A galáxia de Gutenberg



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Busto de James Joyce na Irlanda

Com a erupção da Segunda Guerra Mundial, Joyce teve de deixar Paris e por fim voltou a Zurique, quase cego, em 1940. No começo do ano seguinte, morre de úlcera duodenal perfurada e peritonite generalizada, durante uma operação para salvar sua vida . Está enterrado no Cemitério de Fluntern, naquela cidade, junto com Nora.

A obra de Joyce foi submetida a pesquisas intensas por estudiosos de todos os tipos, e ele é um dos autores mais notáveis do século XX. Também foi influência importante para autores tão diversos quanto Beckett, Jorge Luis Borges, Flann O'Brien, Máirtín Ó Cadhain, Salman Rushdie, Thomas Pynchon, William Burroughs e muitos outros. Haroldo de Campos considera sua obra, em prosa e em verso, de importância central para a poesia posterior a ela.

A influência de Joyce também se faz sentir em campos alheios à literatura. A frase "Three Quarks for Muster Mark", no Finnegans Wake, é a fonte para a palavra quark, na Física, que designa um dos muitos tipos de partícula elementar. O nome foi proposto pelo físico Murray Gell-Mann. O filósofo francês Jacques Derrida publicou um livro sobre o uso da linguagem em Ulisses, e o filósofo americano Donald Davidson fez o mesmo com o Finnegans Wake, comparando-o com Lewis Carroll.

Celebra-se anualmente a vida de Joyce no dia 16 de junho, o Bloomsday, em Dublin e num número cada vez maior de cidades ao redor do mundo. Em 2004, a capital irlandesa realizou o festival Bloomsday 100, que durou cinco meses (de abril a agosto) e se propunha a reaproximar a cidade e a obra de seu estimado filho. Um dos maiores eventos foi um café da manhã para milhares de pessoas na O'Connell Street, a principal da cidade.

Recentemente, até aqui em Campinas, SP, Brasil, foi comemorado o Boomsday.

Resumindo

A dificuldade que é criar pela palavra escrita a idéia do que era Dublin é o maior libelo para se entender como a palavra limita, como é preciso complicar quando se esta limitado por este tipo de “mídia.”.



A Galáxia de Gutenberg (31)

Um conceito de McLuhan que neste livro ele abre explicando e que percorre todo o livro é a questão da perspectiva tridimensional verbal na literatura em oposição ao que ele afirma ser

A escolha arbitraria de uma única posição estática (que) cria um espaço pictorial com ponto de fuga.”

Que tem como conseqüência:

Esse espaço pode ser preenchido trecho por trecho e difere inteiramente do espaço não pictorial em que cada coisa simplesmente ressoa ou modula seu próprio espaço visualmente em forma bidimensional.”

Ele usa varias formas para demonstrar isto ao longo do livro, e abre com a peça de Shakeaspeare Rei Lear, como:

Perfeita ilustração do processo de despojamento sofrido pelos homens, ao passarem de um mundo de papéis ou funções para um mundo de ocupações ou tarefas.”

McLuhan usa o exemplo da peça de Shakeaspeare para explicar a modificação ocorrida quando da introdução da cultura a partir de livros impressos com a tecnologia de Gutenberg, discutindo a questão da visualização empregada pelo autor.

Embora isto reconhecidamente tenha ocorrido e McLuhan tenha razão ao afirmar que Shakeaspeare foi o primeiro a usar perspectiva tridimensional, o exemplo é terrivelmente ruim para entender o que isto significa.

Os homens passaram de um mundo de papéis para um mundo de tarefas.

Ele afirma ainda que Cervantes com seu D.Quixote teria tido a mesma idéia e creio que a obra de Cervantes se presta muito mais para entendermos o que estava acontecendo com a modificação de visão de mundo que Rei Lear. Talvez eu o faça em separado, já que ele mesmo não o fez, mas por ora, vamos nos ater ao livro.

O mundo da audição é mágico e o da visão é neutro e isto provoca uma destribalização e uma ruptura entre o coração, centro do efeito de ver o mundo oralmente e do cérebro, centro de ver o mundo pela visão.

Ele chama esta ruptura entre a mente e o coração de esquizofrenia, que em Inglês usa a palavra “split”, que é rompimento ou divisão em duas, como ó caso da esquizofrenia.

