is, any series of long parallel lines, (think railroad tracks) when seen by the human eye, will appear to converge to a single point. Exaggerating this effect makes the building appear taller and more graceful.

Deviations from Geometric Regularity.


You may think that the base of the Parthenon is a rectangle, and that the pediment is a triangle, and the frieze and architrave are rectangular. In the strictest geometrical interpretations of those forms, you would be wrong. Each of these elements is again slightly distorted into a curve, optically exaggerating or correcting the distortions of human vision. The base of the building, or stylobate, rises 4 3/8 inches on the long sides of the temple, and 2 3/8 inches on the ends, and the entire temple floor rises slightly into a domed shape. The frieze, architrave, and pediment are similarly curved.
The optical corrections at the Parthenon represent not only a deep understanding of human visual characteristics by the designers, but also an incredible amount of skill and craftsmanship on the part of the Greek stoneworkers. These subtle deviations from the orthogonal mean that each individual piece of stone would need to be unique and carefully constructed. This would make the project extremely difficult and expensive to perform even with the technology available today.
Bibliography: Trachtenberg, M. a. (1986). Architecture From Prehistory to Post-Modernism. New York: Prentice-Hall, Inc.
O ponto de vista da Idade Média e dos gregos é o mesmo e não o nosso, a relação que tem o alfabeto com novidades artísticas e ciência, as iluminuras como algo a parte e a recuperação atual pela tecnologia eletrônica
Para nossas finalidades, que é navegar a favor da corrente e fazer exatamente isto que estes seis tabletes indicam, isto é, usar a eletrônica de forma a devolver ao homem atual a perspectiva que existiu um dia, estes conceitos apresentados são de suma importância, não importando o quanto certo ou errado estejam. Isto é, se McLuhan tem dificuldade em demonstrar o ponto, porém ele esta carregado de razão em ter descoberto o que é um fato: a eletrônica nos devolveu a um tempo anterior que já existiu e no qual foram feitas muitas coisas na criação ou educação, ou o que seja que envolva comunicação.
O elemento “misterioso” por assim dizer, que afeta nossa percepção é a noção de tempo.
McLuhan cita Bernard van Groningen, do seu trabalho In the Grip of the Past (Nas garras do passado), que tem duplo sentido, pois não é apenas examinar o passado, mas a noção de passado, pois, segundo ele, os gregos e todas as sociedades não alfabetizadas, tinham uma concepção cósmica, mítica do tempo como simultâneo, ao que acrescento, instante presente, verdade psicológica, que é o que sentimos a eventos que nos afetaram profundamente, ou seja, existem o tempo todo instantaneamente. Como conseqüência disto, a idéia de passado, Van Groningen acrescenta “Os gregos freqüentemente se referem ao passado e, ao fazê-lo, ligam o assunto em questão a uma concepção cronológica. Mas assim que investigamos, o verdadeiro significado, evidencia-se que a idéia não é temporal, mas usada num sentido geral.”
Isto, em relação ao tempo, é o mesmo que, em relação ao espaço, reduzir o tamanho da figura na pintura, sem um ponto de vista ou de fuga para a perspectiva.
A visualização de seqüências cronológicas é desconhecida nas sociedades orais, como agora é irrelevante na era da eletrônica do movimento da informação.
O “fio da narrativa” é tão revelador quanto a linha na pintura ou escultura, pois explica exatamente até que ponto se processou a dissociação do sentido de visão dos outros sentidos.

Erich Auerbach, no seu trabalho The Representation of Reality in Western Literature, que se dedica a análise estilística da arte da narrativa nas literaturas do Ocidente, desde Homero até hoje, nos diz que, por ex, Aquiles e Ulisses e Aquiles, de Homero, são apresentados em quadros verticais e planos, por meios de descrições plenamente exteriorizadas, sob iluminação uniforme e conexão ininterrupta, nas quais a livre expressão situa tosos os incidentes em primeiro plano, revelando significados incontestáveis, com um mínimo de desenvolvimento histórico e de perspectiva psicológica.


