3 As Características do Pombo Correio



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3 - As Características do Pombo Correio

O atual pombo-correio é o fruto dos cruzamentos de algumas raças belgas e inglesas, efetuadas na segunda metade do século XIX. Este tipo de pombo foi continuamente selecionado a fim de apurar duas características principais: o sentido de orientação e um morfético atlético.
O pombo-correio caracteriza-se, entre outras, pelas seguintes propriedades:

  • endurance

  • vivacidade

  • rapidez de voo

  • penas abundantes e brilhantes

  • rabo sempre pregueado

  • pescoço, fortemente implantado, muito erguido

  • grande resistência à fadiga

Tem um peso médio compreendido entre 425 e 525 gramas para os machos e 480 gramas para as fêmeas. É capaz de percorrer num só dia distâncias de 700 a 1. 000 Km., a velocidades médias superiores a 90 km por hora.

O Revestimento Corporal - As Penas
As penas nos pombos correio cumprem vários fins; formam uma capa Termo isoladora, organizam as superfícies impulsoras da asa e dão ao corpo a forma aerodinâmica característica.
Existem diferentes tipos de penas:

  • as de contorno

  • o "duvet"

  • as filopenas

  • o "duvet" empoado

São penas de contorno, as remiges (as penas maiores das asas), as retrizes (pena da cauda) e as tetrizes (penas de cobertura).
O "duvet" é a penugem, a qual deve ser abundante e sedosa.
As filopenas transmitem informações sobre o movimento e as vibrações das penas de contorno aos recetores nervosos.
O "duvet" empoado contém um fino pó branco constituído basicamente por queratina. Este pó é o responsável pela resistência destas penas de água.

As penas são implantadas na pele, em campos, segundo, um padrão fixo. A cor das penas é variada, sendo as mais comuns: azul, vermelho, castanho claro, malhado, bronzeado, preto e branco.

As penas do pombo renovam-se cada ano, designando-se esta atividade fisiológica como Muda e deve ser perfeitamente conhecida pelo columbófilo, porque representa um momento crítico na vida desportiva do pombo-correio: qualquer falha ou doença, nesta fase, reduz visivelmente a capacidade de competir nas grandes provas.
As penas mais importantes são as das asas e da cauda.

A Muda
As penas das aves não são mais do que a evolução das escamas dos seus longíquos antepassados: os répteis. A plumagem é principalmente constituída por proteínas. Assim, torna-se aconselhável aumentar durante o período da muda, o teor em proteínas na alimentação. Isto consegue-se mediante a introdução de grãos leguminosos (ervilhas, feverol, ervilhaca).

Em Pombos Adultos
A muda começa pela queda das remiges primárias da asa. Tem lugar normalmente de Abril a Novembro.
A muda depende do estado de saúde, da natureza do pombo, do meio ambiente em que vive, do regime a que se submete e da sua idade.

As dez remiges da asa são renovadas todos os anos, começando pela mais pequena, situada na parte média da asa. As seis primeiras caem a intervalos de três semanas, no momento em que a seguinte chega a ter a metade da sua longitude. A partir da queda da sexta, a muda estende-se às penas pequenas do corpo, começando pelas plumilhas que se encontram no nascimento do bico.

As remiges secundárias têm um regime especial. Cada ano o pombo perde geralmente uma por asa. A nova pena sai um pouco mais larga, um pouco mais curta (1 ou 2 milímetros) e a sua extremidade é um pouco mais arredondada. As doze caudais renovam-se igualmente cada ano, caem aos pares de tal maneira que o plano inclinado que formam durante o voo mantem-se constantemente o mais perfeito possível.

Em Borrachos
A muda será total ou parcial dependendo da época do seu nascimento.
Os que abandonam os seus ninhos no mês de Março, efetuam uma muda total, a partir do mês seguinte. Pelo contrário os tardios, nascidos em Agosto ou em Setembro, efetuam uma muda parcial, uma vez que, o frio de Inverno corta o processo fisiológico normal. A muda torna a efetuar-se na primavera seguinte.





4 - A Reprodução

Os acasalamentos representam uma das virtudes mais destacadas do nosso desporto. Segundo a forma de os realizar vai depender a qualidade da futura colónia.