Acho muito oportuno repetir aqui as considerações que ele faz indicando que:

...Cícero, o enciclopédico e sintetizador do mundo romano, quando investiga o mundo grego, reprova Sócrates por ter sido o primeiro a criar uma cisão entre o espírito e o coração. Os pré-socráticos, em geral, encontravam-se ainda numa cultura não alfabetizada. Sócrates achava-se na confluência entre aquele mundo oral e a cultura visual e alfabetizada. Mas nada escreveu. A Idade Média considera Platão como simples escriba ou amanuense de Sócrates. E Tomas de Aquino considerava que nem Sócrates nem Nosso Senhor puseram por escrito seus pensamentos, porque a espécie de interação das mentes que é ensinar não é possível por meio da escrita, conforme ele cita em latim e eu transcrevo: Utrum Christus debuerit doctrinam Suam Scripto tradere. Summa Theologica, 3ª parte, q.42, at. 4.!

McLuhan faz uma interessante consideração sobre o que nós consideramos como “civilizado”, que é a cultura estruturada sobre livros escritos pelo processo inventado por Gutenberg, na verdade é uma coisa grosseira e um retorno a barbárie, quando comparada ao tipo de civilização que o sistema do uso do alfabeto fonético e as escritas a ele associadas produziram.

Outro aspecto que ele enfatiza que o tipo de orientação visual auditiva, oral que havia na mentalidade não alfabetizada eram muito mais propícios aos modernos conceitos mais avançados sobre arte e ciência e que sofremos um atraso por isto.

Ele acha que o uso da eletricidade (leia-se eletrônica, Internet, computador), nos empurra de volta para uma orientação no sentido anterior, coisa que, gera uma controvérsia ignorante que se agarra no “conteúdo”, quando a chave do problema esta no processo.

A leitura dos manuscritos da cultura oral, como as iluminuras, por exemplo, era coisa demasiado lenta e desigual e jamais conduzia a um ponto de vista fixo ou seja, o habito profundamente arraigado em nós “cultos”, de deslizar firmemente em planos únicos de pensamento e informações.

Aproveito e insiro o seguinte:

SIMBOLISMO (nas iluminuras)

Yves Gack http://boulme.club.fr/cvyves.htm



Os quatro sentidos da Escrita, segundo

Nicolas de Lyre,
poeta do século XV :


A escrita ensina os fatos,
A alegoria indica o que se precisa crer,
A moral o que é preciso fazer,
O sentido anagogico que é para onde devemos ir

O sentido anagógico é aquele que visa levar o vulgar e o medíocre para o elevado e o espiritual



Apresentação


Vou fazer um ensaio para vos apresentar alguns dos símbolos que encontramos freqüentemente nas iluminuras da época que nos interessa.

Esta pagina não pretende examinar o assunto exaustivamente nem ser uma referencia acadêmica! Simplesmente espero que vos ajude a melhor entender aquilo estais vendo.

O elemento de base é entender que uma iluminura não é a versão antiga da fotografia! As duas coisas não se intercambiam:


  • a fotografia representa um instante "t" da realidade de nosso mundo

  • a iluminura é um símbolo que visa transmitir uma mensagem, uma idéia

Esta é a razão por serem as iluminuras feitas:

  • Sem perspectiva

  • O tamanho, as proporções e as atitudes dos personagens não é realista

Símbolos básicos

Os Três Pontos

O três pontos em triangulo, que vemos freqüentemente utilizados como motivo de preenchimento nas placas coloridas, significam, dentre outras coisas, uma escolha entre :




  • A Sagrada Família : Jésus, Maria e José

  • A Santíssima Trindade : O Pai, o Filho e o Espírito Santo

  • Os três níveis do mundo vivo: o nível animal, o nível humano e o nível divino.

Por exemplo, ver a túnica da Virgem como a apresentação do Cristo ao Templo.


Símbolos alfabéticos

As três letras IHC são as três primeiras letras da frase "Jésus Salvador dos Homens" (em grego), elas foram traduzidas para IHS ("Jesus Hominum Salvatorem" na versão latina). Cada um dos dois grupos de 3 letras significa portanto : Jésus Salvador dos Homens.

Da mesma forma, as 2 letras XP são as duas primeiras letras do nome Cristo (em grego).