Ou seja, o visual tende ao explicito, ao uniforme e ao conseqüente na pintura, na poesia, na lógica, na historia.
Os não alfabetizados ou não letrados, tendem ao implícito, simultâneo e descontinuo, seja no passado primitivo ou no presente eletrônico. (grifo meu, REC)
Totalmente contrario ao que, por exemplo na física de Newton, conforme Sir Edmundo Whittaker escreve em seu livro Space and Spirit (pg 86)
O newtonianismo, como o aristotelismo, procura compreender o mundo tentando descobrir a ligação dos eventos entre si, e isso se efetua por meio da ordenação de nossas experiências de conformidade com a categoria de causa e efeito, descobrindo-se para cada fenômeno seus agentes determinantes ou antecedentes. A afirmação que essa ligação é universal e que nenhum evento acontece sem causa, é o postulado de causalidade.”
Homogeneidade, uniformidade e repetibilidade eis as notas componentes e básicas de um mundo novo a emergir da matriz audiotáctil.
A questão central que está por trás desta “tendência” do que Mcluhan chama de globalismo sensorial anterior à invenção de Gutenberg, que os sentidos humanos impuseram ao ser humano, ou melhor, a única forma disponível, que é “aprender” no sentido de captar, através do táctil e dos outros sentidos, sem o isolamento característico do visual da cultura alfabética que Gutenberg introduziu pela massificação dos livros.
Este aspecto talvez seja o mais difícil de entender das idéias de McLuhan e vale a pena nos estendermos mais um pouco.
McLuhan não discute, ou melhor, discute prolixamente de outra forma algo que William M.Ivins, Jr, em seu livro Prints and Visual Communication, que McLuhan indica ter usado, trazendo um conceito para objetos que eu gostaria de estender para toda a realidade, que é a Ipseidade, ou a particularidade da natureza de um objeto. Ou o ser isto e não aquilo, ou como fazer se quisermos comunicar a alguém sem ter o objeto em mãos, o que seria.
Penso num plural de ipseidades, incluindo subjetividade ou coisas que não são materiais, como sensações ou idéias que temos quando nos submetemos a certas situações.
Em condições ideais, seria a criação de uma virtualidade sobre as coisas a que submetemos nossos sentidos.
No caso do filme apresentado aos africanos, que gerou deles a percepção de apenas verem uma galinha e não o que um europeu, ou americano educado, veriam, que é o aspecto de como o acumulo de lixo e a água parada tem a ver com a saúde, a ipseidade deles é totalmente diversa da dos alfabetizados, pois que eles usam um meio de se aperceber das coisas que o cercam e como pensar sobre elas e os alfabetizados usa outro.
Ivins introduz este conceito para uma situação objetiva em que ele quer explorar o efeito que a técnica de gravação permite reproduzir por exemplo imagens visuais de plantas, eventualmente medicinais, de forma que uma pessoa do séc XX possa se beneficiar das mesmas propriedades curativas desta mesma planta como o fizeram no século XVI, por exemplo. Ou seja como comunicar de uma pessoa para outra o saber (no sentido do conceito disponível e sacramentado seja pelo que seja) sobre elas associado com o conhecimento, que é o uso e a convivência e a obtenção dos efeitos esperados.
Por exemplo como distinguir por qualquer tipo de descrição a diferença entre mandioca brava e a comestível, que não é medicinal, mas evidencia o ponto?
Como distinguir, numa mata que imagino exista na África, os sinais de que eventualmente você pode estar na mira do jantar de algum leão?
Com decidir se você, brasileiro, vive atualmente nos Estados Unidos se é melhor largar tudo e voltar para o Brasil ou ficar lá?
Nos três casos, nossa ipseidade ou a de quem nos poderia nos aconselhar é totalmente diferente e depende da forma como foi obtido o conceito e conhecimento sobre o que esta sendo tratado.
Existe uma tremenda diferença entre conhecimento sensorial e conceito intelectual obtido pela leitura ou descrição do que está em jogo.
Neste caso, o que esta em jogo na questão do ponto de vista, é que a ipseidade obtida pelos sentidos todos juntos, que é o caso anterior à tecnologia de Gutemberg que monopolizou a forma de conhecer, e a que vingou e prevalece hoje, que é a cultura alfabetizada.
A grande sacada de McLuhan é que o computador, os meios de comunicação, a Internet enfim, geram uma ipseidade similar a que existia antes da alfabetização e meu objetivo neste estudo, é entender isto para tirar maximo partido dele na direção que eu desejar.
Uma coisa que me chamou particularmente a atenção, foi o efeito que isto possa ter tido na lógica de Aristóteles, da qual McLuhan apenas pontua a questão da silogística, isto é, segundo Aristóteles, o requerimento é apenas que os termos sejam homogêneos no tocante a suas possíveis posições como sujeitos e predicados, que fazia com que Aristóteles omitisse os termos singulares, alias citado da obra de Jan Lukasiewicz, Aritotle´s Syllogistic.
Esta falha, na analise de Lukasiewicz residia no fato de que os gregos buscavam as novidades de ordem visual e homogeneidade linear. McLuhan indica ainda que este autor observa sobre a natureza da “lógica” e da faculdade visual e abstgrata:
A lógica formal moderna esforça-se por obter a maior exatidão possível. Esse alvo só pode ser alcançado por meio de uma linguagem precisa, formada de sinais estáveis e visualmente perceptíveis. Tal linguagem é indispensável para qualquer ciência” ao que McLuhan acrescenta: Mas tal linguagem é feita pela exclusão de tudo que não tenha sentido visual, até mesmo as palavras. (grifo meu, REC)
Vale a pena citar ipsis literis o que McLuhan tem a dizer sobre isto, na pág 94:
A única preocupação aqui é determinar o grau de influencia que o alfabeto teve sobre os que primeiro o usaram. Linearidade e homogeneidade das partes foram "descobertas", ou antes mudanças na vida sensória dos gregos sob o novo regime da escrita fonética. Os gregos expressaram esses novos modos de percepção visual nas artes. Os romanos estenderam a linearidade e a homogeneidade pelas esferas civis e militares e pelo mundo do arco e do espaço visual, ou fechado. Não somente estenderam as "descobertas" gregas, como sofreram o mesmo processo de destribalização e visualização. Estenderam a linearidade por todo um império e a homogeneização para o processamento-em-massa de cidadãos, da estatuária e dos livros. Hoje os romanos sentir-se-iam bem a vontade nos Estados Unidos e os gregos, em comparação, prefeririam as culturas "atrasadas" e orais de nosso mundo, tais como a Irlanda e o Velho Sul da América do Norte.”
Uma sociedade nômade não pode ter a experiência do espaço fechado (100)
Um efeito das culturas não alfabetizadas sobre a percepção sensorial é não euclidiana, ou seja, intuitiva. O efeito mais marcante é a falta de perspectiva. Sem perspectiva não há como representar infinitude e a concepção de espaço fica radicalmente prejudicada ou alterada. Porem existem ganhos, sendo um deles a possibilidade, por exemplo, de cogitar da forma como fez Einstein com sua teoria da Relatividade.
O grande problema da Geometria Euclidiana é a suposição que todos espaços são planos e que tudo ao mesmo tempo é homogêneo – cujas propriedades não se alteram em qualquer local definido no seu espaço – e isotrópico – cujas propriedades não se alteram consoante a direção em que são consideradas, coisa que a modernidade amplamente sabe que não é assim..
Porém, ela esta de tal forma inserida na cultura alfabetizada, que os primeiros matemáticos a cogitarem de espaços curvos e outro tipo de geometria, foram severamente repudiados, sendo o caso de Lobachevski ter sido enterrado sem a presença de seus alunos como foram de protesto contra suas idéias algo que dá a medida em quanto isto afeta a concepção das pessoas.
Creio que vale a pena explorar um pouco mais o que esta em jogo, aplicando esta preocupação com a literatura e a pintura.