Se não houver cuidado na seleção dos pombos a acasalar a colónia degenerará, tornando-se, cada vez mais, ineficiente em termos competitivos. Por tal motivo, devem deixar-se para a reprodução somente pombos com reconhecida categoria ou os provenientes de pombais com um pedigree comprovado. Independentemente do seu fim (melhorar a colónia), o conhecimento dos acasalamentos, reprodução e cria são importantes porque o desporto columbófilo baseia muito da sua estratégia na opção do tipo de jogo, nomeadamente metendo os pombos em celibato (machos e fêmeas separados) com ovos, com borrachos ou em viuvez.

A distinção de machos e fêmeas faz-se por caracteres externos, normalmente o macho é de maior tamanho, possui um arrolhar característico, que se quando persegue outros pombos, estendendo as penas do rabo pelo chão. O macho costuma ter a cabeça, o bico, assim como, as carúnculas de maior tamanho que a fêmea.

O Acasalamento
Normalmente, juntam-se os pombos quando o fotoperíodo natural vai aumentando, isto é, a partir de Janeiro até Junho. Embora dependendo da latitude e da época de muda, pode estender-se até aos meses de Agosto / Setembro.

A escolha dos casais é primordial na Columbofilia, nomeadamente, no apuramento de linhas mais aptas para os concursos de velocidade e outras adequadas a grandes distâncias. Selecionar-se-ão para os acasalamentos machos e fêmeas que possuem constituição harmónica, uma força comprovada, um olho apropriado, uma rapidez no voo verificada nos diferentes concursos, etc., única forma de fixar nos seus descendentes as melhores características. Ainda assim, isso não quer dizer que se obtenham excelentes borrachos. É o columbófilo quem deve com a sua persistência ir eliminando as características defeituosas e introduzir as melhores à base de cruzamentos com pombos procedentes de outros pombais.

Quando um casal der bons borrachos, deverá conservar-se unicamente para a reprodução não o expondo aos riscos da competição. Desta forma, alternando diferentes machos e fêmeas e comprovando sempre os resultados dos seus produtos no "cesto", é como ao final de algumas gerações se consegue colónias de absoluta confiança.

Para fazer o acasalamento coloca-se o macho e a fêmea numa gaiola preparada para o efeito, onde efetuam a postura e a cria dos borrachos. Quando se quer acasalar um macho excecional com várias fêmeas - o que é difícil, devido ao pombo ser monogâmico - existe um sistema chamado "a caixa do touro" através do qual se pode acasalar o referido "crack" com quatro fêmeas em simultâneo. Esta já é, no entanto, matéria para columbófilos experientes.



As Fases da Cria
As diferentes fases fisiológicas da cria resumem-se da seguinte maneira:

  • a postura efetua-se uns oito ou dez dias depois do acasalamento;

  • a fêmea põe os ovos: o primeiro pela tarde e o segundo dois dias depois, ao meio dia;

  • a incubação começa depois da postura do segundo ovo e dura 17 dias;

  • o macho incuba desde as dez até às dezasseis horas e a fêmea o resto do tempo;

  • entre duas posturas sucessivas decorrem uns trinta e cinco dias.

Quando as crias da primeira postura cumprirem os dez dias, deve colocar-se outro ninho para evitar:

  • que a fêmea ponha no mesmo ninho e que os ovos possam partir-se;

  • que a incubação seja irregular, por impossibilidade física de estar crias e pais juntos no mesmo ninho;

  • os borrachos separam-se dos pais aos 25 dias. A partir daqui já podem comer sós.




5 - A Aprendizagem do Pombo Correio

A aprendizagem do pombo-correio começa a partir do seu nascimento, e tem como principais objetivos:

  • A adução ao pombal;

  • Proporcionar-lhe o vigor e a preparação necessária, para que, quando solto, regresse ao seu pombal com segurança e na maior rapidez;

A capacidade que o pombo-correio tem em regressar ao pombal manifesta-se tanto nos machos como nas fêmeas. Por meio de uma aprendizagem e um treino cuidadoso, estes animais podem percorrer grandes distâncias em vôo ininterrupto.