O Corpo e o Sangue

No término do oficio religioso (missa), na comunhão, o pão e o vinho representam o corpo e o sangue do Cristo. O mesmo é verdadeiro para o vinho e o trigo.



O Corpo

O Sangue

O Trigo

O Vinho

O Pão

O Vinho


A Arroba "@"


Sabe você que toda vez que você digita o sinal @ (arroba) no teclado de seu computador, você esta refazendo o gesto dos monges copistas que na Idade Média que usavam a contração do advérbio latino AD, significando EM DIREÇÃO ou A qualquer um?

Os Animais


O Peixe

Vemos freqüentemente nos manuscritos que as linhas dos textos incompletos são preenchidas com pequenos desenhos. Como motivo normalmente utilizado, vemos o peixe.

A razão é a seguinte: se tomarmos a primeira letra de cada palavra na frase grega "Jésus-Cristo nosso Senhor", e juntamos toas de forma a formar uma palavra, obteremos: "ICHTOS", que em grego significa "peixe" !


A Pomba

Ela representa uma mensagem divina (a palavra de Deus) ou a sabedoria.




As Cores


As cores sempre têm um sentido preciso, e aqui está uma interpretação:

Cor

Nome Heráldico

Planeta

Pedra

Símbolo

Ouro

Ouro

Sol

Topázio

Riqueza
Inteligência
Grandiosidade
Virtude
Prestigie

Prata (Branco)

Prata

Lua

Perola

Inocência
Clareza
Pureza
Sabedoria

Negro

Areia

Saturno

Diamante

Nobreza
Tristeza

Vermelho

Boca, goela

Marte

Rubi

Coragem
Amor
Desejo de servir sua pátria

Verde

Sinople

(verde heráldico)



Vênus

Esmeralda

Liberdade

Saúde
Alegria


Esperança
Liberdade

Azul

Azul

Júpiter

Safira

Bondade
Fidelidade

Perseverança



Violeta

Púrpura







Potencia


Como ver e entender uma iluminura

No topo, em cima, a Mulher aparece vestida com o sol, com a lua aos seus pés, cercada com estrelas e uma coroa em sua cabeça.

À sua direita ela é atacada por um dragão de 7 cabeças que varre, com sua longa cauda, as estrelas do céu.

Na parte de baixo uma mulher recebe as asas de uma águia, pedindo sentar no seu trono.

A relação entre a Igreja Celestial eterna e a Igreja Terrestre, perseguida é colocada em evidencia.



Logo à direita anjos lutam com o dragão e depois repousam suas lanças nos demônios antropomorfos. O dragão é perfurado e mantido preso pelo Arcanjo Miguel. A vitória contra o mal é final. Um demônio, com corpo peludo e cabeça de monstro, está preso no inferno.
A composição como um todo é organizada sob o olhar do Cristo, sentado no seu trono, a principal benção. O fundo vermelho e laranja evocam o inferno e o mal. O azul representa o céu espiritual ou são mulheres, legiões angélicas e o Cristo.
Pode-se reconhecer uma ilustração do versículo 12 que exalta o Reino de Deus e Cristo e a queda do adversário.

Outra pintura, para o mesmo tema:

Literalmente, 'dia de ira'. A preocupação dos cristãos medievais foi o fim do mundo; Que antecipou o julgamento final, seguido pelo Millennium. Após a queda do Império Romano do Ocidente houve um reavivamento da crença no fim dos tempos. O ano de 1000 também foi animado por especulação mitológica, o mesmo sucedendo com a fome, pragas, e terremotos. Mais influentes foram as opiniões do visionário Joachim de Fiore (1145-1202). Ele conta a história dividida em várias etapas e afirmou que em 1260 seria o cumprimento da Idade do Espírito, que havia começado com São Bento (480-550). Naquela época os homens podiam esperar uma nova revelação, a vinda do Anticristo, e os últimos dias de punição. Este mito, escrito estabelece a pedido do Papado, exerceu uma influência poderosa sobre o pensamento medieval, e na sua visão de um mundo futuro onde o Sacro Império Romano e a Igreja de Roma daria lugar a uma livre comunidade de seres que se aperfeiçoaram sem qualquer necessidade do clero ou sacramentos ou escritura, que antecipou modernas teorias sobre o milênio.


