A galáxia de Gutenberg



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A Galáxia de Gutenberg

Marshall McLuhan



Manual do Usuário

Anotada e comentada por

Roque Ehrhardt de Campos

camposre001@gmail.com

Julho de 2011

Apresentação
Algo escrito e anotado pode ser simplesmente algo sublinhado, um termo colorido em amarelo para chamar a atenção quando estamos lendo, porém, existem certos tipos de texto que tornam indispensável anotações indicando circunstancias da criação do argumento, contexto do autor, do assunto, da língua usada, etc.

As anotações são úteis para compreensão e relevância do assunto tratado.

Existem vários campos onde isto ocorre normalmente, destacando-se em nossa língua o direito, a lingüística, as traduções, o desenho de programas computacionais.

Em obras de caráter literário, intelectual, não é costume, em Português anotar, talvez porque sugira ou pretensão indevida de quem anota ou limitação intelectual de quem lê.

Nada mais falso.

A obra por excelência que requer anotação é a Bíblia, mas pessoalmente alimento um projeto de vida que seria traduzir Ulysses, ou Finnegan’s Wake de James Joyce, autor que sem anotação é absolutamente incompreensível, porém só existe isto em outras línguas, particularmente o Inglês, aliás, com auxilio dele mesmo, Joyce.

Remeto o leitor ou leitora ao comentário que insiro no tablete 113 e informo que antes de tomar conhecimento disto, eu já tinha este sonho.

No nosso caso, de McLuhan, as anotações não serão amplas como ele talvez tenha usado seus conceitos, mas serão concentradas na idéia de construir um Manual do Usuário, alias como o nome indica.

Desconheço regras ou recomendações de anotação desta natureza, uma vez que tanto quanto eu saiba, apenas as anotações de revisão de texto estão ordenadas e regradas por normas.

Tenho para mim que, no fundo, uma enciclopédia é uma anotação sobre “tudo” e aprecio sobremaneira o critério usado pela Enciclopédia Britânica, para alguma profundidade e para um conhecimento razoável, em nossa língua, gosto do Lello Universal.

Em termos de obra escrita “livro”, para mim a Bíblia é imbatível e apresento um exemplo de um texto dela anotada, que encontrei pesquisando e apenas traduzi.

Não é coincidência do uso da Bíblia de Gutenberg, que é o mesmo que deu o nome para a o trabalho de McLuhan, mas a relação em si disto tudo daria um trabalho maior e que talvez um dia eu ainda encare.

Por enquanto, serve apenas para abrir uma fresta neste universo que o McLuhan nos apresenta com um conceito tão diverso do que temos sobre isto como a idéia de tempo que Einstein nos apresentou com sua teoria da relatividade, alias particularmente difícil de “anotar” .
Roque Ehrhardt de Campos

Agosto de 2011



Net Bible

Biblia de Jerusalém

Vulgata Latim “moderno”

Vulgata Gutenberg
3:1 For everything 1  there is an appointed time, 2 and an appropriate time 3  for every activity 4  on earth: 5 

Há um momento(2) para tudo(1) e um tempo(3) para todo propósito(4) debaixo do céu (5)

Omnia tempus habent et suis spatiis transeunt universa sub caelo.

Omnia tempus habēt:t suis spatiis transeūt universa sub celo.


3:2 A time to be born, 6  and a time to die; 7 a time to plant, and a time to uproot what was planted;

Tempo de nascer, (6) e tempo de morrer;(7) tempo de plantar, e tempo de arrancar a planta.

Tempus nascendi et tempus moriendi tempus plantandi et tempus evellendi

Tempus nascēdi:et tempus moriendi. Tempus plātandi : et tempus euellendi


3:3 A time to kill, and a time to heal; a time to break down, and a time to build up;

Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de destruir, e tempo de construir.

Tempus occidendi et tempus sanandi tempus destruendi et tempus aedificandi.

Tempus occidendi:et tps sanandi.Tempus destruendi:et tempus edificādi.


3:4 A time to weep, and a time to laugh; a time to mourn, and a time to dance.

Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de gemer, e tempo de bailar.

Tempus flendi et tempus ridendi tempus plangendi et tempus saltandi.

Tempus flendi:et tps ridendi. Tempus plāgendi : et tps saltādi.


3:5 A time to throw away stones, and a time to gather stones; a time to embrace, and a time to refrain from embracing;

Tempo de atirar pedras, e tempo de recolher pedras; tempo de abraçar e tempo de se separar.

Tempus spargendi lapides et tempus colligendi tempus amplexandi et tempus

Tempus spargēdi lapides:et tps colligēdi. Tempus amplexandi:et tps


3:6 A time to search, and a time to give something up as lost; 8 a time to keep, and a time to throw away

Tempo de buscar, e tempo de perder; (8);tempo de guardar, e tempo de jogar fora.

Tempus adquirendi et tempus perdendi tempus custodiendi et tempus abiciendi

Tempus acquirendi :t tps pdendi. Tempus custodiendi:t tps abiciendi.


3:7 A time to rip, and a time to sew; a time to keep silent, and a time to speak.

Tempo de rasgar, e tempo de costurar; tempo de calar, e tempo de falar.