A Adaptação
O pombo-correio acostuma-se com maior ou menor rapidez, consoante a idade de adução ao pombal:

  1. Borrachos nascidos no pombal
    Em princípio, os borrachos só abandonam o seu ninho quando são capazes de se alimentarem por si sós. Para aduzir os borrachos é suficiente deixá-los completamente tranquilos. Quando têm força para voar fazem-no no seu pombal, aproveitando o sputnik para conhecerem as imediações. Quando finalmente empreendem o voo, descrevem círculos sem se afastarem do pombal; pouco a pouco, vão-se unindo ao bando para voar e regressar com ele.

  2. Borrachos procedentes de outro pombal
    Os borrachos adaptam-se ao novo pombal num período de 10-15 dias, sempre que tenham menos de um mês. A princípio procuram afincadamente uma saída. Por isso, devem manter-se encerrados e serem objeto de todas as atenções no que se refere à higiene, bem estar e alimentação, até que se acostumem ao seu novo habitat. As primeiras saídas efetuar-se-ão pela tarde.

  3. Pombos adultos
    Os que não tenham voado em liberdade demoram a adaptar-se entre um mês e um mês e meio. Se já voaram, mas sem viajar, aconselha-se a acasalá-los antes de soltá-los (dois a três meses).

A Aprendizagem
A partir da adaptação, a educação do nosso atleta faz-se de forma gradual. Quando os borrachos têm uns 25 dias já podem alimentar-se por si sós. Então, é preciso separá-los dos seus pais e alojá-los num sector especial só para eles. Esta separação é conhecida como o "desmame". Efetua-se, colocando os borrachos num pombal acolhedor, com uma camada de palha no chão e onde a ração e água estejam colocados de forma acessível. No entanto, o columbófilo deverá seguir atentamente a evolução das aves, verificando se todos acedem ao bebedouro e ao comedouro. Os borrachos que não conseguiram beber, normalmente, têm tendência para se isolar num dos cantos do pombal, piscando ininterruptamente os olhos. Aí, deverão pegá-los e mergulhar-lhes a cabeça no bebedouro.

Quando houver um grupo de borrachos, dos quais os mais jovens tenham cumprido os três meses de idade e levem mais de um mês voando livremente pelo exterior do pombal, podemos começar com os voos preliminares de reconhecimento dos arredores. O primeiro voo deve fazer-se num dia claro e sereno, pouco antes da primeira distribuição da comida aos pombos, desde um ponto livre, situado, aproximadamente, a um quilómetro do pombal. Em voos sucessivos vamos aumentando, gradualmente, esta distância até alcançar os 8 a 10 quilómetros. Terminados estes voos, temos a certeza de que os borrachos conhecem perfeitamente os arredores. Quando for possível, os borrachos devem ser soltos, um a um, para que não regressem em bando, mas sim individualmente. Depois aumentamos, progressivamente, as distâncias a 40, 75, 100, 150 Kms. Estes voos fazem-se com todos os borrachos ao mesmo tempo. Aqui podemos dar por terminada a aprendizagem durante o primeiro ano.

Algumas Associações promovem, hoje em dia, concursos de borrachos. No segundo ano, os "pombos de ano" podem voar até 500 quilómetros, ou mais, começando com treinos progressivos, para que, o pombo vá ganhando forma, antes de alcançar a distância desejada. Para os grandes concursos (de fundo), devem escolher, preferencialmente, pombos adultos de mais de 3 anos.

Precauções
A direção e intensidade do vento, o nevoeiro, a neve e a chuva influem o regresso do pombo impedindo-o, algumas vezes, de chegar ao seu destino. Por isso, é de muita importância, na época da aprendizagem e treino, não soltar os pombos quando houver vento forte em direção contrária, ou quando as condições meteorológicas sejam francamente desfavoráveis, não obstante, em voos curtos, os pombos com alguma experiência poderem viajar com tempo chuvoso e ventos moderados, com o objetivo de tornar as aves aptas para voos em quaisquer circunstâncias meteorológicas.

A hora mais conveniente para soltar os pombos é um quarto de hora depois do sol nascer.



Programa de Voos (Treinos)
Todos os pombos dum pombal devem, na medida do possível, realizar voos diários.