Encontrei as seguintes considerações feitas por António Andrade, que frequenta a Licenciatura em Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto:


Na literatura, por exemplo, Dostoievski é dos primeiros a abordar a dificuldade em conceber o mundo de outra forma que pela geometria de Euclides na sua obra, Os Irmãos Karamazov. Outra obra muito significativa é a Maquina do Tempo de H.G.Wells, que surge em 1895, e antecipa o que Einstein virá propor dez anos depois sobre a quadridimensionalidade espaço-temporal.

Na pintura a reação a estas novas abordagens da natureza também se fazem rapidamente notar. A fotografia “congelou” o tempo e se na Idade Media os artistas não dominavam a perspectiva, os artistas da segunda parte do século XIX recusam-na subvertendo as suas regras e criando distorções espaciais.

O movimento que mais se baseou nas novas percepções espaciais foi o Impressionismo. Os impressionistas não seguiam os preconceitos do Realismo ou da Academia e procuravam sobretudo dar vida própria as suas obras. É justamente por este desejo de quebra que não podemos incluir Manet no Impressionismo pois suas obras são inspiradas da tradição. No entanto o seu trabalho foi fulcral para a pintura impressionista e foi em seu redor que se desenvolveu este estilo. A luz e o movimento tornam-se então o principal elemento da pintura.

Tentando agora encontrar exemplos concretos da posta em prática destas novas teorias na obra de Manet, debrucemo-nos sobre o seu quadro Le dejeuner sur l’herbe (ver anexo 5). Neste quadro surge o primeiro grande choque de perspectiva: não será necessário muito tempo de observação para que o olhar tropece num objeto que, pelo menos visto assim, está em completa desproporção com o resto do conjunto. Trata-se de uma mulher que no fundo da composição se banha e esta é representada exageradamente grande, causando também algum incômodo ao nível da iluminação.
Le dejeuner sur l’herbe


Manet vai mais longe com a abolição do espaço euclidiano no seu quadro Musique aux Tuileries (ver anexo 5), no qual apresenta uma cena sem foco na qual o observador tem alguma dificuldade em navegar devido a falta de referências. Este efeito é ainda intensificado pela falta de perpendicularidade pois Manet cuidou de curvar todas as arvores e inclinar todos os chapéus nas cabeças masculinas.

Outro estudo aprofundado por Claude Monet, a não confundir com Manet, a partir de 1890 foi o do tempo na pintura. Preocupou-se em representar a mesma composição em diferentes momentos do tempo. As obras que melhor simbolizam este aspecto são sem duvida as Meules de Foin. Para a elaboração destes temas tomava intervalos de tempo que podiam ir de apenas de algumas horas a vários meses. Temos aqui bem evidente o surgimento da quadridimensionalidade na pintura, e esse era o objetivo de Manet: criar uma relação na pintura tão forte entre o objeto e o tempo, como a que até então existia com as três dimensões. É ainda importante notar que tanto Manet como Monet nunca teorizaram nenhuma das suas procuras, apenas as tornaram evidentes e inevitáveis na sua pintura, e esta é a grande diferença de método entre a ciência e arte, sendo que na maior parte das vezes a procura é comum.

Musique aux Tuileries



Meules de Foin



Paul Cézanne é outro pintor a quem devemos uma abertura na forma de ver o espaço pois foi o primeiro a demonstrar que os objetos de uma pintura integram o espaço de trabalho e são afetados pelo mesmo. Até então nunca tinha havido uma preocupação em conjugar objeto e espaço, não havendo implicação deste no movimento dos objetos. Assim como para Newton o espaço e o tempo eram coisas distintas, para os artistas o espaço nunca interagira com a matéria nele colocado. Não será de esquecer também o nome de Van Gogh que colaborou com o impressionismo.
Este foi o início da revolução provocada pelo aparecimento das geometrias não euclidianas. Repito, estes artistas pintavam nas suas telas teorias que Einstein viria a teorizar décadas mais tarde. Todas estas idéias foram levadas a pontos mais extremos no século XX com o Cubismo de Pablo Picasso.
O Cubismo pode ser comparado à invenção revolucionária da perspectiva na Renascença e se Monet introduziu uma representação temporal na pintura, apoiando-se em vários quadros demonstrativos da temporalidade do espaço, Picasso introduz a simultaneidade. A pintura cubista fracionou assim a apreensão da realidade ao apresentar simultaneamente partes de um objeto que não poderiam ser vistas ao mesmo tempo – a percepção deixa de se poder resumir a uma mera soma de partes pela impossibilidade de reagrupar os fragmentos.

Para subverter o paradigma mecânico, que via o mundo como uma clássica seqüência de regras e era então dominante, Picasso procurou inspiração em motivos africanos pois a visão primitiva do espaço e do tempo é bem diferente da euclidiana.