Tempus scindendi et tempus consuendi tempus tacendi et tempus loquendi

Tempus scindendi:et tempus cōsuduendi.Tempus tacendi:t tempus loquendi


3:8 A time to love, and a time to hate; a time for war, and a time for peace.

Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.

tempus dilectionis et tempus odii tempus belli et tempus pacis

tempus dilectionis:t tps odii. Tempus belli:et tps pacis.



(1) O Verso 1 esta montado num formado "quiasma" – (figura de estilo que consiste em inverter a ordem das palavras de duas frases que se opõem, por ex., 'deve-se comer para viver e não viver para comer') sendo no caso o quiasma do tipo ABB'A' (לַכֹּל זְמָן וְעֵת לְכָל־חֵפֶץ, lakkol zÿman vÿ'et lÿkhol-khefets): (A) "para tudo"; (B) "uma estação"; (B') "um tempo"; (A') "para todas as coisas." Os termos "estação" (זְמָן, zÿman) e "tempo" (עֵת, 'et) são paralelos. À luz do seu paralelismo como "todas as coisas - propósitos" (כָל־חֵפֶץ, khol-khefets), o termo "tudo" (כָל, khol) tem que se referir aos eventos e situações da vida.

(2)O substantivo זְמָן (zÿman) denota "tempo designado" ou "hora designada" (HALOT 273 s.v. זְמָן; BDB 273 s.v. זְמָן; veja Eccl 3:1; Esth 9:27, 31; Neh 2:6; Sir 43:7), e.g., o tempo designado ou fixado para as festas judias (Esth 9:27, 31), a duração que Nehemias estabeleceu para sua ausência de Susa (Neh 2:6), e as épocas designadas na Lei Judia para o inicio dos meses (Sir 43:7). É usado num paralelismo com מועד ("tempo designado"), i.e., מועד ירח ("o tempo designado da Lua") esta fazendo paralelismo com זמני חק ("o tempo designado pela Lei"; Sir 43:7). O verbo em questão, um Pual – tempo - de זָמַן (zaman), significa "estar designado" (HALOT 273 s.v. זְמָן); e.g. Ezra 10:14; Neh 10:35; 13:31. Estes termos podem estar relacionados com o substantivo I זִמָּה (zimmah, "plano; intenção"; Job 17:11; HALOT 272 s.v. I זִמָּה) e מְזִמָּה (mÿzimmah, "finalidade, plano, projeto"), e.g., as finalidades de Deus (Job 42:2; Jer 23:20; 30:24; 51:11) e os planos do homem (Isa 5:12); veja HALOT 566 s.v. מְזִמָּה; BDB 273 s.v. מְזִמָּה.

Os versos 1-8 se referem ao tempo reservado por Deus em seu esquema de tempo para atividades ou ações humanas cuja época mais adequada é determinada pelos homens. Os Versos 9-15 afirmam que Deus em ultima analise é responsável pelo tempo, ou momento em que os eventos da historia humana ocorrem. Isto parece fornecer um equilíbrio impressionante entre a Soberania de Deus e a responsabilidade do homem.O homem faz o que Deus desejou, mas o homem também faz "o que quer" (veja a nota 4 sobre a palavra "matter - assunto" in 3:1).



(3)O substantive עֵת ('et, "ponto no tempo") tem um sentido básico duplo: (1) "temo de um evento" e (2) "tempo para um evento" (BDB 773 s.v. עֵת). Este ultimo tem as seguintes subcategorias: (a) "tempo usual," (b) "o tempo adequado e apropriado," (c) "o temo designado," e (d) "tempo incerto" (Eccl 9:11). Aqui a conotação é "um tempo próprio, adequado para um evento" (HALOT 900 s.v. עֵת 6; BDB s.v. עֵת 2.b). Exemplos: "o tempo para chover" (Ezra 10:13), "um tempo para o julgamento das nacoes" (Ezek 30:3), "um tempo apropriado para todas as ocasiões" (Eccl 3:1), "o tempo quando as cabras da montanha nascem" (Job 39:1), "a chuva em sua estação" (Deut 11:14; Jer 5:24), "o tempo da colheita" (Hos 2:11; Ps 1:3), "comida em sua estação" (Ps 104:27), "ninguém sabe sua hora ou seu destino" (Eccl 9:12), "o momento certo" (Eccl 8:5); cf. HALOT 900 s.v. עֵת 6.