Existem treinos livres e obrigatórios. Os primeiros consistem na libertação das aves sem quaisquer restrições. Os segundos, já implicam o cumprimento de voo com uma duração pré-definida pelo próprio columbófilo.

Vários columbófilos usam uma bandeira para evitar que os pombos poisem, nomeadamente, no pátio ou nos telhados. É muito importante desencorajar os pombos do mau costume de pousar nos telhados, uma vez que, futuramente este vício terá repercussões negativas na pronta e rápida entrada pós-concurso, com a consequente perda de tempo.

Podemos, ainda, incrementar a velocidade de entrada recorrendo a estímulos sonoros, como apitos ou assobios especiais ou agitando os grãos de comida num recipiente metálico. Existem ainda columbófilos que usam um pombo como chamariz. Se os pombos estão bem-educados, ao serem chamados, entram sem demorar no seu pombal, sem sujar à sua volta ou incomodar os vizinhos.

O voo do meio-dia pode ser substituído por um treino individual a curta distância. Devemos efetuar, no mínimo um treino diário à volta do pombal, devendo ser seguido com a máxima atenção por parte do columbófilo, pois é um dos fatores de maior importância para o conhecimento do pombo-correio. Aproveita-se a realização destes voos para a limpeza do pombal, para mudar a água dos bebedouros, preparar a ração e tudo o que é necessário para a distribuição da comida.

Transporte de Pombos
Os pombos que vão ser soltos para treino ou para concurso, introduzem-se em cestos de viagem. Antes de introduzir os pombos nos cestos, deve efetuar-se um reconhecimento minucioso, a todos os pombos, comprovando o estado de forma, o estado das penas, assim como, o estado das mucosas.

Uma vez selecionados os pombos, no pombal, levam-se ao clube columbófilo onde se encontra filiado e, dali, são expedidos em cestos para os locais de solta . O columbófilo deve velar para que se cumpram as condições mínimas de encestamento e de cuidado com os seus pombos. Algumas destas condições são:



  • Os locais de encestamento devem ser ventilados, unicamente com a presença do pessoal responsável do controle dos pombos, sendo terminantemente proibido FUMAR;

  • Os cestos de viagem devem estar limpos e livres de parasitas;

  • Os cestos devem ser manipulados com cuidado durante as operações de carga e descarga dos veículos para evitar golpes e quedas que prejudicariam os pombos, retirando-lhes capacidade de voo.

  • No final da viagem, e até ao momento de soltar os pombos, os cestos têm de ser protegidos das inclemências do tempo, em lugar coberto, seco, moderadamente ventilado, para que, os pombos possam descansar, dando-lhes a água e comida necessária;

  • Os machos e as fêmeas são encestados separadamente.




6 - Alguns Conselhos

Anilhamento dos Borrachos
O anilhamento dos borrachos com anilhas da Federação Portuguesa de Columbofilia, efetua-se quando estes fizerem 6 a 8 dias. Nesse momento, é fácil levar a cabo esta operação, sem que haja perigo de ferir os dedos da ave, nem a possibilidade da anilha cair. A anilha irá identificar o pombo durante toda a sua vida desportiva. A anilha oficial coloca-se, em regra, na pata esquerda do borracho.

O borracho mantém-se em posição normal, com a pata esquerda esticada e introduz-se, na anilha, os três dedos anteriores, cuidando que as inscrições da anilha não fiquem invertidas. Ao mesmo tempo, o dedo posterior mantém-se para trás apoiado por cima do tarso.



Forma de Apanhar os Pombos
A melhor forma de apanhar os pombos, é proceder à aproximação, fazendo os seus ruídos característicos, para que, permaneçam o mais tranquilos possível, apanhando-os devagar com ambas as mãos. Os pombos seguram-se com a mão esquerda, de modo a que fiquem as patas entre o dedo médio e o indicador e as asas sobre a cauda, presas pelo dedo polegar. Se o pombo se tentar defender, podemos imobilizá-lo, segurando-o, ligeiramente, contra o corpo do columbófilo, ou com a mão direita pela sua parte anterior.

Método de Preparação dos Pombos-Correio para Concursos
No conhecimento profundo dos pombos, basear-se-á, em boa medida, a arte de preparar os pombos-correio para que regressem o mais depressa possível ao seu pombal.