Isto pode ser observado num dos quadros mais famosos e mais representativos do início do cubismo: Les Demoiselles d’Avignon (ver anexo 6) no qual a mulher agachada está representada ao mesmo tempo de perfil e de frente.

Les Demoiselles d’Avignon



Em termos gerais, a grande mudança provocada por Picasso foi sem duvida a ligação (ou re-ligação) entre ciência, matemática, tecnologia e arte.

Assim, a noção de forma fechada concebida num espaço estático e monocular, comumente herdada do Renascimento é agora substituída pela imagem de ritmo, pela pluri-focalidade e pela polissensorialidade.

Victor Vasarely, nascido a 9 de Abril de 1906, leva a idéia de quadridimensionalidade mais longe afirmando que para ele o tempo não é a quarta mas a primeira dimensão pois o espaço é o lugar de um fenômeno que se realiza ao longo do tempo. Sem com isto querer fugir à discussão, é notável o fato de hoje em dia também os físicos preferirem definir o metro-padão a partir de um período de tempo: o espaço será medido em função da constância da velocidade da luz. A matéria fornece o relógio atômico, com seus rigorosos períodos de desintegração.

A nível da evolução cromática é de notar, desde o Impressionismo, a utilização de cores vivas para produzir efeitos de luz. Este novo método, em conjunto com os outros já referidos, faz com que o espaço se transforme num campo de energia lumino-cromática.

Outro aspecto marcante nos artistas não-euclidianos do século XX é a sua vontade de revelar todo o processo pictográfico, que inclui o sujeito, o que acaba por se refletir na sua intenção estética.”