Outra iluminura

Ascensão espiritual e queda no inferno(Bernard de Clairvaux)

A inicial "I" ilustra o começo do Tratado de Bernard sobre graus de humildade, inspirado na visão da escada do sonho de Jacó (Gênesis 28, 12). Reflete o grau da perfeição. No topo da escada, em torno do Cristo, num semicírculo simbolizando o paraíso, reconhecemos S.Benedito, vestido de marrom e S.Bernardo, vestido de branco, carregando o cajado e a Bíblia.


Na base do “I”, Jacó, inserido num semicirculo, que simboliza o sonho do espaço. Á sua direita, um demônio se apossa dos anjos que estão descendo.

A figura usa o tema das virtudes e vícios. De fato, se olharmos detidamente, os pés dos anjos que descem não se apóiam nos degraus da escada. Eles estão em posição de queda, um está de ponta cabeça, como mergulhar. É o contraste entre a subida das virtudes espirituais e a queda no pecado, que é valorizado pela imagem.



A apresentação ao mesmo tempo faz referencia à escada de Jacó, numa alegoria de vícios e virtudes e a queda dos anjos.
Voltando à Galáxia de Gutenberg, sobre o perigo do uso da maquina (56)
Sobre visão “cientifica” e uso da máquina e seu efeito sobre o homem:
"Quando Tzu-Gung viajava através das regiões ao norte do rio Han, viu um velho trabalhando em seu horto. O homem tinha cavado um canal para irrigação. Descia a um poço, trazia uma vasilha dágua nos braços e despejava-a no canal. Conquanto seus esforços fossem tremendos, os resultados pareciam muito deficientes. Disse Tzu-Gung:
“- Há um meio pelo qual podereis irrigar uma centena de canais num só dia e com que podereis realizar maior tarefa com pouco esforço. Não gostaríeis de ouvir sobre isso?”
O horticultor levantou-se, então, fitou-o e perguntou: - E qual seria esse meio?
Tzu-Gung respondeu:
“- Tomareis de uma alavanca de madeira, pesa­da numa ponta e leve na outra. Podereis, desse modo, trazer a água para cima com a mesma rapidez com que ela brota. É o que chamamos monjolo de poço.”
A cólera transpareceu logo no rosto do homem, e ele disse:
“- Ouvi meu mestre dizer que quem quer que use máquina acaba fazendo tudo como se fosse uma máquina. Aquele que faz seu trabalho como uma máquina passa a ter o coração à semelhança da máquina, e aquele que traz o coração de uma máquina no peito perde sua simplicidade. Aquele que perde a simplicidade torna-se inseguro na humana lida de sua alma. A insegurança nas lides da alma é algo que não se harmoniza com o senso honesto da vida. Não é que não saiba de tais recursos; é que sinto pejo de usá-los."
Evidentemente esse pequeno conto antigo revela muita sabedoria, pois "insegurança nas lides da alma" talvez seja uma das mais apropriadas descrições da condição do homem em nossa crise moderna: a tecnologia e a máquina espalharam-se pelo mundo até um ponto que nosso sábio chinês não teria podido sequer suspeitar.
A espécie de "simplicidade" considerada pelo sábio é produto mais complexo e sutil que tudo que pode produzir uma sociedade em que a tecnologia e a vida dos sentidos são especializadas. Mas talvez o valor real da história está em que impressionou Heidenberg1. Não teria interessado a Newton. A física moderna não só abandona o espaço visual e especializado de Descartes e Newton, como volta a entrar no espaço auditivo e sutil do mundo não-alfabetizado. E na sociedade mais primitiva, como na idade atual, tal espaço auditivo é um campo total de relações simultâneas, em que a “mudança” tem tão pouca significação e atração quanto tinha para o espírito de Shake­speare ou para o coração de Cervantes.