(4) O substantive חֵפֶץ (khefets, aqui "matter - assunto, business-negocio") tem um amplo significado (1) "gozo, alegria," (2) "desejo; vontade;espera," (3) "o bom prazer; vontade; finalidade" (4) "pedras preciosas" (i.e., joalheria), i.e., o que alguém se delicia com, e (5) "matter - assunto; business - negocio," como uma metonímia – substituição - de um adjunto por algo que alguém se delicia com (Eccl 3:1, 17; 5:7; 8:6; Isa 53:10; 58:3, 13; Pss 16:3; 111:2; Prov 31:13); veja HALOT 340 s.v. חֵפֶץ 4; BDB 343 s.v. חֵפֶץ 4. Também algo que é usado em referencia ao "bom prazer" de Deus, que é seu plano soberano, e.g., Judg 13:23; Isa 44:28; 46:10; 48:14 (BDB 343 s.v. חֵפֶץ). Enquanto que o tema da soberania de Deus permeia Eccl 3:1–4:3, o conteúdo de 3:1-8 se refere a atividades humanas que são planejadas pelo homem. O LXX(versão bíblica) traduziu como πράγματι (pragmático, "matter - assunto"). O termo é traduzido de forma geral no Inglês moderno como "todas finalidades" (KJV, ASV), "todos eventos" (NASB), "tudo que delicia" (margem NASB), "todos afazeres – inclusive amorosos" (NAB), "todos assuntos" (RSV, NRSV), "todas atividades" (NEB, NIV), "todo projeto" (MLB), e "toda experiência" (NJPS).

(5) Heb "sob o céu – com sentido de paraíso".

(6)O verboיָלָד (yalad, "ter consigo") é usado no sentido da mãe dando a luz a uma criança (HALOT 413 s.v. ילד; BDB 408 s.v. יָלָד). Porem, à luz do paralelismo com "um tempo para morrer", deve ser tomado como uma metonímia – substituição de causa (i.e., dar a luz a uma criança) por efeito (i.e., nascer).

(7)Em 3:2-8, Qoheleth (autor do Eclesiaste) usa catorze conjuntos de merismas - partes (uma figura de estilo usando opostos polares para abranger tudo que esta entre estes opostos, isto é, sua totalidade), e.g., Deut 6:6-9; Ps 139:2-3 (veja E. W. Bullinger, Figures of Speech, 435).

O termo לְאַבֵּד (lÿ'abbed, Piel infinitivo construído de אָבַד, 'avad, "destruir") significa "perder" (e.g., Jer 23:1) em contraste com בָּקַשׁ (baqash, "procurar encontrar) indica (HALOT 3 s.v. I אבד; BDB 2 s.v. אבד 3). Este sentido é declarativo ou delocutivo-estimativo (?) de Piel: "ver algo como perdido" (R. J. Williams, Hebrew Syntax, 28, §145; IBHS 403 §24.2g).



Resumo e referência para uso dos conceitos do livro:
A Galáxia de Gutenberg

Marshall McLuhan


Este trabalho esta pensado como um resumo de caráter utilitário, isto é, para aplicação dos conceitos em trabalhos de natureza prática.
O livro de McLuhan não tem estrutura formal e é feito como uma colcha de retalhos, ou quebra-cabeças, sendo cada peça um tablete de um mosaico.
Indico em negrito o tablete e a página onde ele se encontra. Posso deixar de incluir algum tablete por considerá-lo embutido noutro ou por não interessar para minha finalidade, mas vou pelo menos mencionar todos.
Informações históricas ou de origem somente serão citadas quando forem úteis neste sentido.
Elaborações conceituais vazias ou que não acrescentem ao objetivo, serão excluídas.
Vou tentar construir um diagrama de afinidades baseado nos conceitos criados por Charles Sanders Peirce, sem preocupação de exatidão metodológica.
Na primeira parte, sigo linearmente a mesma estrutura de McLuhan e na segunda, vou tentar agrupar os tabletes segundo esta afinidade e eventualmente surja algum método de aproximação disto.
Copio, transcrevo, condenso, explico, acrescento, subtraio, inclusive de outras fontes, como outros tabletes do mosaico, na medida em que o tema ou assunto abordado por McLuhan no tablete especifico requeira, na minha percepção.
A motivação para este trabalho é a possibilidade da criação de trabalhos com uma arquitetura dentro dos conceitos apresentados, utilizando as técnicas disponíveis, especialmente as ligadas ao computador, Internet, mídias, etc.
Estes trabalhos podem ser de treinamento, ensino, ou voltados para qualquer assunto que se queira, como por exemplo um diário ou guia de viagem ou até mesmo uma obra literária.
Em anexo amostras desta utilização.
Criticas, duvidas, indicações, comentários, são bem vindos.
Roque Ehrhardt de Campos