Victor Vasarely




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Em muito da arte e do pensamento modernos, primitivismo fez-se o clichê comum e da moda (104)
Uma conseqüência muito interessante da aplicação do conceito visual alfabético vs oral não alfabético é a idéia religiosa de quem os usa.
A suposição do autor Mircea Eliade, que trata disto, O Sagrado e o Profano, quando não leva em conta este aspecto, comete, segundo McLuhan, grosseiro engano, pois o homem da Internet estaria mais que nunca “sacralizado” e fica, para mim, se por trás desta enorme ameaça que a diferença de concepção religiosa ou natureza do Deus de cada um se constitui hoje, não estaria tudo sendo alavancado pela entrada na era da comunicação e do computador.
Ou seja, paradoxalmente, contrariando uma idéia corrente, a Internet “sacraliza” o homem e, no próximo bloco, McLuhan desdiz outra tradição que é imaginar que a invenção de Gutemberg, que iniciou-se pela impressão da Bíblia, teria efeito exatamente inverso..
A Galáxia de Gutenberg" tem o propósito de mostrar por que a cultura do alfabeto predispõe o homem a dessacralizar seu modo de ser (107)
McLuhan nos surpreende neste tablete, pois revela o que ele pensa ser o tema central do livro, já que pela própria forma como foi redigir sugere ser um emaranhado de tabletes que podem ou não formar alguma lógica, já que a idéia é que funcionem como fotografias e apenas indiquem um ambiente.
Na parte final deste livro aceitaremos o papel que Eliade declinou, quando disse: "Não nos cabe mostrar por quais processos históricos (...) o homem moderno dessacralizou seu mundo e adotou urna existência profana". Mostrar exatamente por qual processo histórico isso foi feito constitui o tema de A Galáxia de Gutenberg. E, tendo mostrado o processo, po­demos, pelo menos, tomar decisão consciente e. responsável sobre se vamos escolher mais urna vez o modo tribal que tanta fascinação exerce sobre Eliade:
O abismo que divide as duas modalidades de experiência - sagrada e profana - tornar-se-á aparente quando passarmos a descrever o Espaço sagrado e a construção ritual da morada humana, ou as variedades das experiências religiosas do tempo, ou as relações do homem religioso com a natureza e o mundo de instrumentos, ou a consagração da própria vida humana, a sacralidade com que se pode impregnar as funções vitais do homem (alimento, sexo, trabalho, etc.). Bastará que nos lembremos do que a cidade ou a casa, a natureza, as ferramentas ou o trabalho passaram a ser para o homem moderno e não-religioso, ver-se-á para podermos ver com meridiana clareza tudo que distingue esse homem de outro que pertença a qualquer sociedade arcaica, ou mesmo de um camponês da Europa cristã. Para a consciência moderna, o ato fisiológico - comer, sexo, etc. - é em alguns tão-só um fenômeno orgânico. (...) Mas para o primitivo, tal ato não é simplesmente fisiológico; é, ou pode tornar-se, um sacramento, isto é, urna comunhão com o que é sagrado.
O leitor perceberá bem cedo que sagrado e profano são dais modos de ser ,no mundo, duas situações existenciais adotadas pelo homem no decurso da história. Esses modos de ser no mundo não são de interesse tão-só para a história de religiões ou para a sociologia; não são objeto tão-somente de estudo histórico, sociológico ou etnológico. Em última análise, os modos sagrado e profano de ser dependem das diferentes posições que o homem conquistou no cosmo; não interessam, por conseguinte, ao filósofo nem a qualquer pessoa que procura descobrir as possíveis dimensões da existência humana (págs. 14-15)
Eliade prefere qualquer homem oral ao homem dessacra­lizado ou alfabetizado; mesmo "um camponês da Europa cristã" retém algo da antiga ressonância auditiva e da aura do ho­mem sacro, conforme os românticos insistiram há mais de dois séculos. Na medida em que uma cultura não é letrada, ou alfabetizada, ela tem para Eliade os indispensáveis ingredientes sacros (pág. 17):
É óbvio, por exemplo, que os simbolismos e cultos da Mãe Terra, da fecundidade humana e agrícola, do caráter sagrado da mulher, e de coisas semelhantes, não podiam desenvolver-se e constituir um sistema religioso rico e complexo senão através da descoberta da agricultura; é igualmente óbvio que urna sociedade pré-agrícola, dedicada a caça, não podia sentir a qualidade sagrada da Mãe Terra do mesmo modo ou com a mesma intensidade. Há, portanto, diferenças na experiência religiosa, explicadas por diferenças em economia, cultura e organização social - em suma, pela história. Existe, no entanto, entre os caçadores nômades e os agricultores sedentários urna semelhança em conduta que nos parece infinitamente mais importante que suas diferenças; ambos vivem num cosmo sacralizado, ambos compartilham de uma qualidade cósmica sagrada, manifestada igualmente no mundo animal e no mundo vegetal. Basta-nos apenas comparar tais situações existenciais com a do homem das sociedades modernas que vive num cosmo dessacralizado, para percebermos imediatamente tudo que o separa deles.
Já vimos que o homem sedentário ou especializado, contrariamente ao homem nômade, está a caminho de descobrir o modo visual da experiência humana. Mas enquanto o homo sedens evita as espécies mais potentes de condicionamento óptico, tais como as que se encontram na alfabetização, as meras sombras de vida sacra, como as que se mantém entre o homem nômade e o sedentário, não desconcertam Eliade. Preferir Elia­de chamar o homem oral de "religioso" é, naturalmente, tão fantasioso e arbitrário quanto chamar as louras de bestiais. Mas isto não produz qualquer confusão para os que compreendem que "religioso" para Eliade é - conforme insiste desde o começo - o irracional. Ele se encontra nessa companhia muito grande de vítimas da alfabetização que aquiesceram em supor que o "racional" é o explicitamente linear, seqüencial e visual. Vale dizer, ele prefere mostrar-se como um espírito do século dezoito em rebelião contra o modo visual dominante que, naquele tempo, era novidade. Foi o que se deu com Blake e urna legião de outros. Hoje, Blake seria violentamente anti­ Blake, porque a reação de Blake contra o visual abstrato é agora o clichê dominante e a claque dos grandes batalhões, a movimentarem-se arregimentados em rotinas de sensibilidade.
"Para o homem religioso o espaço não é homogêneo; ele sente interrupções e falhas nele" (pág. 20). A .mesma coisa com o tempo. Para o físico moderno, como também para o não-alfabetizado, o espaço não é homogêneo, tampouco o tempo. Em contraste, o espaço geométrico inventado na ambigüidade, longe de ser diferente, único, pluralista, sacro, "pode ser contado e delimitado em qualquer direção; mas nenhuma diferenciação qualitativa e, por conseguinte, nenhuma orientação são dadas em virtude da estrutura que lhe é inerente" (pág. 22). A asserção seguinte aplica-se inteiramente a ação recíproca e relativa dos modos óptico e auditivo na modelação da sensibilidade humana:
Deve-se acrescentar ao mesmo tempo que essa existência profana jamais é encontrada em estado puro. Em qualquer grau que tenha dessa­cralizado o mundo, o homem que se decidiu em favor de urna vida pro­fana jamais consegue eliminar completamente a conduta religiosa. Isto tornar-se-á mais claro a medida que prosseguirmos; parece mesmo que a existência mais dessacralizada preserva ainda traços de urna valorização religiosa do mundo (pág. 23).
O método do século vinte é usar não um único porém muitos modelos para a exploração experimental - a técnica do juízo suspenso (109)
A discussão do tablete 86 volta aqui, particularizando o que McLuhan chama de técnica do juízo suspenso.
Da citação que McLuhan faz na pág. 110, transcrita de William Ivins Jr, vale notar e citar:
O fato, que não deixa de ser divertido, é que as palavras e sua ordem sintática necessariamente linear não nos permite descrever os objetos, compelindo-nos a tentar listas pobres e inadequadas de ingredientes teóricos, que lembram concretamente as receitas de pratos dos manuais de cozinha.”
Eu consegui uma cópia deste livro de Ivvins e acho que vale a pena transcrever outra coisa que ele disse (pg 51)
No Museu (MOMA,NY, do qual ele era Curador de Impressões), eu aprendi de maneira amarga o quanto as palavras são inadequadas como ferramentas para definição e classificação de objetos os quais são singulares e únicos. Eu descobri que enquanto eu não estava interessado nos processos internos que vão dentro do cérebro do homem e do seu sistema nervoso, eu esta desesperadamente interessado no limite pelo qual ele conseguia comunicar os resultados destes processos. Aprendi que Batismo não é explicação, descrição, ou definição. Batismo é dar um nome, meramente juntar uma palavra ou qualidade particular a um objeto.”
McLuhan enfatiza um aspecto ainda pior, que é o de qualquer cultura de alfabeto fonético cair no habito de criar a impressão de que o leitor através do código escrito tem uma experiência de “conteúdo”, coisa que a linguagem falada tem muito mais.
Ele exemplifica a questão dos mitos nos trabalhos de Jung e Freud, cujas explicações não fazem sentido para os usuários não alfabetizados, que vêem instantaneamente os significados, na declaração verbal. Freud e Jung traduzem em termos da consciência de letrados estados de consciência de iletrados e, como toda tradução, deturpam e omitem o significado.
O grande desafio é traduzir o auditivo para o visual, que provoca fermentação criativa, que a nossa época de Internet vive como o faziam os gregos na Grécia clássica ou quem os redescobria na Renascença.
A comunicação via eletrônica (Internet, computador), tem a característica de instantaneidade que os mitos requeriam ou requerem das culturas não alfabéticas.
Especialistas em analise lingüística, como Gilbert Ryle, de Oxford, citado, acham impossível criar modelos pois não há como comunicá-los.
McLuhan cita ainda que percebemos isto principalmente quando dominamos varias línguas e no caso ele cita Grego, latim, Inglês e Francês e a situação de que o mundo oriental não tem conceito de “substancia” ou “forma substancial”, por que não experimenta a pressão visual para dividir a experiência em tais parcelas.
Sobre este efeito na palavra impressa, Williams Ivins, Jr, expressou a significação da tipografia de maneira como ninguém jamais o fez (afirma McLuhan) e eu transcrevo, como principio geral:
Assim, quanto mais precisamente pudermos circunscrever nossos dados para o raciocínio sobre o mundo dos dados que nos venham através de um só e mesmo canal sensorial, tanto mais aptos ficaremos para a correção do nosso raciocínio, muito embora seu alcance possa ser muito mais restrito. Uma das coisas mais interessantes em nossa prática cientifica moderna foi a invenção e a perfeição de métodos pelos quais os cientistas podem adquirir grande parte de seus dados; básicos, através de um mesmo canal sensório de percepção. Compreendo que na física, por exemplo, os cientistas se sentem mais satisfeitos quando podem obter seus dados com a ajuda de algum disco ou outro engenho que possa ser lido pela vista. Assim, o calor, o peso, as dimensões e muitas outras coisas que na vida comum são apreendidas através dos sentidos, sem ser o da visão, tornaram-se para a ciência questões de percepção visual das posições de apontadores mecânicos.”
McLuhan nos informa que Blake considerava a interpretação cientifica da realidade como apenas uma distorção, pois levava em conta um único sentido e comentava que fora isto que ocorrera no século 18 e que era preciso libertar-se “da simples visão e do sono de Newton”.
Einstein iria fazer isto no século XX.
Não consigo me furtar que o único livro que conheço que razoavelmente integra todos os sentidos na compreensão da realidade é a Bíblia e a visão cientifica que esta sendo apresentada atualmente como proposta única e insubstituível para isto, não passa de um sono como foi o de Newton e a humanidade tem ainda que acordar para perceber isto...
A tipografia domina apenas um período (o terço final) da história da leitura e escrita (113)
Neste ponto, se McLuhan tivesse estruturado este livro, começaria uma Parte II, pois ele passa apenas a se preocupar com a palavra escrita, ou melhor impressa, no âmbito de sua capacidade de transferir o espaço áudio-tactil do homem civilizado ou alfabetizado ou “profano”.
Uma informação muito importante é que do séc 5 ao 15, livro era trabalho de escriba ou copista e somente uma terça parte da historia do livro no mundo ocidental foi tipográfica.
E eu acrescentaria que está rapidamente se transformando em eletrônica.e pela quantidade de produção em cinema, TV, mídias audiovisuais, logo terá mais informação desta forma que na do livro impresso.
Vale reproduzir a menção que McLuhan faz de G S Brett em Psicologia antiga e moderna, pág 36-37:
A idéia de que o conhecimento é essencialmente saber de livros pa­rece ser muito noção da época moderna, provavelmente derivada da distinção medieval entre clérigos e leigos, à qual veio dar nova ênfase ao caráter literário e um tanto extravagante do humanismo do século dezesseis. A idéia primitiva e natural de conhecimento é a de "sagacidade ou astúcia", ou do homem de recursos e espírito. Ulisses é o tipo original de pensador, do homem cheio de idéias, capaz de vencer os Ciclopes e alcançar importantes triunfos do espírito sobre a matéria. Saber ou conhecimento, portanto, é capacidade de vencer as dificuldades da vida e. obter êxito neste mundo.”
Brett, nesse ponto, especifica a dicotomia natural que o livro traz para qualquer sociedade, além da divisão ou ruptura interior que produz no indivíduo dessa sociedade. Em suas obras James Joyce revela no assunto clarividência rica e complexa. Em Ulisses, seu personagem Leopold Bloom, o homem de muitas idéias e estratagemas, é um agente de publicidade.

