1. Quem foi Benjamin Graham (1894-1976)



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1. Quem foi Benjamin Graham (1894-1976)

Apesar de ter nascido em Londres, a família Graham se mudou para Nova Iorque quando Benjamin tinha um ano de idade. Excelente aluno, se graduou na Universidade de Columbia aos 20 anos, com distinção. Bastante erudito e com um raciocínio matemático impecável, Benjamin Graham recebeu um convite para se tornar professor de Inglês, Matemática e Filosofia, mas preferiu aceitar um emprego em Wall Street, onde fundou sua empresa, a Graham-Newmann.

Em 1934, Graham publicou, em coautoria com David Dodd, o livro “Security Analysis”, que é considerado por muitos a Bíblia dos investidores fundamentalistas – na verdade, a obra é apontada como a pioneira no chamado investimento em valor (value investing). Segundo alguns, esse livro foi fruto da experiência de Ben na grande depressão de 1929, na qual ele teria tido grandes perdas. Dez anos mais tarde, Benjamin Graham publicou uma versão de seu primeiro livro voltada para investidores individuais, “The Intelligent Investor”, que foi traduzido recentemente para o português sob o título “O Investidor Inteligente”.

Benjamin Graham também era um ativo defensor dos interesses dos acionistas, e por isso criticava a maneira pela qual as empresas divulgavam seus balanços, utilizando termos obscuros e escondendo a informação que realmente importava.



2. Conceitos importantes apresentados por Benjamin Graham.

Benjamin Graham foi responsável por vários conceitos importantes para quem quer aprender a investir a partir dos princípios da análise fundamentalista. Vejamos alguns deles:



a) Uma empresa é um negócio!

Graham dizia que um investimento é mais inteligente quanto mais parecido com um negócio. Ou seja, procure identificar no investimento características que você consideraria importante em um negócio. Lembre-se sempre de que o investimento em ações só faz sentido se você lembrar que, por trás daquele “papel”, existe uma empresa. Se você se lembrar sempre disso, provavelmente já terá dado um grande passo para evitar comprar ações caras demais, ou ações de uma empresa que só dá prejuízo. Afinal, você nunca gostaria de ser o dono de um negócio quebrado, concorda?



b) A metáfora do Sr. Mercado

Uma das alegorias preferidas de Graham no livro “O investidor inteligente” descreve o mercado como um sujeito que bate à porta de todos os investidores do mercado de ações oferecendo uma proposta de compra ou venda de ações a preços diferentes. Às vezes, o preço oferecido é alto, às vezes baixo, e às vezes razoável. Mas nenhum investidor é obrigado a aceitar a proposta do Sr. Mercado, que não se importa com a negativa de ninguém: no dia seguinte ele baterá à porta dos investidores de novo, e assim sucessivamente. A metáfora busca mostrar para o investidor que ele não deveria se importar com o humor do mercado para determinar o valor de suas ações; ao invés de participar na loucura da volatilidade do mercado no dia-a-dia, o bom investidor deve se aproveitar dela em seu próprio proveito. Nos dias de crise, quando o mercado está deprimido, ele deve aumentar sua participação nas ações de boas empresas; e quando o mercado está eufórico, atribuindo um valor absolutamente irreal para as ações, deve vendê-las.



c) Critérios de Benjamin Graham para selecionar ações.

Em 1970, Graham e seu amigo James Rea definiram 10 critérios que estabeleceriam se uma determinada ação poderia ser considerada um bom investimento. São os seguintes:



1) Earning yield pelo menos duas vezes maior que o yield de um título público AAA – trocando em miúdos: o earning yield é a relação entre o lucro e ação. O cálculo é o contrário do P/L, ou seja, você pode calcular o earning yield dividindo-se o lucro por ação pelo preço de cada ação. Se o P/L é de 5, isso significa que o earning yield (L/P) é de 20% (ou 1/5). No caso brasileiro, você poderia definir o yield de um título público AAA a partir de dois critérios: a taxa Selic ou a poupança. Se você utilizar a Selic, isso significa que o L/P máximo que seria considerado razoável seria o dobro da taxa Selic atual (que está na casa dos 12,25%), ou seja, 24,50%. Isso significa que o preço de uma ação, nessas condições, somente seria razoável se seu P/L fosse inferior a 4,08 (equivalente a um L/P de 24,50%). Acredito que, como os juros brasileiros são muito distorcidos, talvez seja possível excepcionar essa regra para o caso brasileiro.

2) P/L abaixo de 40% do maior P/L que a ação teve nos últimos 5 anos. A ideia desse indicador é comprar a ação sempre que o P/L estiver bem abaixo da média que a ação apresentou nos últimos 5 anos. O objetivo de Graham, aqui, é fazer com que o investidor somente compre a ação se houvermargem de segurança para adquiri-la. Com um P/L abaixo de 40% do maior P/L que a ação teve no período, mesmo que as coisas não ocorram como o esperado, dificilmente o investidor não terá um retorno bom no longo prazo.

3) dividend yield de pelo menos 2/3 do yield do título público AAA. Graham procurava segurança nos seus investimentos. Ao exigir umdividend yield de pelo menos 2/3 do yield de um título público, ele pretendia buscar uma rentabilidade mínima razoavelmente comparável com a dos títulos públicos. Isso significa que, nas condições atuais, uma ação somente seria um bom investimento se rendesse, só com os dividendos, 2/3 da taxa Selic, ou algo em torno de 8,16%.

4) Preço da ação 2/3 abaixo do Valor Patrimonial por AçãoBuffett dizia que o melhor negócio do mundo é comprar uma nota de US$ 1,00 por US$ 0,60. É esse raciocínio que está por trás desse critério. Se você conseguir comprar uma ação por 2/3 de seu patrimônio líquido, isso significa que você está comprando a empresa por menos do que seus ativos valem. Obviamente, esse não pode ser o único critério a ser adotado, já que a empresa pode ser tão perdulária que seu patrimônio diminuirá muito no longo prazo.

4) Preço da ação 2/3 abaixo do Valor Patrimonial Tangível por AçãoTrata-se de um indicador parecido com o anterior. Para calculá-lo, apenas diminua do valor patrimonial por ação o valor do patrimônio intangível (bens intangíveis, sobre os quais é difícil avaliar com precisão o valor, como o valor da marca, por exemplo).

5) Preço da ação 2/3 abaixo dos ativos circulantes líquidos por ação. Ativos circulantes são os bens e direitos conversíveis em dinheiro no curto prazo (1 ano). A ideia do indicador é que o preço da ação seja 2/3 inferior ao total dos ativos circulantes divididos pelo total da ação. A meu ver, é muito, muito difícil que esse critério seja observado, a não ser que haja um derretimento próximo ao de 2008 na economia.

6) Dívida total inferior ao Patrimônio tangível.

7) Liquidez corrente superior a 2. A liquidez corrente expressa a capacidade da empresa de pagar suas dívidas de curto prazo. Um indicador superior a 1 indica que a empresa é capaz de honrá-las, e um indicador superior a 2 indica solidez quase absoluta.

8) Dívida total inferior ao dobro dos valor do ativo circulante líquido.

9) Crescimento do lucro ao longo dos últimos 10 anos de pelo menos 7% ao ano. Esse indicador é valiosíssimo, pois indica que a empresa tem uma excelente administração, capaz de fazer os lucros crescerem com consistência e força.

10) Um máximo de 2 quedas anuais de 5% ou mais no lucro ao longo dos últimos 10 anos.


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