Alguns tipos de jogos:



  1. Método Natural:
    Consiste em viajar tanto os machos como as fêmeas, aproveitando os diferentes estados fisiológicos da cria, isto é, acasalamento, incubação e criação dos borrachos. O instinto de voltar ao ninho proporciona um rápido regresso.

  2. Método da Viuvez: 
    É um dos métodos mais empregados. Consiste em acasalar o macho e a fêmea, deixá-los criar um borracho e quando a fêmea puser, pela segunda vez, retirar os ovos e separá-la do macho. Posteriormente, quando se encestar para efetuar uma viagem, deixa-se com a fêmea por uns minutos. Este processo cria, no macho, um mecanismo de recordação do ninho e da parceira, fazendo com que percorra as distâncias no menor tempo possível. À sua chegada, encontrará novamente a fêmea, com quem estará por um tempo variável, segundo as características do macho (de minutos a horas). Este sistema de voo está em contínua evolução, e existem diversas variações: viuvez total, com fêmeas, etc.




7 - A Alimentação

O pombo-correio é uma ave que se alimenta, principalmente, de grãos. A dieta, como a de qualquer atleta, deve ser perfeitamente equilibrada com proteínas, hidratos de carbono e gordura, para proporcionar todos os requisitos necessários, nos diferentes períodos fisiológicos e desportivos.

Estes períodos podem-se dividir em:



  • Concursos: de Janeiro a Julho

  • Reprodução: de Janeiro a Julho

  • Muda: de Junho a Novembro

  • Defeso: de Novembro a Janeiro

Os grãos dividem-se em três classes:

  • Cereais: trigo, cevada, aveia, milho, centeio, sorgo e milho alvo

  • Leguminosas: ervilhas, lentilhas, feverol, ervilhaca e favas pequenas

  • Oleaginosas: linhaça, colza, nabiça, girassol e cártamo

No que respeita ao tipo de ração a usar em cada um dos períodos, aconselha-se que se siga a sugestão dada pelas casas da especialidade, as quais dispõem de excelentes tipos de rações. Contudo, as necessidades mínimas dos pombos-correio são as seguintes:

Discriminação

Proteína Bruta %

Gordura Bruta %

Energia Merabilizada
em KCal/Kg Alimento


Período de Criação

15

3

2950

Período de Concursos

13

3,5

3100

Período de Muda

12

3

2950

Período de Defeso

12

2,5

2800

Independentemente da ração, os pombos-correio devem ter sempre à disposição uma mistura de GRIT (pequenas pedrinhas que atuam à maneira de dentes, triturando o alimento a nível da moela). Regularmente, deve-se, também, administrar verduras (alface, couve, etc.).



A alimentação poderá fazer-se segundo vários critérios; para uns é aconselhável alimentar os pombos a uma hora certa, uma vez ao dia; para outros, será distribuir a comida, uma vez pela manhã e outra pela tarde. Em qualquer dos casos, 20 minutos depois de distribuir a comida, retiram-se os comedouros. As quantidades aconselhadas oscilam entre as 30 e as 40 gr/ pombo dia (uma colher de sopa rasa por pombo).




8 - Perigos que os Pombos Encontram no Regresso a Casa

São muitos os perigos encontrados, mas, entre eles, destacam-se:

  • As condições meteorológicas e orográficas adversam

  • As aves de rapina, contra as quais não existe nenhum meio eficaz

  • Os caçadores que, por ignorância ou intencionalidade, confundem os pombos-correio com outros tipos de pombos não protegidos por lei.




9 - Algumas Regras Fundamentais de Higiene

Nos pombos-correio, como em qualquer outro animal, a prevenção das doenças é sempre mais desejável que a cura das mesmas. Por esta razão, as normas de higiene devem ser levadas de forma metódica. Entre elas destacam-se:

  • Limpeza diária de comedouros e bebedouros;

  • Limpeza diária do pombal (exceto se utilizam grades no chão) ;

  • Alimentação à mesma hora e retirada do resto do alimento 20 minutos depois da sua distribuição;

  • Dar alimentos equilibrados e em boas condições;

  • Desinfetar o pombal contra parasitas externos, uma vez, de 15 em 15 dias;

  • Desinfetar os parasitas externos dos pombos, uma vez por mês,

  • Fazer tratamento preventivo de coccidiosis e trocomoniases de 3 em 3 meses,

  • Dar tratamento contra vermes redondos (lombrigas) uma vez de seis em seis meses;

  • Vacinar preventivamente contra a diftero-varíola e a doença Newcastle;

  • Assim que apareçam os primeiros sintomas de doença entrar em contacto com técnicos especializados.