Independente de toda questão de valores, o que temos de aprender hoje é que nossa tecnologia elétrica tem conseqüências para nossas percepções e hábitos de ação mais comuns e que tais conseqüências estão recriando rapidamente em nós os processos mentais dos homens mais primitivos.
Elas não afetam propriamente nossos pensamentos e ações, matéria em que estamos treinados para ser críticos, mas afetam nosso mais comum senso de vida, o qual cria os vértices e as matrizes de pensamento e ação. Este livro pro­curará explicar porque a cultura tipográfica da palavra impressa confere ao homem uma linguagem de pensamento que o deixa completamente desarmado para enfrentar a linguagem de sua própria tecnologia eletromagnética. A estratégia a que qual­quer cultura deve recorrer num período como esse foi indicada por Wilhelm von Humboldt:
Com os seus objetos vive o homem principalmente - de fato, visto que seu sentimento e sua atuação dependem de suas percepções, pode-se dizer exclusivamente - como a linguagem os traduz e a ele os apre­senta. Pelo mesmo processo com que tira de si mesmo o fio para tecer a linguagem, o homem nela se aprisiona; e cada língua traça um círculo mágico em torno do povo ao qual pertence, círculo do qual nenhum homem pode escapar, salvo saindo dele para entrar noutro(cit.Cassirer, em Language and Myth, pg 9)).
A consciência de tal situação é que veio criar, em nossos tempos, a técnica do juízo suspenso, pelo qual podemos transcender as limitações de nossas próprias suposições, submetendo-as ao espírito crítico. Podemos agora viver, não apenas anfibia­mente em dois mundos divididos e distintos, mas pluralisticamente, em muitos e simultâneos mundos e culturas. Não esta­mos, como anteriormente, limitados a uma só cultura - a uma única razão e proporção entre os sentidos humanos - do mesmo modo que já não nos reduzimos a um só livro, ou uma só língua, ou uma só tecnologia. Culturalmente, nossa necessidade hoje em dia é a mesma do cientista que, vigilante e atento, busca lucidamente corrigir as limitações, desvios e unilateralidades dos instrumentos de pesquisa. Compartimentalizar o potencial huma­no por culturas únicas, cedo se fará tão absurdo quanto se vem tornando a especialização por matérias ou disciplinas. Não é provável que nossa era seja mais obsessiva que qualquer outra, mas tornou-sé, como nenhuma outra, conscientemente sensível ao fato da obsessão e às condições que a promovem. Contudo, nosso fascínio por todas as fases do inconsciente, pessoal e co­letivo, bem corno por todos os modos de consciência primitiva, começou no século dezoito com a primeira reversão violenta contra a cultura tipográfica e a indústria mecânica. O que começou como "reação romântica" para a volta à inteireza orgânica pode ou não ter apressado a descoberta das ondas eletromagnéticas. Mas certamente as descobertas eletromagnéticas recriaram o "campo" simultâneo de todos os negócios humanos, de modo que a família humana existe agora sob as condições de uma "aldeia global".
Vivemos num único espaço compacto e restrito em que ressoam os tambores da tribo. E isto, em tal grau, que a preocupação pelo "primitivo" é hoje em dia tão banal quanto a do século dezenove pelo "progresso" e igualmente irrelevante para nossos problemas.
A nova interdependência eletrônica re­cria o mundo à imagem de uma aldeia global (58)