Joyce viu as semelhanças ,entre a fronteira moderna. do verbal e do pictórico, de um lado, e de outro, o mundo de Homero, equilibrado entre a velha cultura sacra e a nova sensibilidade letrada ou alfabetizada, ou profana. Bloom, judeu recém-des­tribalizado, vive na moderna Dublin, no mundo irlandês parcialmente destribalizado. Tal fronteira é o mundo moderno da propaganda, congenial7, portanto, da cultura em transição de Bloom. No episódio de Itaca, ou décimo sétimo de Ulisses, lemos: "Quais eram habitualmente suas reflexões finais? ,As de um anúncio, só e único, que fizesse o transeunte parar admirado, uma novidade de cartaz, do qual todos os acréscimos estranhos fossem excluídos, ficando reduzido aos termos mais simples e eficientes, não excedendo o campo da visão casual e rápida, de acordo com a velocidade da vida moderna".


Em Books at the Wake (Livros na vigília) (págs. 67-68), James S. Atherton assinala:
Entre outras coisas Finnegans Wake é uma história da escrita. Começamos escrevendo sobre "Um osso, um seixo, uma pele de carneiro (...) leave them to cook in the mutthering pot: and Gutenmorg with his cromagnon charter, tintingfats and great prime must once for omniboss stepp rubrickredd out of the wordpress" (20.5). O "mutthering pot" é uma alusão à alquimia, mas há algum outro sentido ligado à escrita, pois na vez seguinte que a palavra aparece é num trecho relativo a melhoria em sistemas de comunicação. O trecho é: «All the airish signics of her dipandump helpabit from an Father Hogam till the Mutther Masons..." (223.3). "Dipandump helpabit" combina os sinais no ar com os dedos do alfabeto de surdos e mudos com os altos e baixos do ABC comum e os mais pronunciados altos e baixos da escrita "ogham" irlandesa. O Mason, que se segue a isso, deve ser o homem desse nome que inventou as penas de aço. Mas tudo que posso sugerir para "mutther" é o "cochichar" dos maçons que não se adapta ao contexto, embora eles também façam sinais no ar(*).”
Neste asterisco, o cultíssimo Prof. Anísio Teixeira, tradutor, explica:
(*) Foram deixadas no texto original as citações de Joyce. É que Joyce utiliza em seu livro todos os recursos dos diversos jargões de Dublin, dissonâncias, calemburgos8 e jogos de palavra para compor um todo refratário à tradução exata. Ora, o propósito do Autor de tirar dessa forma de composição particular uma significação especial é incompatível com uma tradução em que naturalmente não se poderia obter os mesmos efeitos de alusão e transfiguração dos sons. Daí o Tradutor preferir deixar as citações no original, traduzindo apenas o que lhe pareceu traduzível. O mesmo fez o tradutor francês, apesar da singular plasticidade de sua língua. (N. do Trad.)
E McLuhan acrescenta, no melhor estilo que eu Roque, gostaria de anotar Joyce:
"Gutenmorg with his cromagnon charter" expressa por meio de uma glosa mítica, o fato de que a escrita significou a emergência do homem da caverna, ou sacro, de dentro do mundo auditivo de ressonância simultânea para o mundo profano da luz do dia. A menção aos pedreiros (Masons) refere-se ao mundo dos assentadores de tijolos como o próprio modo do uso das palavras. Na segunda página de Wake, Joyce faz um mosaico, um escudo de Aquiles, por assim dizer, com todos os temas e modos da fala e comunicação humanas: "Bygmeister Finnegan of the Stuttering Hand, jreemen's maurer, lived in the broadest way immarginable in bis ruchlit todfarback for messuages before joshuan judges had given us numbers (...)" Joyce faz, em Wake, seus próprios desenhos da caverna de Altamira, configurando toda a história da mente humana, em termos de suas atitudes e ações fundamentais no curso de todas as fases da cultura e da tecnologia. Como o título que escolheu indica, ele viu que a vigília (wake) do progresso humano pode desaparecer novamente na noite do homem sacro ou auditivo.

O ciclo Finn (Finnegans Wake) de instituições tribais pode voltar na era da eletricidade, mas se voltar novamente, façamos dêle uma vigília (Wake) ou um despertar (Awake) , ou ambas as coisas. Joyce não via vantagem em ficarmos fechados em cada ciclo de cultura como num transe ou sonho. Descobriu os meios de viver simultaneamente em todos os modos de cultura ao mesmo tempo e completamente consciente. O meio que menciona para essa auto consciência e correção da distorção cultural é o seu "colideoroscópio". Esse termo indica o intercâmbio em mistura coloidal de todos os componentes da tecnologia humana ao estenderem eles nossos sentidos e mudar o equilíbrio de suas inter-relações no caleidoscópio social do entrechoque cultural: "deor", selvagem, o oral ou sacro; "scope", o visual, ou profano, e civilizado.
O grifo em vermelho é meu, Roque e é a afirmação mais importante que este livro de McLuhan contém.
Até agora cada cultura tem constituído para as sociedades uma fatalidade mecânica: a interiorização automática de suas próprias tecnologias (115)


As técnicas de uniformidade e repetibilidade foram introduzidas em nossa cultura pelos romanos e pela Idade Média (117)
A palavra moderno foi termo de reproche usado pelos humanistas patrísticos contra os escolásticos medievais que desenvolveram a nova lógica e a nova física (120)
Na Antigüidade e na Idade Média ler era necessariamente ler em voz alta (124)

A cultura manuscrita é uma espécie de conversação, mesmo porque o escritor e seu auditório se achavam fisicamente ligados pela forma de recitação que era o modo de publicação dos livros (126)
Manuscrito deu forma às convenções literárias medievais em todos os níveis (129)


Parte II:


Diagrama de
Afinidades

Charles Sanders Pierce

Da Wikipedia

Era filho de Benjamin Peirce, na época um dos mais importantes matemáticos de Harvard.

Charles Sanders Peirce licenciou-se em ciências e doutorou-se em Química em Harvard. Ensinou filosofia nesta universidade e na Universidade Johns Hopkins. Foi o fundador do Pragmatismo e da ciência dos signos, a semiótica. Antecipou muitas das problemáticas do Círculo de Viena.

Além dos títulos descritos, Peirce também era matemático, físico e astrônomo. Dentro das ciências culturais estudou particularmente Linguística, Filologia e História, com contribuições também na área da Psicologia Experimental. Estudou praticamente todos os tipos de ciência em sua época, sendo também conhecedor de mais de dez idiomas.

As áreas pelas quais é mais conhecido, e às quais dedicou grande parte de sua vida e estudos, são a Lógica e Filosofia. Propôs aplicar nesta última os métodos de observação, hipóteses e experimentação a fim de aproximá-la mais das características de ciência.

Peirce concebia a Lógica dentro do campo do que ele chamava de teoria geral dos signos, ou Semiótica. Os últimos 30 anos de sua vida foram dedicados a estudos acerca da Semiótica, para Peirce um sistema de lógica. Produziu cerca de 80.000 manuscritos durante a vida, sendo que 12.000 páginas foram publicadas.