10 - Conclusão

Procurou-se dar uma visão, simples e genérica, a quem se queira iniciar na Columbofilia, de quais são os grandes passos a dar e quais os principais comportamentos a ter. Tudo o que se escreveu não deixa de ser um conjunto despretensioso de pequenos alertas, conselhos ou chamadas de atenção. As pistas aqui dadas, devem ser aprofundadas através de leituras técnicas e trocas de impressões com columbófilos experientes.

A Federação, especialmente através do Gabinete Jurídico e do Gabinete Veterinário, está aberta a prestar todos os esclarecimentos àqueles que pretenderem iniciar a prática desta modalidade.





COLUMBOFILIA

Noções Gerais

Columbofilia é a uma modalidade desportiva relacionada a corrida entre pombos-correio. Columbófilos(criadores de pombos-correio), potencializam capacidades físicas e de orientação, para participação de campeonatos. Eles desenvolvem velocidades de até 87 a 102 km/h, em distâncias que podem chegar a pouco mais de 1.200 quilômetros.

No Brasil, competições são realizadas anualmente de maio a outubro. A inserção do pombo-correio no Brasil, começou pelo Exército Brasileiro para fins de "Comunicações". 1.000.000 de pombos-correio, é a população estimada de pombos-correio no Brasil. Os Estados de Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Sergipe, Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia, Ceará, Mato Grosso e Espírito Santo; detém de columbófilos reconhecidos até internacionalmente.

Características do Pombo-correio

O atual pombo-correio é o fruto de cruzamentos de algumas raças belgas e inglesas, efetuadas na segunda metade do século XIX. Esse padrão de pombo foi continuamente selecionado a fim de apurar duas características principais: a capacidade de orientação e um morfótipo atlético. O pombo-correio caracteriza-se, principalmente pelas seguintes propriedades:

  • vivacidade;

  • velocidade de voo;

  • penas abundantes, brilhantes e de elevado coeficiente aerodinâmico;

  • rabo sempre fechado quando em voo;

  • pescoço, fortemente implantado e esguio;

  • grande resistência à fadiga.

O peso médio nos machos está compreendido entre 425 a 525 gramas e 480 gramas nas fêmeas. É capaz de percorrer num só dia claro, distâncias de 700 a 1.000 Km, a velocidades médias superiores a 90 kms por hora.

Revestimento Corporal: Penas

A plumagem nos pombos-correio cumprem vários fins: formam uma capa Termo isoladora, organizam as superfícies impulsoras da asa e dão ao corpo a forma aerodinâmica característica.

Existem diferentes tipos de penas:

  • as de contorno;

  • o "duvet";

  • as filopenas;

  • o "duvet" empoado.

São penas de contorno, as rémiges (penas maiores das asas), as retrizes(pena da cauda) e as tectrizes(penas de cobertura). O "duvet" é a penugem, a qual deve ser abundante e sedosa. As filopenas transmitem informações sobre o movimento e as vibrações das penas de contorno aos recetores nervosos.

O "duvet" empoado contém um fino pó branco constituído basicamente por queratina. Este pó é o responsável pela resistência destas penas e repelem a água.

As penas são implantadas na pele em campos, segundo um padrão fixo. A cor das penas é variada, sendo as mais comuns: azul, vermelho, castanho claro, malhado, bronzeado, preto e branco.

As penas do pombo renovam-se cada ano, designando-se esta atividade fisiológica como muda e deve ser perfeitamente conhecida pelo columbófilo, porque representa um momento crítico na vida desportiva do pombo-correio: qualquer falha ou doença, nesta fase, reduz visivelmente a capacidade de competir nas grandes provas. São consideradas as penas mais importantes as das asas e da cauda.