camposre001@gmail.com



Campinas, SP, Julho de 2011

Lista completa dos tabletes com a página onde se encontram:
Apresentação da edição brasileira (Prof.Anisio Teixeira) (11)
Introdução (15)
Prólogo (17)
A Galáxia de Gutenberg (31)
Rei Lear é perfeita ilustração do processo de despojamento sofri­do pelos homens, ao passarem de um mundo de papéis ou funções para um mundo de ocupações ou tarefas (35)
Rei Lear é a primeira manifestação verbal, na história da poesia, da angústia da terceira dimensão (37)
A assimilação e interiorização da tecnologia do alfabeto fonético traslada o homem do mundo mágico da audição para o mundo neutro da visão, (40)
Esquizofrenia pode ser conseqüência inevitável da alfabetização (45)
Será que a interiorização de meios de comunicação, tais como as letras, alterando a relação entre nossos sentidos, revoluciona os processos mentais? (48)
A civilização que traslada o bárbaro ou homem tribal do universo do ouvido para o da vista está agora em dificuldades com o mundo eletrônico (51)
O físico moderno sente-se à vontade com a teoria do campo, de origem em rigor oriental, ou não-ocidental (54)
A nova interdependência eletrônica recria o mundo à imagem de uma aldeia global (58)
A alfabetização afeta a fisiologia bem como a vida psíquica do africano (60)
Porque sociedades não-alfabetizadas não podem "ver" filmes e fotos sem que para isto sejam devidamente treinadas (64)
A platéia africana não pode aceitar nosso papel passivo de consumidores na presença do filme (67)
Quando a tecnologia estende ou prolonga um de nossos sentidos, a cultura sofre uma transposição tão rápida quanto rápido for o processo de interiorização da nova tecnologia (70)
É impossível construir-se uma teoria de mudança cultural sem o conhecimento das mudanças do equilíbrio relacional entre os sentidos resultantes das diversas exteriorizações de nossos sentidos (73)
O confronto no século vinte entre as duas faces de cultura – a alfabética e a eletrônica - empresta à palavra impressa papel crucial em deter o retorno à África Interior (76)
A tendência atual de reforma do alfabeto ou da ortografia é a de acentuar o sentido auditivo mais do que o visual (79)
O alfabeto é um absorvedor e transformador agressivo e militante de culturas, conforme Harold Innis foi o primeiro a mostrar (82)
O herói de Homero transforma-se em um homem dividido, ambivalente, ao assumir um ego individual (83)
O mundo dos gregos demonstra por que as aparências visuais não podem interessar um povo que não tenha antes "interiorizado" a tecnologia alfabética (87)
O ponto de vista dos gregos tanto em arte como em cronologia pouco tem em comum com o nosso, mas assemelha-se muito ao da Idade Média (90)
Os gregos inventaram suas novidades artísticas e científicas depois da interiorização do alfabeto (93)
A continuidade das artes medieval e grega foi assegurada pelo elo entre caelatura ou gravação e iluminura(96)
A crescente importância do visual entre os gregos os desviou da arte primitiva que a idade eletrônica agora reinventa depois de ter interiorizado o campo unificado da simultaneidade elétrica (99)
Uma sociedade nômade não pode ter a experiência do espaço fechado (100)

.

Em muito da arte e do pensamento modernos, primitivismo fez-se o clichê comum e da moda (104)
A Galáxia de Gutenberg" tem o propósito de mostrar por que a cultura do alfabeto predispõe o homem a dessacralizar seu modo de ser (107)
O método do século vinte é usar não um único porém muitos modelos para a exploração experimental - a técnica do juiz suspenso (109)
A tipografia domina apenas um período (o terço final) da história da leitura e escrita (113)
Até agora cada cultura tem constituído para as sociedades uma fatalidade mecânica: a interiorização automática de suas próprias tecnologias (115)
As técnicas de uniformidade e repetibilidade foram introduzidas em nossa cultura pelos romanos e pela Idade Média (117)
A palavra moderno foi termo de reproche usado pelos humanistas patrísticos contra os escolásticos medievais que desenvolveram a nova lógica e a nova física (120)
Na Antigüidade e na Idade Média ler era necessariamente ler em voz alta (124)

A cultura manuscrita é uma espécie de conversação, mesmo porque o escritor e seu auditório se achavam fisicamente ligados pela forma de recitação que era o modo de publicação dos livros (126)
Manuscrito deu forma às convenções literárias medievais em todos os níveis (129)

Parte I:


Conteúdo e análise dos tabletes

A Galáxia de Gutenberg

Marshall McLuhan


Apresentação da edição brasileira (Prof.Anisio Teixeira) (11)
Um dos pensadores do pensamento contemporâneo.
Apresenta um novo ângulo pelo qual procura desvendar as origens e o modo por que se formou o que chamamos o espírito moderno, nossa visão do mundo, nosso modo de ser e existir, nossa cultura.
Ele não pensa ideologicamente, teorizando sobre a natureza humana ou a sociedade, mas é como se revelasse uma fotografia, buscando ver e descrever o que se passou com a evolução do homem em desenvolver-se e criar seu mundo, inventando as tecnologias que estenderam os sentidos e o poder de formar suas culturas.
Nós nos tornamos “indivíduos”, somos “publico”, pertencemos ao “Estado” e às “Nações”, possuímos “pensamento cientifico”, somos “secularizados”, porque somos homens Gutemberguianos e McLuhan desconstroi isto com tal penetração e originalidade, que provoca verdadeira vertigem quando percebemos onde ele quer chegar.
Ele já apontava no fim dos anos 60 algo que está explodindo diante de nossos olhos, estamos voltando a cultura tribal de períodos anteriores, aliás em obra posterior ele menciona a “Aldeia Global” no fim dos anos 60, inclusive apontando para o problema da guerra e da paz (seu livro chama-se “Guerra e Paz na Aldeia Global”.
Introdução (15)
A abordagem usada é dividir os problemas por campo, sob forma de mosaico de dados e citações que evidenciam e comprovam o campo, mosaico ou problema.
A Galáxia, que originou o nome do livro, no caso, é ela própria o mosaico de formas em perpétua interação operando uma transformação caleidoscopica.
Poderia ser substituída por Meio Ambiente a Galáxia.
Qualquer nova tecnologia de transporte ou de comunicação tende a criar seu respectivo meio ambiente humano.
Podemos exemplificar como tecnologias o manuscrito e o papiro, o estribo e a roda, criadores de ambientes únicos de enorme alcance. Os ambientes tecnológicos não são recipientes puramente passivos de pessoas, mas ativos processos que remodelam pessoas e igualmente outras tecnologias.
A passagem da roda para o uso da eletricidade foi uma das maiores mudanças que se tem noticia.
A impressão por tipos moveis criou um ambiente totalmente inesperado: o publico, coisa que os manuscritos não conseguiram no seu tempo.
As nações, como viriam a ser conhecidos certos grupos, não precederam nem podiam preceder a tecnologia de Gutenberg, bem como não poderão sobreviver como tal com o poder que o circuito elétrico tem de envolver totalmente todos os povos com todos outros povos.
O “Público” criado pela palavra impressa esteve na intensa autoconsciência visualmente orientada tanto de individuo como de grupo. As conseqüências desse intenso acento visual com o crescente isolamento do sentido da vista dos demais sentidos são apresentados neste livro.