Seria, por certo, de surpreender, se a descrição que Riesman faz dos povos dirigidos pela tradição não correspondesse ao conhecimento que Carothers nos dá das sociedades tribais africanas. Seria igualmente de espantar se o leitor comum de descrições de sociedades primitivas não fosse capaz de vibrar com profundo sentimento de afinidade ante tais relatos, uma vez que nossa nova cultura da era de eletricidade volta a dar base tribal a nossas vidas. Temos à mão o testemunho lírico de um biólogo muito romântico, Pierre Teilhard de Chardin, em seu Phenomenon of Man (O fenômeno humano) (pág. 240):


Ora, até o ponto em que - sob o efeito dessa pressão e graças à sua permeabilidade psíquica - os elementos humanos se infiltrarem cada vez mais um no outro, suas mentes (misteriosa coincidência) ficaram mutuamente estimuladas com essa proximidade. E assim, como que dilatadas em si próprias, cada uma estendeu pouco a pouco o raio de sua influência sobre a terra que, por esse mesmo motivo, se via cada vez mais contraída. O que, de fato, estamos vendo acontecer no paroxismo moderno, já foi dito e redito muitas vezes. Através da descoberta de ontem da estrada de ferro, do automóvel e do aeroplano a influência física de cada homem, antigamente restringida a poucos quilômetros, estende-se agora a centenas de léguas ou mais. Melhor ainda: graças ao prodigioso evento biológico representado pela descoberta das ondas eletromagnéticas, cada indivíduo encontra-se doravante (ativa e passivamente) simultaneamente presente, em terra e mar, em todo recanto da terra.”
As pessoas de inclinação literária e crítica consideram a estridente veemência de Chardin tão desconcertante quanto seu cândido entusiasmo pela membrana cósmica que se estendeu em torno do globo com a expansão elétrica de nossos vários senti­dos. A exteriorização de nossos sentidos cria o que Chardin chama a "noosfera", ou seja, o cérebro tecnológico do mundo. Ao invés de transformar-se em uma vasta biblioteca alexandrina, o mundo converteu-se num computador, num cérebro eletrônico,exatamente como numa peça infantil de ficção científica. E como nossos sentidos saíram para fora de nós, o Big Brother entrou, tomando-lhes o lugar. Deste modo, a menos que tenhamos consciência dessa dinâmica, entraremos numa fase de terror pânico, perfeitamente característica de um pequeno mundo ressonante de tambores tribais, de total interdependência e de forçada coexistência. É fácil perceber sinais desse pânico em Jacques Barzun que se manifesta como um indômito e feroz "luddite"2 em seu livro The house of the lntellect (A casa do intelecto). Sentindo que tudo que lhe é caro e valioso se ori­gina da atuação do alfabeto em e sobre nossa mente, Jacques Barzun propõe a abolição de toda arte moderna, toda ciência e toda filantropia. Extirpado esse trio, julga ele que podemos fechar a caixa de Pandora. Pelo menos Barzun localiza seu problema, embora não tenha nenhuma pista quanto à espécie de atuação exercida por aqueles três elementos. O terror é o estado normal de qualquer sociedade oral, porquanto nela tudo afeta tudo o tempo todo. ,
Nota (Roque)
Dentro da proposta inicial, considero pertinente examinar um pouco mais as idéias de Teillard de Chardin:
Teillard de Chardin Teilhard concebeu a idéia do Ponto Omega e desenvolveu conceito de Vladimir Vernadsky sobre Noosfera. Algumas de suas idéias entraram em conflito com o Magistério da Igreja Católica, e vários de seus livros foram censurados.



Omega Point é um termo cunhado pelo jesuíta francês Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955) para descrever um nível máximo de complexidade e de consciência para que o universo parece estar evoluindo.

Nesta teoria, desenvolvida por Teilhard no seu livro The Future of Man (1950), o universo está em constante desenvolvimento para níveis mais elevados de complexidade material e da consciência, que a teoria da evolução que Teilhard criou chama de Lei da Complexidade / Consciência. Para Teilhard, o universo só pode se mover na direção de maior complexidade e consciência se ele está sendo puxado por um ponto supremo da complexidade e da consciência. Assim Teilhard postula o Ponto Omega como este ponto supremo da complexidade e da consciência, que em sua opinião é a verdadeira causa para o universo de crescer em complexidade e consciência. Em outras palavras, o Ponto Omega existe como extremamente complexo e consciente, transcendente e independente do universo em evolução. Teilhard argumentou que o Ponto Omega lembra o Logos cristão, ou seja, Cristo, que atrai todas as coisas em si mesmo, que nas palavras do Credo de Nicéia, é "Deus de Deus", "Luz da Luz", "Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, "e" por meio dele todas as coisas foram feitas. "


Vernadsky primeiro popularizou o conceito da noosfera e aprofundou a idéia da biosfera ao significado amplamente reconhecido pela comunidade científica de hoje. A palavra "Biosfera" foi inventada pelo austríaco Eduard Suess geólogo, a quem Vernadsky conheceu em 1911.

Na teoria de Vernadsky de desenvolvimento da Terra, a noosfera é a terceira etapa no desenvolvimento da terra, depois da geosfera (matéria inanimada) e a biosfera (vida biológica).

Assim como o surgimento da vida transformou fundamentalmente a geosfera, o surgimento da cognição humana fundamentalmente transformou a biosfera. Nesta teoria, os princípios da vida e da cognição são características essenciais da evolução da Terra, e deve ter sido implícito na Terra o tempo todo. Esta análise sistêmica e geológica dos sistemas vivos complementa a teoria de Charles Darwin da seleção natural, que olha para cada espécie individualmente, e não em sua relação com um princípio incorporador, parte de uma regra ou principio geral.

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