Columbofilia no Mundo

Em Portugal, competições são realizadas anualmente de Março a Junho. Portugal tem o desporto da columbofilia, como o segundo mais popular deste país, contemplando com 4.500.000 pombos para fins desportivos. De organização impecável e informatizada em praticamente todos os setores, lidera o mundo em seu conceito administrativo, campeonatos, técnicas e alta comercialização em produtos relacionados ao desporto.

Bélgica, Holanda, Alemanha tem sido fortes concorrentes em grandes campeonatos mundiais, atrelada a sua tradição.

Na China, grandes apostas inflamam corridas milionárias; assim como na África do Sul.

Nas Ilhas Canárias(Espanha), a columbofilia se destaca não só pelo número de aficionados, mas pelas corridas oceânicas(por sobre o mar); de elevado nível técnico. 

 Columbófilos: Eles, os que se roem ansiosos à espera delas



http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1279135

Relaxa, consome amor, assanha ansiedades. Em Portugal, há 18 mil famílias que sofrem de columbofilia, o desporto de atirar pombos-correios ao ar e esperar ansiosamente que eles vão, voem e voltem para casa. É um mistério que se passa nas traseiras de um país com um céu de 700 quilómetros. É aí que vamos conhecer Abílio, Almerindo e Ana - e ela, que se saiba, é a única mulher columbófila que se conhece no Porto.

2009-06-28

JOSÉ MIGUEL GASPAR, In Jornal de Noticias

Os pombos estão sempre a arrulhar - é uma coisa que permanece quando se entra num pombal: o repetido daquele quente e suave som, começa com um enrolar agudo e curto e depois funde-se numa ressoada grave e gutural, como um ventríloquo que nunca pára. Cu-cu-ruu.

Mas aquilo que jamais se esquece envolve outro secreto frenesim - é o baile deles a galar, quando pombo e pomba se somam e cedem no rito de acasalar.

É uma coisa arrebatada. Começa com um cortejo ao redor, pescoços entrançados, bicos, bicadas e muito cu-cu-ruu. O macho incha-se, cresce de penas, a fêmea submete-se e deita-se dócil de barriga, o rabo erguido ao céu. Aí, ele trepa-lhe para o lombo, estica as penas das retrizes, os sexos tocam-se e os dois estremecem no tresvario. É um momento de machismo burlesco: enquanto está por cima, o macho debica a cabeça da fêmea. Não é grave: o acasalamento dura uns curtos cinco segundos - ainda que os pombos se dediquem a galar infinitas vezes ao dia...

Ver e ouvir tudo isto - o cheiro de um pombal é outra coisa: é o odor cálido, amarelo e acre que emana dos farelos, misturado no ar com a acidez do mijo e da merdança - é um privilégio, mesmo para quem o faça seguidas vezes ao dia.

Ali, dentro das grades daquela luz coada, é um pombal portista, todo branco debaixo do imenso azul. É a Quinta das Rosas, Santo Ovídeo, Vila Nova de Gaia, a potente cidade columbófila que reclama para si ser a maior do país (três mil associados num universo total de 18 mil, cinco milhões de pombos nacionais).

É o pombal do pai Cesário, do filho Abílio e do seu irmão Vasco, um columbófilo assumidamente secundário que gosta de vestir uma vincada bata verde, mas que se deixou entranhar como os outros nisso de ser columbófilo.

"O que é que é? É como o futebol, ou até pior: é uma alegria e uma ansiedade e um vício". É Abílio que discorre, Abílio Pereira, 41 anos, casado, gentil, os vês a entrar pelos bês adentro, inflamado pela paixão do pombo desde que se conhece.

A época nacional de competições para os pombos federados (18 provas geridas pela Federação Portuguesa de Columbofilia; vai de Fevereiro a Junho; um terço para cada modalidade: fundo, meio-fundo e velocidade) terminou na semana passada, fechando no S. João. Estamos agora no defeso, em que o tempo é dedicado aos treinos e à procriação.

É nessa tarefa que está Lucho, um viçoso pombo azul acinzentado, enormes olhos rubros, o peito cheio de ar a arrulhar. É um papa-prémios que se retira no pico da forma, que sai com o orgulho enfaixado: Campeão Nacional Absoluto 2009. Tem uma imensa família, o pombo-correio comandante Lucho, uma irmã chamada Licha, um frenético irmão de nome Portista - "esse não é monogâmico; está agora a rodar com cinco fêmeas" - e dezenas de pequenos irmãos borrachos.