O tema é a extensão das modalidades visuais de continuidade, uniformidade e conexão tanto da organização do tempo como do espaço.


O circuito elétrico (leia-se computador, Internet) não facilita a extensão das modalidades visuais em grau que de algum modo se aproxime do poder visual da palavra impressa.
O confronto destas novas tecnologias elétricas ou eletrônicas, com a mecânica, ou seja, da palavra impressa, vai provocar uma reconfiguração da Galáxia, ou do meio ambiente, que McLuhan previa no inicio dos anos 60 e que esta acontecendo plenamente neste inicio de século 21.
Prólogo (17)
Como este resumo tem caráter utilitário, informações históricas ou de origem somente serão citadas quando forem úteis neste sentido, como já informei.
Neste prólogo ele indica outros autores que se dedicaram ao mesmo tempo e estudos clássicos da literatura da primeira metade do século 20 indicam que estudos comparativos de Homero, o primeiro e mais famoso bardo, assim como os bardos modernos, visavam:
fixar com exatidão a forma da poesia épica oral (...) Seu método consistiu em observar bardos iugoslavos trabalhando numa florescente tradição de canções não escritas e a observação de que suas canções dependiam para serem aprendidas que eles as aprendessem a praticar sua arte sem ler e escrever
É crucial percebermos que além desta característica básica, que este livro usa para explicar do ponto de vista da influencia da eletricidade (leia-se eletrônica, Internet) o que ocorreu ali, nós estamos hoje tão avançados na era da eletricidade quanto os elisabetanos se achavam, então, na da tipografia e mecânica. Experimentamos as mesmas conclusões e indecisões que eles sentiram por viverem simultaneamente em duas formas contrapostas de sociedade e experiência. Enquanto os elisabetanos se viam colocados entre a experiência corporativa medieval e o individualismo moderno, nós invertemos a sua posição, confrontando uma tecnologia elétrica (leia-se eletrônica, Internet) que parece tornar o individualismo obsoleto e a interdependência corporativa compulsória.
Ou seja, grifo meu, Roque, voltamos à condição pré Gutemberg!
A Galáxia de Gutenberg (31)
Antes de entrar no livro, à guisa de aviso aos navegantes para os obstáculos que nos esperam, quero fazer algumas considerações (Roque)
McLuhan apresenta uma dificuldade notória:
Veja por exemplo a resenha que esta na Internet em
http://www.goodreads.com/review/show/108196632
I didn't finish this book. It was enough of a slog that I figured I'd muddle my way through it, but intersperse other books along the way, but no. I suddenly came to the realization that I had no idea what I was reading. I'd made it almost 100 pages, and all I had retained from those pages was that he starts the book discussing King Lear, but I don't know why, and that people from literary cultures apparently see differently than people from non-literary cultures. That's all. It was one of those books where you understand all the words, but ultimately have no idea what the sentence they form actually says.

It doesn't help that McLuhan made extensive use of quotations from his source material. And when I say extensive I mean both in number and in size. In many cases, he quoted several paragraphs at a time. And since most of his sources are from research papers and the like, their intended audience is experts, and possibly interested and educated amateurs. They are not directed at the average layman, and by quoting so extensively instead of synthesizing, McLuhan did not make his book very accessible. I'm not normally one to advocate dumbing things down to the lowest common denominator, but your audience does need to be taken into consideration when writing a book that, as far as I know, was intended for general consumption.

Consider the following sentence: "Of course, it could be argued that a lyric disposition to applaud the audile-tactile gropings of child and cave art betoken a naive and uncritical obsession with the unconscious modes of an electric or simultaneous culture." (83) It's probably even less clear with no context, but I honestly have no idea what that sentence means. That was what really made me realize that if nothing I'm reading means anything to me, there's simply no point in continuing.