A Semiótica Peirciana pode ser considerada uma Filosofia Científica da Linguagem. A Fenomenologia é a ciência que permeia a semiótica de Peirce, e deve ser entendida nesse contexto. Para Peirce, a Fenomenologia é a descrição e análise das experiências do homem, em todos os momentos da vida. Nesse sentido, o fenômeno é tudo aquilo que é percebido pelo homem, seja real ou não.

Seus estudos levaram ao que ele chamou de Categorias do Pensamento e da Natureza, ou Categorias Universais do Signo. São elas a Primeiridade, que corresponde ao acaso, ou o fenômeno no seu estado puro que se apresenta à consciência, a Secundidade, corresponde à ação e reação, é o conflito da consciência com o fenômeno, buscando entendê-lo. Por último a Terceiridade, ou o processo, a mediação. É a interpretação e generalização dos fenômenos.

Afinidade - proposta

Cf QUEIROZ, J. Introdução à divisão 3-tricotômica de signos de C. S. Peirce. Cadernos de estudos linguisticos (Instituto de Estudos de Linguagem/UNICAMP), v. 46, n. 2, p. 271-282, 2006:

Em "Forms of induction and hypothesis", sua classificação é assim apresentada:
Encontramos representações de três tipos – Signos, Cópias, Símbolos.
Por um signo, eu quero indicar uma representação cuja referência a seu objeto é fixado por convenção.
Por uma cópia, eu quero indicar uma representação cuja concordância com seu objeto depende meramente de uma similitude de predicados.

Por um símbolo eu me refiro a algo sobre o qual o ser é apresentado à mente – sem qualquer semelhança com seu objeto e sem qualquer referência a uma convenção prévia – um conceito.
Em seguida, Peirce divide as condições às quais se sujeitam os símbolos e associa cada uma a uma ciência correspondente:
(i) Gramática formal, ou "ciência das leis gerais das relações dos símbolos com logoi",
(ii) Lógica, ou "ciência das leis gerais de suas relações com os objetos",
(iii) Retórica geral, ou "ciência das leis gerais de suas relações com outros sistemas de símbolos."
No manuscrito "Teleological Logic", de 1865 (idem, t.1, p.303-304) aparece, além de uma lista de definições (lógica, simbolística, semiótica, representação, "coisa"), uma classificação de representações divididas de acordo "com suas verdades ou coincidência com seus objetos", em um domínio de leis gerais da lógica:
(i) signos: "representações em virtude de uma convenção",
(ii) símbolos: "representações em virtude de sua natureza natural ou adquirida",
(iii) cópias: "representações em virtude de uma similaridade de predicados".

Logoi – plural de Logos

Logos (do Grego logos) é um termo importante na filosofia, psicologia, retórica e religião. Originalmente uma palavra que significa "um fundamento", "um argumento", "uma opinião", "uma expectativa", "palavra", "fala", "relato", "razão", tornou-se um termo técnico na filosofia, começando com Heráclito (cerca de 535-475 aC), que usou o termo para um princípio de ordem e de conhecimento.
Filósofos antigos usaram o termo de maneiras diferentes. Os sofistas usaram o termo para significar o discurso, e Aristóteles aplicou o termo para se referir a "discurso fundamentado " ou o "o argumento" no campo da retórica. Os filósofos estóicos identificaram o termo com o princípio animador divino que permeia o Universo.

A metodologia de Pierce cria a partir destas representações criar uma semiótica, que não nos interessa aqui.


Vamos nos limitar a signos, símbolos e cópias e os tabletes serão classificados a partir disto.
Uma lista de signos, símbolos e cópias é obtida a partir deste método.


Signos

Copias

Simbolos



1 Errado no original em Português, não sei no Inglês. Ele quer se referir ao principio da incerteza inserido por Heisenberg, em contraponto com o mecanismo de relojoaria da idéia de Newton. (REC).

2 Participante de um grupo de trabalhadores que (em 1811-1816) tenta­vam impedir a utilização de máquinas que pudessem reduzir a mão-de-obra, quebrando-as e incendiando fábricas, etc. (N. do Trad.)



3 Os coreanos, por volta de 1403, estavam fabricando tipos fundidos de metal por meio de perfurações e matrizes - The invention of printing in China and its Spread Westward (Invenção da impressão tipográfica na China e sua propagação pelo Oriente) por T. 1<'. Carter. Carter não tinha interêsse na rela­ção que existe entre o alfabeto e a tipografia e provàvelmente ignorava que se admite que os coreanos tinham um alfabeto fonético.



4 Aparentemente foi isto que fez McLuhan fazer este livro da maneira que o fez. (REC)

5 Durkheim formou-se em Filosofia, porém sua obra inteira é dedicada à Sociologia. Seu principal trabalho é na reflexão e no reconhecimento da existência de uma "Consciência Coletiva". Ele parte do princípio que o homem seria apenas um animal selvagem que só se tornou Humano porque se tornou sociável, ou seja, foi capaz de aprender hábitos e costumes característicos de seu grupo social para poder conviver no meio deste

6 Referência à expressão de Conrad "The Africa within" - a África que está no "interior" da experiência ocidental.



7 Acomodado pela índole REC

8 O mesmo que calembur, jogo de palavras no qual as palavras diferem, mas quando juntas, são semelhantes no som a outras, de outro significado. Ex. Não sabem o que ela tinha? Que soa como Não sabem o que é latinha? Cf Lello Universal




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