Torna Abílio: "Aqui é assim: o meu pai é o Pinto da Costa, eu sou o Mourinho e o meu irmão é o adjunto". É o Vasco, vendedor na central de Cervejas, e escusa-se por parecer brando: "É porque só tenho tempo ao fim de semana, senão estava cá sempre batido".

Eles repetem: ser columbófilo relaxa, consome muito tempo, muito amor e assanha as ansiedades. "É. É sempre assim, acho que nunca passa", diz Abílio a coçar a cabeça. "Quando se solta um pombo para uma prova, seja a 300, 600 ou 900 quilómetros traz sempre um aperto no coração - e se ele se perder e não voltar?".

Dotado de extraordinário sentido de orientação, um pombo-correio devidamente treinado regressa sempre a casa. É um mistério também para eles, columbófilos, mistura visão, memória e forte sentido de coordenação geográfica. E pouca coisa o distrai do seu voo afilado de velocidades superiores a 100 quilómetros por hora e uma capacidade de resistência que os pode fazer ir do Porto a Faro e voltar sem nenhuma paragem pelo meio. O que os aflige? As temperaturas altas da canícula do Verão, o tempo fechado e confuso das trovoadas - e o seu figadal inimigo, o temido milhafre.

É ali no alto que está a planar um, ali, um milhafre, ali, um avatar da águia cujo instinto empurra garras e bico para os pombos. Está a rondá-los, aos pombos que voam em bando na última solta do dia (os pombos treinados soltam-se duas vezes: pela alvorada e ao entardecer).

Ali já é o descampado do Pombal Municipal de Gondomar, nas traseiras de um pavilhão com piscinas. "Gondomar é o melhor concelho para os columbófilos do país", avisa logo Almerindo Mota, diretor da instalação subsidiada pela câmara do major Valentim - "e ele, o próprio, também é um apaixonado por pombos e pombas, mas acho que lhe falta tempo para vir mais vezes. Para nós é uma alegria".

É um campo amplo, aquele, arejado, a abundar de verdes daninhas. Num canto o branco pombal de alvenaria - é municipal, funciona como uma espécie de hotel, com taxa para tratamento e treino dos pombos -, no alto o céu azul da soltura.

"Vício, vício", assobia Almerindo, 38 anos, ourives de profissão, casado como parecem ser todos os columbófilos. "É, quando se é solteiro o tempo é para fazer outras coisas. Quando já assentamos é que parece que temos mais tempo".

Mas, mais do que ter tempo, é preciso querer tê-lo. "Isto prende muito, obriga-nos a estar aqui, é preciso alimentá-los, tratá-los, treiná-los, dar-lhes de comer toda a vida. Mas é uma válvula de escape, é um ótimo antisstress, pergunte a quem quiser", diz Almerindo a olhar para o céu, os olhos fixos nos infinitos que voam - e ver pombos a voar em bando é como ver um interminável teste de Rorschach: os pombos são pequenos pontos, manchas de tinta que formam formas inesperadas, desenhos intermináveis. (E também aqui há um som inesquecível, o som fresco do vento das aves a rasar e das asas que batem simétricas).

Ana respondeu como quem bate as asas de alegria, o orgulho na sua condição de sem-segundo: "Quantas columbófilas há aqui no Porto?", responde ela a repetir a pergunta. "Que saiba, sou só eu". É Ana Risca, 40 anos, loira, despachada, olho azul, 10 mais 10 unhas vermelhas. Tem 300 pombos à sua guarda, ela e o marido Miguel, e ambos gerem a Avipombo, tudo para pombos e animais.

Como todos os columbófilos, é solícita e interessada e palra sem parar, Ana. Mas parece ser um poço de sensatez e ternura, a afagar os pombos nas traseiras de casa, o casebre branquinho plantado entre ameixos e dálias, ela a tratá-las por "bebé", "coisa linda", "vem cá minha pequenina".

É ela que melhor o explica: ó Ana, para fazer isto é preciso estar apaixonado? "É, é. O bicho, sabe, entranha-se em nós. Não há nada a fazer".
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