One thing I did find interesting is that, contrary to what Nicholas Ostler said about how writing systems have never changed speech patterns, McLuhan states directly, "writing affects speech directly, not only in its accidence and syntax, but also its enunciation and social uses." (48)

Anyway, I tried this, and found that I barely understood anything in it, so I'm leaving it. Sorry, Mr. McLuhan. I'm sure your book is as genius as everyone says it is. But it's too smart for me.
Podemos afirmar sem medo de errar que seus conceitos são:
Ininteligíveis

Parcialmente compreensíveis

Levam a uma compreensão falsa

Levam a uma compreensão errônea

Não dá para saber onde ele quer chegar

Excessivamente intelectualizado



Excessivamente sofisticado
Mas, para mim, que não sei até onde consegui efetivamente entendê-lo, me pareceu genial.
Claro que vou tentar ultrapassar isto da melhor forma possível, mas aviso aos navegantes para que eu não aumente a plêiade de seguidores de McLuhan que parecem mais estar fazendo algum numero de stand up comedy pelas coisas que escrevem.
Caso o leitor ou leitora ainda não tenha já esta percepção, remeto à Internet e sugiro que pesquisem no Google “McLuhan basics” e comprove o que estou dizendo.
Um exemplo perfeito é: http://www.gingkopress.com/02-mcl/z_mcluhan-and-the-senses.html
Aceito discordância. Mas por favor me informem o que quer dizer:
A language that treats the present effectively must be exploratory or disorienting rather than explanatory or familiar. The familiar obstructs perception, stressing the common orientation.
Se eu fosse cego, como é o caso real diante do desconhecido que enfrentamos, e eu fosse atravessar uma avenida com trafego intenso e não estivesse familiarizado com o sinal, o botão que aperto para segurar o trafego, não soubesse a distancia que me separa da outra calçada, pergunto, como eu vou atravessar esta rua sem ser atropelado?
Talvez meu ponto tenha sido feito melhor por Robert Fulford, seu conterrâneo, em comemoração ao seu centenário, que irá ocorrer no próximo dia 21 de Julho de 2011:


Robert Fulford: Marshall McLuhan, the man who invented ‘communications’

When Marshall McLuhan was alive, teaching at the University of Toronto and writing his books about communications, it was hard to find two people who agreed on his importance. Opinions ranged from contempt to adulation. No one else in Canadian intellectual life created so much angry controversy.

There were those who considered him a charlatan because he published his thoughts in casual, untested form, often as slogans like “The medium is the message” — not an acceptable style for a real professor. Others believed that he was celebrating both the end of books and the rise of television. Even those who thought him a genius disagreed about what his ideas meant.

Now, 31 years after his death, he remains controversial but he’s rarely ignored. He’s quoted in all the best places, his ideas often borrowed to help explain Facebook, Mad Men or some other phenomenon he didn’t live to hear about. The New York Times never gets through a year without citing him a dozen times.

He’s acknowledged as the chief inspiration of communications as an academic discipline. (Admittedly, it’s not very academic and not noticeably disciplined, but …) That’s one reason the centenary of his birth (July 21, 1911) is being elaborately celebrated by a network of academics banded together under the name “McLuhan in Europe 2011.”

During this year, they’re holding 15 conferences across the continent, from Manchester and Brussels in the West to Budapest and Riga in the east. In Barcelona last month, Manuel Castells, a sociologist of information, said McLuhan rewrote everyone’s way of understanding the most crucial human activity, communications. He opened areas of research that continue to blossom. What he said was valuable, but in Castells’ view it mattered even more that “in the way of the great thinkers,” he helped others to think differently.

In Toronto, the McLuhan Program in Culture and Technology at the University of Toronto is running a series of seminars and as visual background has installed site-specific works of art on McLuhanite themes in the Atrium at the MaRS innovation centre and on the hallowed walls of the Coach House, where McLuhan held many seminars in his last years.

McLuhan infuriated many readers of his work by his oblique and sometimes impenetrable style. He seldom wrote or spoke a simple sentence because he had no use for smooth, persuasive prose. I believe he thought that words that are easy to read are also easy to ignore and forget. He liked writing that was barbed and thorny; he admired Ezra Pound’s essays.

Another reason he was misunderstood was that his listeners seized on him for their own purposes. Television people, flattered by his attention, believed that he took them as seriously as they took themselves and that he even admired what they did. But McLuhan disliked television; he watched it only enough to know he didn’t enjoy it.

He didn’t judge it in print, however. He preferred instead to describe what he observed. So it was easy to think he accepted the new media. In fact, he was essentially bookish. His PhD from Cambridge only began his education. He learned most from early 20th century culture, such as Cubist painting and Joyce’s Ulysses. Applying the insights of highbrow art to mass culture was probably his shrewdest single move.

This week, an English artist, Simon Poulter, working on a film about McLuhan, brought his camera into my office and quizzed me for an hour on how McLuhan looks to me now and what I remember about him. I admired him, learned from him, defended him against the jeers of fellow journalists, criticized him, argued with him, interviewed him for print, radio and TV.

Simon had with him a copy of a 1964 letter he had found in the archives at McMaster University, Marshall’s response to my review in Maclean’s of Understanding Media. It began in true McLuhan form: “It’s amazing that you got anything out of my writing at all, since you misconceive my entire procedure.” I had criticized his habit of frequent repetition but he explained that was essential to his method. He explained that the extension of the nervous system in the electric age had led to “the complete break with 5,000 years of mechanical technology,” a point I had failed (in his view) to appreciate.



But he ended, also in McLuhan style, “I do value your friendly approach.” I valued his too and I’m glad to be reminded that he’s become, as he deserves to be, an established part of the 21st century.

Comento (Roque) o que grifei acima dentro do espírito anunciado de manual do usuário.


Ainda vou traduzir o artigo acima, mas como ha muito trabalho pela frente, vou criar esta edição, misturar as línguas, que creio que quem estiver lendo domine.
The medium is the message

O meio é a mensagem

Esta frase é das que mais causam confusão no entendimento de McLuhan.



Para que estiver apenas folheando e não tiver paciência de ler tudo, remeto ao que apresentei sobre o tema

Porque sociedades não alfabetizadas não conseguem “ver” filmes e fotos (64)

Ezra Pound’s essays

Ensaios de Ezra Pound
Apesar de que sou professor de Inglês, não me considero autoridade na língua, mas mais por gosto que por necessidade, tenho noção, ainda que educada apenas, sobre quem é quem na língua inglesa.
Pound foi sempre contestador. Ele discordava da idéia da poesia como sendo um ensaio moral em versos e era frontalmente contra a corrente da época que ele pertenceu.
Ezra Pound não me é atraente, tem coisas sobre sua passagem pela existência difíceis de se aceitar, como por exemplo, sua adesão ao fascismo, seu anti-semitismo e, na minha ignorância, acho ele meio parecido com Gertrude Stein, isto é, reconhecidamente gênios, porém com trabalhos difíceis de se apreciar com gosto. Foram ambos promotores dos grandes escritores da época, ou seja, Hemingway, James Joyce, Robert Frost, DH Lawwrence, Yeats e Adlington, que são bem mais palatáveis, talvez com a exceção de James Joyce, que é um caso totalmente à parte.
Pound fez coisas tão absurdas ns décadas de 30 e 40, no sentido do politicamente correto com relação aos “aliados”, que somente a hipótese que já fosse sintoma de sua loucura poderiam explicar os posicionamentos que tomou, que o levaram preso para os EUA no fim da guerra.
Seria hoje o que se diz extrema direita.
Ele ficou preso de 45 a 58 e foi solto pelo superintendente do manicômio onde estava internado, que se baseou num atestado de que ele estava permanentemente e incuravelmente insano.
Ele foi para a Itália, onde ficaria até 72, e ao chegar foi fotografado saudando no gesto fascista tradicional e ao ser perguntado quando fora libertado do manicômio, respondeu! “Nunca.Quando eu sai do hospital, eu ainda estava na América e aquilo é um vasto manicômio”.
Para nossa finalidade, que é utilitária com relação aos nossos objetivos, interessa que de Pound, McLuhan extraiu conceitos do:
Extraído de http://en.wikipedia.org/wiki/Ezra_Pound

Imagism


Further information: Des Imagistes

Church Walk, Kensington; Pound rented rooms there between 1909 and 1914.

A blue plaque on 10 Church Walk, where Pound said Imagisme was born.

Hilda Doolittle arrived in London from Philadelphia in May 1911 with the poet Frances Gregg and Gregg's mother; when they returned in September she decided to stay on. Pound introduced her to his friends, including the poet Richard Aldington, whom she fell in love with and married in 1913. Before then, the three of them lived in Church Walk—Pound at no. 10, Doolittle at no. 6, and Aldington at no. 8—and worked daily in the British Museum Reading Room.[23] At the museum he also met regularly with the curator and poet Laurence Binyon, who introduced him to the East Asian artistic and literary concepts that would become so vital to the imagery and technique of his later poetry. The museum's visitors' books show that Pound was often to be found during 1912 and 1913 in the Print Room examining Japanese Nishiki-e inscribed with traditional Japanese Waka verse, a genre of poetry whose radical economy and strict conventions undoubtedly contributed to Imagist techniques of composition.[24] Pound was at that time working on the poems that became Ripostes (1912), trying to move away from his earlier work, which he wrote later had reduced Ford Madox Ford in 1911 to rolling on the floor laughing at Pound's stilted language. He realized with his translation work that the problem lay not in his knowledge of the other languages, but in his use of English:

What obfuscated me was not the Italian but the crust of dead English, the sediment present in my own available vocabulary ... You can't go round this sort of thing. It takes six or eight years to get educated in one's art, and another ten to get rid of that education.

Neither can anyone learn English, one can only learn a series of Englishes. Rossetti made his own language. I hadn't in 1910 made a language, I don't mean a language to use, but even a language to think in.[25]

He understood that to change the structure of your language is to change the way you think and see the world. While living at Church Walk in 1912, Pound, Aldington, and Doolittle started working on ideas about language that became the Imagism movement. The aim was clarity: a fight against abstraction, romanticism, rhetoric, inversion of word order, and over-use of adjectives. Pound later said they agreed in the spring or early summer of 1912 on three principles:

1. Direct treatment of the "thing" whether subjective or objective.


2. To use absolutely no word that does not contribute to the presentation.
3. As regarding rhythm: to compose in the sequence of the musical phrase, not in sequence of a metronome.[26]

Superfluous words, particularly adjectives, were to be avoided, as were expressions like "dim lands of peace," which he said dulled the image by mixing the abstract with the concrete. He wrote that the natural object was always the "adequate symbol." Poets should "go in fear of abstractions," and should not re-tell in mediocre verse what has already been told in good prose.[26] A classic example of the style is Pound's "In a Station of the Metro" (1913), inspired by an experience on the Paris Underground. "I got out of a train at, I think, La Concorde, and in the jostle I saw a beautiful face, and then, turning suddenly, another and another, and then a beautiful child's face, and then another beautiful face. All that day I tried to find words for what this made me feel." He worked on the poem for a year, reducing it to its essence in the style of a Japanese haiku.[27] It reads in its entirety:



The apparition of these faces in the crowd;
Petals on a wet, black bough.[28]

It’s amazing that you got anything out of my writing at all, since you misconceive my entire procedure.” I had criticized his habit of frequent repetition but he explained that was essential to his method. He explained that the extension of the nervous system in the electric age had led to “the complete break with 5,000 years of mechanical technology,” a point I had failed (in his view) to appreciate.



But he ended, also in McLuhan style, “I do value your friendly approach.” I valued his too and I’m glad to be reminded that he’s become, as he deserves to be, an established part of the 21st century.

Que vale a pena traduzir:



"É incrível que, ao fim de tudo, você tenha obtido alguma coisa da minha escrita, uma vez que você não compreendeu o meu procedimento inteiro." Eu havia criticado o seu hábito de repetição freqüente, mas ele explicou que era essencial para o seu método. Ele explicou que a extensão do sistema nervoso na era elétrica levou à "ruptura total com 5.000 anos de tecnologia mecânica", um ponto que eu tinha falhado (na sua opinião) em apreciar.
Mas ele acabou, também no estilo McLuhan, "Eu aprecio sua abordagem amigável." Eu apreciava a dele também e eu estou contente de ser lembrado de que ele se tornou, como ele merece ser, uma parte estabelecida do século 21.”

Vou aproveitar estas afirmações de McLuhan feitas a Robert Fullford e discuti-las à luz de um exemplo, para o qual pode-se afirmar a mesma coisa, isto é, :

Joyce’s Ulysses
Ele é considerado por Ezra Pound como “o” poeta do imagismo.
Ele nasceu de família rica, mas o alcoolismo do pai o destruiu e o jogou na pobreza, ainda em idade de depender do pai.
Talvez um dos mais irlandeses de todos os irlandeses, rejeitou a fé católica aos 16 anos. Mas Tomas de Aquino permaneceu para sempre uma das mais fortes influencias de sua obra.. Transcrevo da Wikipedia:
Ulisses

1922 foi um ano fundamental na história do modernismo na literatura de língua inglesa, com a publicação tanto de Ulisses quanto do poema The Waste Land, de T. S. Eliot. Em seu romance, Joyce utiliza-se do fluxo de consciência, da paródia, de piadas e virtualmente todas as demais técnicas literárias para apresentar seus personagens. A ação do livro, que se desenrola em um único dia, 16 de junho de 1904, situa os personagens e incidentes da Odisséia de Homero na Dublin moderna e representa Odisseu (Ulisses), Penélope e Telêmaco em Leopold Bloom, sua esposa Molly Bloom e Stephen Dedalus, cujos caracteres contrastam com seus altivos modelos, parodiando-os. O livro explora diversas áreas da vida dublinense, estendendo-se sobre sua degradação e monotonia. Ainda assim, o livro também é um estudo afeiçoadamente detalhado sobre a cidade, e Joyce afirmava que se Dublin fosse destruída por alguma catástrofe, poderia ser reconstruída tijolo por tijolo, usando como modelo sua obra. Para atingir este nível de precisão, Joyce usou uma edição de 1904 do Thom's Directory - uma obra que listava os proprietários e/ou possuidores de cada imóvel residencial ou comercial da cidade. Ele também soterrava amigos que ainda viviam na cidade com pedidos de informação e esclarecimentos.



O livro consiste em dezoito capítulos, cada um cobrindo aproximadamente uma hora do dia, começando por volta das 8 da manhã e terminando em algum ponto após 2 da madrugada seguinte. Cada um dos dezoito capítulos emprega seu próprio estilo literário. Cada um deles também se refere a um episódio específico da Odisseia de Homero e tem associado a si uma cor, arte ou ciência e órgão do corpo humano. Esta combinação de escrita caleidoscópica com uma estrutura extremamente formal e esquemática é uma das maiores contribuições do livro para o desenvolvimento da literatura modernista do século XX. Outras são uso da mitologia clássica como a armação para a construção do livro e o foco quase obsessivo nos detalhes exteriores num livro em que muito da ação relevante ocorre dentro das mentes dos personagens. Ainda assim, Joyce queixou-se: "talvez eu tenha supersistematizado Ulisses," e minimizado as correspondências míticas pela eliminação dos títulos dos capítulos, emprestados a Homero.
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